Altas temperaturas e baixa umidade do ar geram aumento na incidência de casos de dermatite atópica
Pacientes com essa condição enfrentam sintomas em média por 90 dias ao ano, segundo um estudo do Instituto Ipsos, realizado em parceria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O calor intenso, o clima seco e as variações de temperatura, que se tornaram mais frequentes devido ao aquecimento global, estão entre os principais fatores que agravam os sintomas dessa doença.
Dado que a expectativa é de que o verão de 2025 seja marcado por ondas de calor extremas e longos períodos de seca, serão necessárias medidas preventivas para minimizar os impactos sobre a saúde da pele.
"A dermatite atópica está diretamente ligada à perda de hidratação da pele, que ocorre de forma mais rápida em ambientes quentes e secos", afirma Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop. A especialista ainda explica que a barreira cutânea fica comprometida, tornando a pele mais suscetível a irritações e inflamações. Além disso, o suor excessivo e as mudanças bruscas de temperatura também colaboram para o aumento das crises.
Entenda a condição
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por coceira intensa, ressecamento e o aparecimento de lesões avermelhadas. É mais comum em crianças, mas pode afetar adultos, especialmente aqueles com histórico de alergias respiratórias. "É importante observar os primeiros sinais da dermatite, como coceira persistente, áreas ressecadas e a presença de inflamações", afirma Julinha Lazaretti. Os grupos mais vulneráveis são crianças, idosos e pessoas com predisposição genética a alergias.
Os sintomas podem variar em intensidade, mas, em geral, incluem manchas vermelhas, pele escamosa e coceira constante. Em alguns casos, a coceira é tão intensa que pode interferir no sono e na qualidade de vida dos pacientes. "Identificar a condição logo nos primeiros sinais e iniciar o tratamento adequado é vital para evitar complicações mais graves, como infecções de pele", alerta a bióloga.
Como tratar
O tratamento da dermatite atópica envolve uma série de cuidados diários com a pele, focando na hidratação e proteção contra fatores desencadeantes. Julinha Lazaretti destaca uma técnica eficaz para aliviar os sintomas durante as crises, chamada wet wrap (ou compressa úmida). "Essa técnica ajuda a manter a pele hidratada por mais tempo, aliviando a coceira e a inflamação", explica.
Para aplicar o procedimento, o primeiro passo é medir a área afetada e escolher uma faixa que cubra toda a região confortavelmente. Após isso, hidrate a pele com um creme emoliente ou pomada indicada pelo dermatologista. Em seguida, umedeça uma compressa de algodão com água morna e aplique sobre a área, cobrindo-a com uma compressa seca de suplex para manter a umidade. Deixe a compressa agir por pelo menos duas horas, preferencialmente à noite, para obter alívio dos sintomas de dermatite e promover a hidratação contínua da pele.
Além da técnica, outras formas de tratamento incluem o uso de cremes hidratantes e emolientes diariamente, evitando o ressecamento. Banhos rápidos e mornos, utilizando sabonetes neutros, também são recomendados, pois ajudam a preservar a barreira natural da pele. Em casos mais graves, medicamentos tópicos, como corticosteroides e inibidores de calcineurina, podem ser prescritos por um dermatologista para reduzir a inflamação e aliviar os sintomas.
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