O que é Dororidade?
Costumo dizer que "criar conceito também é coisa de Mulher". Sou da área de Letras/Literatura e quando criei o conceito Dororidade também elaborei uma palavra nova. E como estamos no mundo virtual, quando se escrevia Dororidade, o Google, imediatamente, corrigia por Sororidade. Em Dororidade, falo "da dor e nem sempre delícia de se sentir quem é, quem somos" é um não ser, sendo, resultado do Racismo que nega nossas identidades e tira nossa dignidade. Sendo assim, Dororidade na minha leitura une todas as Mulheres de todas as Raças Etnias. A dor provocada pelo Machismo, une, infelizmente, todas nós.
Basta analisar os números acima que comprovamos facilmente o aumento do Feminicídio, mas Dororidade vai além “pra além do Machismo”. Nós, Mulheres Jovens Pretas, temos uma dor a mais. A dor provocada pelo Racismo. Essa dor só nós sentimos, identificamos e é marcada pela cor da nossa pele. E quanto mais Preta, mais Racismo. Ele acontece no cotidiano, se dá em qualquer hora e lugar. Seja na vida particular, na rua, no trabalho e na escola. E por aí vai. Enfim, precisamos transformar essa dor em potência por meio da Arte do Empreendedorismo, da Educação, da escrita/literatura, e da música.
Dororidade tem a ver com as Mulheres e Jovens Negras. É um conceito Feminista que veio para dialogar com a Sororidade. Todo conceito é um conjunto de ideias. Ele é sempre circular. Gênero, raça e classe fazem parte da Interseccionalidade conceituada e estudada nos EUA por Angela Davis. Já aqui no Brasil, Lélia Gonzalez se debruçou sobre esse tema no final dos anos 70. Ela dizia como se faz para discutir e lutar contra o Racismo em pleno século XXI?
Dororidade fala de nosso silêncio histórico, da nossa Ancestralidade, dos agravos da escravidão, que até hoje ainda nos coloca como a “carne mais barata do mercado”. Afinal, fomos a única raça a ser vendida. Nossos corpos eram vendidos, expostos como uma mercadoria. E Dororidade fala disso, da Dor é de quem sente. Dor dói e ponto final. Mas, a nossa dor tem cor? A resposta é sim, ela é preta. O conceito Dororidade creceu e deu frutos. Atualmente, temos Dororidade Jurídica, Dororidade Capilar, Dororidades, Gordoridade. Basta olhar, está lá no Instagram/Grupos, está também no Google, além de teses de Mestrado, Doutorado e Trabalho de Conclusão de Cursos (TCCs). Enfim, é desse jeito. A fila andou. Andou tanto que o meu livro intitulado Dororidade já está traduzido em Espanhol e foi lançado na Argentina em 2020.
Em março de 2023, fui convidada para fazer parte da série Brilhantes, iniciativa do Instituto Yduqs e Estácio, que prevê cinco temporadas, separadas por temas, com 8 episódios cada uma, levantando debates sobre Machismo, Racismo, LGBTQIAP+, Etarismo e Capacitismo. O primeiro tema é bastante relevante: o machismo estrutura.
Por Vilma Piedade

Comentários
Postar um comentário