“O ácido fórmico interrompe a produção de ATP nas células, resultando em ‘anóxia histotóxica’ (as células não conseguem utilizar o oxigênio corretamente). O nervo óptico — com alta necessidade metabólica — é particularmente vulnerável. Os sinais e sintomas oculares incluem visão borrada, diminuição central da visão, fotofobia e percepção de “neve” no campo visual; nos casos mais severos, instala-se grande escotoma central e cegueira”, explicou Alexandre.
“Exames oftalmológicos e de imagem (fundoscopia, OCT, ressonância) mostram inicialmente edema peripapilar e, posteriormente, atrofia óptica e afinamento das camadas nervosas da retina”, acrescentou o médico oftalmologista do IOFV.
O metanol (álcool metílico) é um composto usado em produtos industriais (anticongelantes, solventes, combustíveis) e não é próprio para consumo humano. No organismo o metanol é metabolizado em formaldeído e — sobretudo — em ácido fórmico (formato), que é o responsável pela maior parte da toxicidade. Mesmo pequenas quantidades podem provocar dano ocular: relatos indicam que 10 mL de metanol concentrado podem causar neuropatia óptica e cegueira; cerca de 30 mL pode ser letal.
O QUE FAZER APÓS INGERIR A BEBIDA CONTAMINADA?
Se houver suspeita de ingestão de bebida falsificada ou surgimento de náuseas, vômitos, tontura seguido de visão borrada ou perda de visão, o médico Alexandre Ventura sugere que o procedimento seja sem demora:
1. Procure emergência médica imediatamente — quanto mais cedo iniciar tratamento, melhor o prognóstico. Não espere sintomas piorarem.
2. Informe à equipe médica sobre possível ingestão de bebida falsificada / metanol. Levante amostras da bebida, rótulos ou embalagens, se possível.
3. Não espere por testes laboratoriais para iniciar medidas se a história e os sinais clínicos forem sugestivos — o tratamento é urgente.

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