quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Epidemia das doenças crônicas já provocam 6 milhões de mortes nas Américas



Em Pernambuco apenas entre janeiro e maio deste ano já foram registradas 3.532 mortes por doenças cardiovasculares. Tabaco, má alimentação e sedentarismo são apontados como principais fatores de risco.

Nas Américas, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são as principais causas de morte e incapacidade. Cardiopatias, câncer e diabetes tiveram aumento de 43% nos diagnósticos desde os anos 2000 e resultaram em 6 milhões de mortes apenas em 2021, segundo o relatório NCDs at a Glance 2025, publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). 


Essas doenças respondem por 65% das mortes na região, sendo que quase 40% ocorrem antes dos 70 anos. O crescimento está ligado a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, má alimentação, sedentarismo e consumo nocivo de álcool. Entre as principais causas, destacam-se doenças cardiovasculares (2,16 milhões de mortes), câncer (1,37 milhão), diabetes (mais de 420 mil) e doenças respiratórias crônicas (mais de 416 mil).  


No Brasil, as doenças do coração seguem como ameaça central. Entre janeiro e maio de 2025, Pernambuco registrou 3.532 mortes por problemas cardíacos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Homens foram os mais atingidos (1.964 mortes) e pessoas a partir dos 40 anos já representam parcela expressiva dos óbitos. Os números mais altos se concentram entre idosos acima de 80 anos (1.008 mortes). 


O Estado também enfrenta índices elevados de acidente vascular cerebral (AVC). No mesmo período, foram 1.470 mortes, além de 303 pessoas que ficaram com sequelas. Em 2024, Pernambuco já havia registrado 3.777 óbitos pela condição.  


Para o cardiologista da Hapvida, Joel Ladislau, a prevenção deve começar cedo. “As doenças cardiovasculares podem ser evitadas com mudanças de hábitos. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle da pressão, do colesterol e do diabetes são fundamentais. Evitar tabaco e excesso de álcool, além de realizar consultas médicas periódicas, também faz toda a diferença. O coração precisa de cuidados diários, e a prevenção é sempre o caminho mais seguro”, afirma. 


Apesar da liderança das doenças cardíacas, o câncer avança e tende a assumir o topo do ranking nas próximas décadas. Levantamento do jornal O Globo, com dados do Ministério da Saúde, mostra que, em 2024, em 836 cidades brasileiras (15% do total), o câncer já matou tanto quanto ou mais que doenças cardiovasculares. Em 606 municípios, as mortes oncológicas lideraram. 


Um estudo publicado na revista The Lancet projeta que até 2050 o câncer causará 18,6 milhões de mortes por ano, 75% a mais que em 2024. A estimativa considera envelhecimento, crescimento populacional, dentre outros. Entre 1990 e 2023, os diagnósticos da doença dobraram, chegando a 18,5 milhões de novos casos anuais; no mesmo período, as mortes cresceram 74%, alcançando 10,4 milhões. 


Para a nutricionista da Hapvida, Michele Arruda, a alimentação é peça-chave na prevenção. “Precisamos incentivar o consumo de frutas, legumes e fibras, garantir rotulagem clara e reduzir a ingestão de ultraprocessados e de sal”, exemplifica. 


O cenário reforça a urgência de estratégias integradas de prevenção, combinando políticas públicas, educação em saúde e mudanças no estilo de vida, para conter o avanço das doenças crônicas no Brasil e no mundo.

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