Setor moveleiro do Nordeste: Adeilton Pereira aponta os rumos da indústria na região 


O setor moveleiro do Nordeste tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), a região registrou alta de 15,7% na produção de móveis entre 2019 e 2024. A combinação entre população numerosa e renda em evolução reforça esse movimento.


Com mercado interno forte e ampliação do PIB regional, o Nordeste se destaca como uma das áreas mais promissoras do país. Entre os grupos que acompanham esse avanço está o Grupo OFFICINA, que atua há quase três décadas na cadeia moveleira. 


Para o vice-presidente da Abimóvel e sócio-diretor do grupo, Adeilton Pereira, a produção tende a se tornar cada vez mais regionalizada. “O Sul e o Sudeste seguem importantes para o setor, mas acredito que o futuro será mais descentralizado. O Nordeste tem potencial para alcançar autossuficiência e isso vale para diversas atividades econômicas”, afirmou o executivo.


Na entrevista a seguir, Adeilton explica como a região transforma desafios em oportunidades, com foco em mão de obra, sustentabilidade e internacionalização.


 


Dados recentes revelam como o Nordeste tem ganhado protagonismo na produção e no consumo de móveis. Na sua avaliação, quais são os principais diferenciais competitivos que colocam o setor moveleiro do Nordeste em posição de destaque?


É importante lembrar que o Nordeste voltou a ser a segunda região que mais consome no Brasil. Há poucos anos, essa posição havia sido ocupada pelo Sul. Esse retorno mostra a força de consumo, o tamanho da população e a melhora gradual da renda.


A distância dos grandes polos moveleiros, localizados principalmente no Sul do país, favorece a produção moveleira no Nordeste. Produzir perto de onde consome é um diferencial competitivo importante. Seja pelo custo de transporte, pela agilidade de entrega ou mesmo por questões tributárias. A longo prazo, o setor moveleiro do Nordeste tem grande potencial para exportação, já que está mais próximo da Europa e dos Estados Unidos.


 


Nos últimos anos, o setor moveleiro do Nordeste tem enfrentado desafios com a escassez de mão de obra qualificada. De que forma a região pode transformar essa dificuldade em oportunidade?


Esse é um desafio nacional. No Sul, a massa de trabalhadores é menor, mas o nível de qualificação é maior. No Nordeste, ocorre o oposto. O caminho é investir em formação profissional. Isso inclui centros de capacitação, parcerias educacionais e programas de primeiro emprego.


Hoje, essa escassez é um gargalo que limita o crescimento e pode frear um avanço mais acelerado.




A sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser exigência. Como as indústrias do setor moveleiro do Nordeste podem se destacar nesse cenário?


A sustentabilidade é uma exigência mundial. E o Nordeste tem o privilégio de contar com uma matriz energética limpa, principalmente solar e eólica. 


A responsabilidade ambiental começa na escolha dos fornecedores e passa pela eficiência no processo produtivo, com mínima perda de materiais. Envolve ainda a destinação correta de resíduos. Sempre que possível, utilizar práticas de economia circular, para que o produto tenha novas utilidades após o uso primário.


 


Pensando a longo prazo, como o setor moveleiro do Nordeste pode se preparar para a internacionalização?


O Nordeste já despertou para esse movimento. O primeiro passo é valorizar elementos naturais e culturais da região no design do mobiliário regional. 


Participar de ações internacionais promovidas pelas associações de classe, como a Abimóvel, e por órgãos governamentais como a Apex, também abre portas.  


Outro passo importante é o posicionamento estratégico de branding. Depois, a exportação costuma começar por países da América do Sul e Central. Em seguida, avança para mercados mais exigentes, como Estados Unidos e Europa. Para isso, é essencial controlar custos, cumprir requisitos ambientais e fortalecer o design autoral.


 


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