Elefante de Olinda: 74 anos de história, frevo e um hino que virou símbolo das ladeiras



Do biscuit levado por um grupo de amigos ao Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Elefante atravessa gerações mantendo uma das tradições mais queridas de Olinda

Há histórias de Carnaval que começam com grandes planos.


A do Elefante de Olinda começou simplesmente com uma brincadeira entre amigos.


No dia 12 de fevereiro de 1952, Alrivelto Lopes, Caio Gomes, Élcio Siqueira, Walter Damasceno, Claudio Nigro, Expedito e Marcone Felizola saíram da Rua do Bonfim em direção aos Quatro Cantos carregando um pequeno elefante feito de biscuit, uma espécie de massa de modelar.


A brincadeira ganhou força.


E o que parecia apenas uma diversão de Carnaval acabou se transformando em uma das agremiações mais importantes da história de Olinda.


O elefante que ganhou as ruas


No ano seguinte à sua criação, a recém-nascida troça já desfilava com estandarte.


Os primeiros uniformes foram emprestados pelo Bonfim Atlético Clube, instituição que já não existia, mas cujas cores acabaram sendo incorporadas à identidade do Elefante.


Assim nasceu a tradicional combinação de branco e encarnado, cores que até hoje ajudam a identificar a agremiação nas ladeiras.


Em 1968, a troça passou à categoria de clube.


Era mais um capítulo de uma trajetória que continuaria crescendo e ganhando importância dentro do Carnaval olindense.


Um hino que virou patrimônio afetivo


Se existe uma característica capaz de explicar a força do Elefante, ela está também na música.


O hino da agremiação tornou-se um dos grandes clássicos do Carnaval de Olinda e é cantado por foliões de diferentes gerações.


A própria Prefeitura de Olinda já definiu a composição como praticamente um hino do Carnaval da cidade.


A história da composição também tem um personagem especial: Cláudio Nigro, conhecido como Mirula, que pediu ao pai, Clídio Nigro, que fizesse um hino para o Elefante.


O resultado atravessou décadas e permanece associado à identidade da agremiação.


Patrimônio Vivo de Pernambuco


A importância do Elefante não se resume à festa.


Em 4 de dezembro de 2020, o Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda recebeu o reconhecimento de Patrimônio Vivo da cultura pernambucana.


A homenagem oficial reconheceu uma trajetória construída ao longo de décadas e a contribuição da agremiação para a preservação da cultura popular de Pernambuco.


É uma distinção que coloca o Elefante ao lado de outras grandes referências culturais do Estado.


Uma história feita por pessoas


Por trás de uma agremiação tradicional existem personagens que dedicaram boa parte da vida ao Carnaval.


Um dos nomes mais lembrados é João Trindade, o Seu João de Elefante, que morreu em agosto de 2025.


Segundo a Prefeitura de Olinda, ele dedicou mais de quatro décadas ao Carnaval e à cultura popular e permaneceu 33 anos como presidente do Elefante de Olinda. Sua trajetória se tornou parte inseparável da história recente da agremiação.


A história do Elefante também está ligada a artistas, músicos, porta-estandartes, passistas, dirigentes e foliões que, geração após geração, mantêm a tradição em movimento.


Presença nas grandes celebrações de Olinda


O Elefante continua ocupando espaço de destaque no calendário oficial da cidade.


Em 2024, por exemplo, a agremiação esteve entre os quatro Patrimônios Vivos que abriram oficialmente o Carnaval de Olinda, ao lado do Homem da Meia-Noite, Pitombeira dos Quatro Cantos e Cariri Olindense.


Já no Carnaval de 2026, o Elefante participou do cortejo que abriu a programação da Praça do Carmo, reunindo diversas manifestações da cultura popular.


E as prévias também costumam reservar espaço para a agremiação. Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Olinda incluiu o Elefante entre os grandes destaques do penúltimo fim de semana de prévias carnavalescas.


Mais do que um bloco


Chamar simplesmente de “bloco” não traduz toda a dimensão do Elefante.


Estamos falando de uma instituição cultural que nasceu de uma brincadeira, cresceu nas ruas, conquistou um hino, atravessou mudanças sociais e políticas e chegou ao século XXI reconhecida oficialmente como Patrimônio Vivo.


É justamente essa trajetória que faz o Elefante ocupar um lugar especial no Carnaval pernambucano.


Ele não representa apenas uma festa.


Representa memória.


Representa identidade.


Representa a capacidade que a cultura popular tem de sobreviver quando uma comunidade decide continuar contando sua própria história.


E o Carnaval 2027?


O Acontece Santyago vai acompanhar o Elefante de Olinda durante o ciclo carnavalesco de 2027.


Neste momento, não vamos publicar datas, horários ou percursos como definitivos sem confirmação oficial.


A proposta é atualizar esta matéria conforme forem divulgados:


- ensaios;

- prévias;

- aniversários;

- eventos especiais;

- homenagens;

- concentração;

- percurso;

- horário de saída;

- programação oficial do Carnaval 2027.


Assim, esta matéria poderá se transformar em um verdadeiro guia do Elefante de Olinda para o Carnaval 2027, reunindo história e serviço em um só lugar.


Elefante de Olinda — ficha


Nome: Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda

Fundação: 12 de fevereiro de 1952

Origem: Rua do Bonfim, Olinda

Primeiro desfile: 1952

Passagem de troça para clube: 1968

Cores tradicionais: branco e encarnado

Patrimônio Vivo de Pernambuco: reconhecido em 2020

Cidade: Olinda — Pernambuco

Carnaval 2027: programação a confirmar oficialmente


A terceira parada da nossa viagem pelo Carnaval


Depois do Homem da Meia-Noite e da Mulher do Dia, chegamos ao Elefante.


Três personagens diferentes.


Três histórias.


E uma mesma certeza: o Carnaval de Olinda não pode ser contado apenas pelos grandes shows e pela multidão que toma as ladeiras. Ele precisa ser contado pelas agremiações que construíram essa festa muito antes de ela se transformar em um dos maiores símbolos culturais do Brasil.


O Acontece Santyago continua essa viagem.


A próxima história já está esperando nas ladeiras.


Acompanhe a série “50 Agremiações para Acompanhar nas Prévias — Carnaval 2027”.


Acontece Santyago — Cultura é a nossa maior folia!

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