terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Maracatu Rural Cambinda Brasileira, Patrimônio Vivo de Pernambuco, celebra 108 anos em clima de Carnaval



Mostra, que poderá ser acompanhada pelo público, em tempo real e gratuitamente, será realizada na cidade de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte, neste sábado, 20

Festividade será realizada neste sábado, 10 de janeiro, no terreiro do Engenho Cumbe, Zona Rural de Nazaré da Mata, com a presença de vários grupos culturais da região, a partir das 20h. Evento é gratuito para o público 


O Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira, mais antiga agremiação de cultura popular com atividade ininterrupta do País, e ainda sediado em uma área rural, chega aos 108 anos abrindo, mais uma vez, o caminho simbólico para o Carnaval da Zona da Mata Norte. Neste sábado, dia 10, segundo fim de semana do mês de janeiro de 2026, o terreiro do Engenho Cumbe, na Zona Rural de Nazaré da Mata, se transforma em espaço de celebração, memória e afirmação da cultura afro-brasileira que sustenta uma das mais importantes expressões populares do Brasil. A festa é gratuita e contará com atrações para o público de todas as idades. O evento tem início às 20h.




O aniversário do Cambinda, presente no calendário cultural do Estado, é um marco cultural que ajuda a compreender por que o maracatu rural ocupa lugar central na identidade pernambucana. O que se vê no terreiro é resultado de uma tradição construída ao longo de mais de um século por trabalhadores do campo, mestres da oralidade, brincantes e famílias inteiras que fizeram do maracatu uma forma de existir, resistir e narrar o mundo.




O maracatu de baque solto, composto pelos seus 160 integrantes, se anuncia primeiro pelo impacto visual. Os caboclos de lança surgem como figuras monumentais, cobertos por bordados minuciosos, fitas e cores que transformam o corpo em território simbólico. A corte se organiza como um reino popular em movimento, formada por personagens icônicos que carregam no gesto e na indumentária referências ancestrais afro-indígenas. Não há improviso gratuito. Cada elemento tem função, cada detalhe comunica pertencimento e memória.




No centro dessa engrenagem cultural está a palavra. A poesia, que tem como protagonista o Mestre Anderson, e contra-mestres, Davi Coutinho, conduzem a brincadeira com versos rimados e cantados que misturam improviso, crítica social, devoção e celebração. É uma poesia que nasce do chão, do cotidiano e da experiência coletiva, transmitida pela oralidade e preservada como patrimônio vivo. O verso organiza o tempo do cortejo e dá sentido à dança, criando um diálogo constante entre quem canta e quem responde.




A sonoridade do baque solto completa esse universo sensorial. Metais, gonguês, vozes e o ritmo marcado no corpo e no chão constroem uma música ancestral que não se limita ao ouvido. O som se espalha pelo terreiro, atravessa o corpo dos brincantes e envolve quem assiste. É um chamado que se repete há gerações, reafirmando que o maracatu rural é música, dança e ritual indissociáveis.




Ao longo de mais de um século, o Cambinda Brasileira, que tem suas origens na região canavieira, extrapolou os limites do terreiro. A brincadeira popular, de tradição raiz, inspirou filmes, documentários, livros, pesquisas acadêmicas e estudos no Brasil e no exterior. Tornou-se objeto de investigação antropológica, estética e histórica, sem perder sua função original de prática viva. O Cambinda Brasileira segue ocupando papel central nesse processo, sendo referência constante na formação e inspiração de novos grupos, pesquisadores e artistas interessados em compreender a complexidade dessa manifestação cultural.




A celebração dos 108 anos integra o projeto ‘Maracatu Cambinda Brasileira Ciclo de Celebrações', aprovado no Funcultura Geral 2023/2024, na categoria de ações de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial. Com incentivo da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, o projeto reforça a importância das políticas públicas para a continuidade das culturas tradicionais. A programação conta com acessibilidade em Libras, ampliando o alcance e reafirmando o caráter público do evento.




Ainda dentro da agenda festiva da noite do sábado para o domingo, o terreiro do Maracatu Cambinda, reúne expressões que dialogam diretamente com o território da Zona da Mata Norte. Entre os convidados para a celebração, está o O Cavalo Marinho Boi Estrela, que traz para o palco da festa a força do brinquedo popular que mistura teatro, música e dança, recuperando personagens e narrativas ligadas ao universo canavieiro. 




Outra atração que promete levantar poeira e colocar todo mundo para cantar e dançar, é o grupo cultural Os Ticuqueiros. Com uma discografia original e inspirada na vivência do povo da Mata Norte, apresenta uma linguagem musical contemporânea que nasce da tradição, transformando referências do campo e da cultura popular em som urbano sem romper com a raiz.




A festa abre espaço, ainda, para receber o Mestre Anderson Miguel, acompanhado da Ciranda Raiz da Mata Norte, representada por uma nova geração de mestres que atualiza a tradição sem descaracterizá-la, levando a ciranda e o maracatu para novos espaços e públicos.




Sobre o Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira| Fundado em 5 de janeiro de 1918, o grupo tem, em sua biografia, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco e Ponto de Cultura do Estado. Além disso, a agremiação carnavalesca, tem buscado atuar como espaço de registro, documentação, salvaguarda da cultura afro-brasileira oferecendo à comunidade que está inserida no território da Zona da Mata e do Estado, atividades formativas e culturais para brincantes e projetos que dialogam a proposta da Lei Cultura Viva.  




Sobre a Terno da Mata Produções - Empresa responsável pela captação de recursos em editais de fomento à cultura e pelo acompanhamento da execução do projeto. A atuação da produtora envolve desde a elaboração técnica até o monitoramento das ações e a prestação de contas, em diálogo permanente com a diretoria do Maracatu Cambinda Brasileira. O modelo adotado prioriza a participação ativa do grupo nas decisões estratégicas e na articulação com empresas e entidades parceiras do Ponto de Cultura, contribuindo para a construção de um Ciclo de Celebrações contínuo e para o fortalecimento da sustentabilidade cultural do Cambinda.



Serviço 


O quê: Maracatu Rural Cambinda Brasileira, Patrimônio Vivo de Pernambuco, celebra 108 anos em clima de Carnaval


Quando: Sábado, 10 de janeiro de 2026


Onde: sede do Maracatu Cambinda Brasileira, no Engenho Cumbe, Zona Rural de Nazaré da Mata


Horário: 20h


Mais informações: www.instagram.com/cambinda_brasileiraoficial

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