Fórum Socioambiental de Aldeia completa 20 anos de luta pela preservação de Aldeia

 


O Fórum Socioambiental de Aldeia comemora, agora em outubro, 20 anos de existência na luta pela preservação socioambiental de Aldeia. A história de resistência da entidade, sem fins lucrativos, fundada por moradores preocupados com a violência no bairro, se mistura com a história do bairro de Aldeia.
“Poucos movimentos de voluntariado voltados a discutir os problemas e propor soluções em uma região protegida têm vida longa, pelo menos no Brasil, onde a cultura cidadã ainda é pouco exercitada. Por isso, a existência, há 20 anos, de uma entidade como o Fórum Socioambiental de Aldeia, apartidária, sem fins lucrativos e independente, é um fato a ser muito comemorado. É uma história, sobretudo, de resistência”, pontua o presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, Herbert Tejo.

A história do Fórum foi contada no livreto digital  “Fórum Socioambiental de Aldeia: 20 anos de luta”, escrito pela jornalista Tatiana Portela com o apoio de Hibernon Souza Cruz, Gilberto Dias, Carlam Bezerra, Manoel Ferreira, Herbert Tejo e Antônio Portela, com fotografias cedidas por Mozart Souto. Nesta quinta-feira, dia 26.10, às 19h, associados e simpatizantes das causas defendidas pelo Fórum estarão reunidos para comemorar os 20 anos do Fórum, na Pizzaria Tomassa (Km 9,5), em Aldeia.

O Fórum Socioambiental de Aldeia visa promover, acompanhar e avaliar ações para a melhoria da qualidade de vida, o fortalecimento da cidadania, o desenvolvimento socioambiental, estimulando o comprometimento da comunidade com a segurança e preservação do meio-ambiente, tendo como base o desenvolvimento sustentável e a inclusão social. Entre as pautas defendidas está a transformação da Estrada de Aldeia em uma Estrada Parque, uma reforma com instalação de ciclovias, calçadas e requalificação de acostamentos onde fosse possível o plantio de árvores e jardins. O projeto arquitetônico executivo, patrocinado pela comunidade, já foi desenvolvido pelo arquiteto César Barros e entregue a autoridades estaduais e municipais. Com o novo governo de Pernambuco, surgiu uma luz no final do túnel. Há, agora, um compromisso assumido de incluir no Projeto Executivo de Reestruturação da PE-27, que está sendo finalizado, a inclusão de ciclovias e calçadas ao longo dos primeiros 20 km da Estrada de Aldeia. 

O Fórum defende também que a construção de um Complexo Militar, com uma Escola de Sargentos de Armas do Exército (ESA), em Pernambuco, seja feita em uma área já desmatada e distante dos afluentes do Rio Catucá para minimizar os impactos ambientais. Na proposta do Exército Brasileiro, a ESA seria construída em área de floresta densa e consolidada dentro do maior fragmento de mata Atlântica contínua desde o norte do Rio São Francisco, prevendo o desmatamento de 150 hectares de mata com alta biodiversidade, além do prejuízo ambiental aos rios e nascentes responsáveis pelo abastecimento do reservatório de Botafogo, equipamento central do Sistema Botafogo, que fornece água a mais de 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Recife.

Outros assuntos como a construção do Arco Viário Metropolitano fora da Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, a segurança pública de Aldeia, perturbação do sossego e os buracos da Estrada de Aldeia também estão na pauta do Fórum. “É importante enfatizarmos que não somos contrários aos empreendimentos como o Arco Metropolitano e a Escola de Sargentos em Pernambuco, pois entendemos que são importantes para o desenvolvimento do Estado. O que defendemos é que sejam consideradas alternativas locacionais que não tragam tantos danos ambientais”, enfatiza Herbert Tejo, presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia.

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