Festividade será realizada neste sábado, 10 de janeiro, no terreiro do Engenho Cumbe, Zona Rural de Nazaré da Mata, com a presença de vários grupos culturais da região, a partir das 20h. Evento é gratuito para o público
O Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira, mais antiga agremiação de cultura popular com atividade ininterrupta do País, e ainda sediado em uma área rural, chega aos 108 anos abrindo, mais uma vez, o caminho simbólico para o Carnaval da Zona da Mata Norte. Neste sábado, dia 10, segundo fim de semana do mês de janeiro de 2026, o terreiro do Engenho Cumbe, na Zona Rural de Nazaré da Mata, se transforma em espaço de celebração, memória e afirmação da cultura afro-brasileira que sustenta uma das mais importantes expressões populares do Brasil. A festa é gratuita e contará com atrações para o público de todas as idades. O evento tem início às 20h.
O aniversário do Cambinda, presente no calendário cultural do Estado, é um marco cultural que ajuda a compreender por que o maracatu rural ocupa lugar central na identidade pernambucana. O que se vê no terreiro é resultado de uma tradição construída ao longo de mais de um século por trabalhadores do campo, mestres da oralidade, brincantes e famílias inteiras que fizeram do maracatu uma forma de existir, resistir e narrar o mundo.
O maracatu de baque solto, composto pelos seus 160 integrantes, se anuncia primeiro pelo impacto visual. Os caboclos de lança surgem como figuras monumentais, cobertos por bordados minuciosos, fitas e cores que transformam o corpo em território simbólico. A corte se organiza como um reino popular em movimento, formada por personagens icônicos que carregam no gesto e na indumentária referências ancestrais afro-indígenas. Não há improviso gratuito. Cada elemento tem função, cada detalhe comunica pertencimento e memória.
No centro dessa engrenagem cultural está a palavra. A poesia, que tem como protagonista o Mestre Anderson, e contra-mestres, Davi Coutinho, conduzem a brincadeira com versos rimados e cantados que misturam improviso, crítica social, devoção e celebração. É uma poesia que nasce do chão, do cotidiano e da experiência coletiva, transmitida pela oralidade e preservada como patrimônio vivo. O verso organiza o tempo do cortejo e dá sentido à dança, criando um diálogo constante entre quem canta e quem responde.
A sonoridade do baque solto completa esse universo sensorial. Metais, gonguês, vozes e o ritmo marcado no corpo e no chão constroem uma música ancestral que não se limita ao ouvido. O som se espalha pelo terreiro, atravessa o corpo dos brincantes e envolve quem assiste. É um chamado que se repete há gerações, reafirmando que o maracatu rural é música, dança e ritual indissociáveis.
Ao longo de mais de um século, o Cambinda Brasileira, que tem suas origens na região canavieira, extrapolou os limites do terreiro. A brincadeira popular, de tradição raiz, inspirou filmes, documentários, livros, pesquisas acadêmicas e estudos no Brasil e no exterior. Tornou-se objeto de investigação antropológica, estética e histórica, sem perder sua função original de prática viva. O Cambinda Brasileira segue ocupando papel central nesse processo, sendo referência constante na formação e inspiração de novos grupos, pesquisadores e artistas interessados em compreender a complexidade dessa manifestação cultural.
A celebração dos 108 anos integra o projeto ‘Maracatu Cambinda Brasileira Ciclo de Celebrações', aprovado no Funcultura Geral 2023/2024, na categoria de ações de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial. Com incentivo da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, o projeto reforça a importância das políticas públicas para a continuidade das culturas tradicionais. A programação conta com acessibilidade em Libras, ampliando o alcance e reafirmando o caráter público do evento.
Ainda dentro da agenda festiva da noite do sábado para o domingo, o terreiro do Maracatu Cambinda, reúne expressões que dialogam diretamente com o território da Zona da Mata Norte. Entre os convidados para a celebração, está o O Cavalo Marinho Boi Estrela, que traz para o palco da festa a força do brinquedo popular que mistura teatro, música e dança, recuperando personagens e narrativas ligadas ao universo canavieiro.
Outra atração que promete levantar poeira e colocar todo mundo para cantar e dançar, é o grupo cultural Os Ticuqueiros. Com uma discografia original e inspirada na vivência do povo da Mata Norte, apresenta uma linguagem musical contemporânea que nasce da tradição, transformando referências do campo e da cultura popular em som urbano sem romper com a raiz.
A festa abre espaço, ainda, para receber o Mestre Anderson Miguel, acompanhado da Ciranda Raiz da Mata Norte, representada por uma nova geração de mestres que atualiza a tradição sem descaracterizá-la, levando a ciranda e o maracatu para novos espaços e públicos.
Sobre o Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira| Fundado em 5 de janeiro de 1918, o grupo tem, em sua biografia, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco e Ponto de Cultura do Estado. Além disso, a agremiação carnavalesca, tem buscado atuar como espaço de registro, documentação, salvaguarda da cultura afro-brasileira oferecendo à comunidade que está inserida no território da Zona da Mata e do Estado, atividades formativas e culturais para brincantes e projetos que dialogam a proposta da Lei Cultura Viva.
Sobre a Terno da Mata Produções - Empresa responsável pela captação de recursos em editais de fomento à cultura e pelo acompanhamento da execução do projeto. A atuação da produtora envolve desde a elaboração técnica até o monitoramento das ações e a prestação de contas, em diálogo permanente com a diretoria do Maracatu Cambinda Brasileira. O modelo adotado prioriza a participação ativa do grupo nas decisões estratégicas e na articulação com empresas e entidades parceiras do Ponto de Cultura, contribuindo para a construção de um Ciclo de Celebrações contínuo e para o fortalecimento da sustentabilidade cultural do Cambinda.
Serviço
O quê: Maracatu Rural Cambinda Brasileira, Patrimônio Vivo de Pernambuco, celebra 108 anos em clima de Carnaval
Quando: Sábado, 10 de janeiro de 2026
Onde: sede do Maracatu Cambinda Brasileira, no Engenho Cumbe, Zona Rural de Nazaré da Mata
Horário: 20h
Mais informações: www.instagram.com/cambinda_brasileiraoficial

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