ABERTO SOLO inaugura novo espaço para artes visuais no Teatro Cultura Artística
A plataforma ABERTO lança a ABERTO Solo, iniciativa dedicada à realização de exposições individuais concebidas a partir do diálogo entre artistas contemporâneos e espaços singulares da cidade. Sua primeira edição acontece em parceria com o Cultura Artística e marca a inauguração da nova área expositiva da instituição, localizada no primeiro andar do edifício.
Em cartaz entre 15 de agosto e 27 de setembro, “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite”, de Luísa Matsushita, inaugura simultaneamente o programa e o novo espaço. Previsto no projeto original concebido por Rino Levi na década de 1950, o ambiente ganha vida mais de 70 anos depois de sua criação, ampliando a atuação do Cultura Artística e incorporando de forma permanente as artes visuais à sua programação.
A inauguração concretiza uma vocação histórica do edifício. Desde sua origem, o projeto de Rino Levi propunha a integração entre arquitetura, arte e vida cultural, entendendo as artes plásticas como elemento constitutivo da experiência do público. A ativação dessa área resgata e atualiza essa visão, estabelecendo um diálogo entre o patrimônio modernista e a produção artística contemporânea.
“Com ABERTO SOLO, inauguramos um novo capítulo da plataforma. Enquanto as edições principais reúnem diversos artistas em diálogo com arquiteturas de grande relevância, este formato nos permite aprofundar a pesquisa e o universo de um único artista”, explica Filipe Assis, idealizador e diretor geral da ABERTO.
Conhecida internacionalmente como Lovefoxxx, vocalista da banda Cansei de Ser Sexy (CSS), Luísa Matsushita apresenta um conjunto de pinturas inéditas produzidas especialmente para o Cultura Artística. As obras partem de suas memórias afetivas do centro de São Paulo e da intensa vida noturna do Baixo Augusta, região onde viveu no início de sua trajetória artística.
Foi justamente na Rua Augusta, onde acompanhou de perto o renascimento da cena noturna paulistana nos anos 2000, que Matsushita reuniu o repertório de imagens que hoje viram pintura. "Os ritmos dos notívagos, a vida no clube, suas personagens e suas descontinuidades são traduzidos para uma linguagem pictórica abstrata", descreve o crítico Rodrigo Moura, autor do texto que acompanha a mostra, sobre obras com títulos como Antes da noite e Fila do baile.
Além do conjunto de obras da mostra, a artista criará uma instalação site-specific de 15 metros de largura para o saguão principal do Teatro, expandindo a ocupação para além da sala expositiva e estabelecendo um diálogo direto com a arquitetura do edifício. A intervenção reforça a proposta da ABERTO SOLO de desenvolver projetos concebidos em estreita relação com os espaços que os recebem.
As telas são construídas por camadas sucessivas de tinta a óleo, aplicadas lentamente até que os campos de cor se encostem sem nunca se misturar — uma economia de meios que, na leitura do crítico Rodrigo Moura, aproxima o trabalho de uma linhagem da abstração brasileira que passa por Cícero Dias, Roberto Burle Marx, Lygia Clark e Ernesto Neto. Para Moura, o controle preciso dessas variáveis formais, somado aos títulos hiper-sugestivos das obras, faz de Matsushita "uma voz fresca entre os pintores de sua geração que optaram pela abstração".
Ao ocupar a nova área expositiva do Cultura Artística, a mostra estabelece conexões entre memória, cidade e experiência urbana. Ao mesmo tempo, inaugura um programa que pretende aproximar artistas contemporâneos de arquiteturas e contextos carregados de história, ampliando as formas de encontro entre arte e público.
A abertura marca um novo capítulo na trajetória do Cultura Artística, reconstruído e reinaugurado após o incêndio de 2008, e reforça sua vocação como um espaço aberto à cidade, conectado à produção contemporânea e à intensa circulação cultural de seu entorno.
A iniciativa também reativa uma dimensão histórica da instituição, cuja identidade visual é marcada pelo painel Alegoria das Artes, de Di Cavalcanti — o maior já realizado pelo artista. Ao inaugurar sua frente dedicada às artes visuais em parceria com a ABERTO, o Teatro amplia seu papel como ponto de encontro entre patrimônio, arte contemporânea e cidade, reafirmando sua vocação para o diálogo entre diferentes linguagens artísticas.
Um detalhe guardado a sete chaves até pouco antes da abertura: na instalação do foyer, a artista escondeu uma mensagem secreta que só aparece no reflexo do chão. Como ela mesma contou ao crítico Rodrigo Moura, autor do texto que acompanha a exposição, está escrito ali um simples "Você veio".
Exposição dá origem a colaborações inéditas
A primeira edição da ABERTO Solo também reúne iniciativas desenvolvidas em parceria com marcas que compartilham o interesse pelo diálogo entre arte, design e criatividade. As colaborações expandem a pesquisa de Luísa Matsushita para diferentes suportes, aproximando sua produção de tradições artesanais e do universo da joalheria.
Em parceria com a Bordallo Pinheiro, a artista apresenta Memória de Planta, obra que revisita um dos símbolos mais emblemáticos da marca: a folha de couve. Desenvolvida a partir de residências artísticas promovidas na Fábrica de Faianças em Caldas da Rainha, Portugal, a peça propõe uma leitura contemporânea desse ícone. “A couve é um símbolo da Bordallo Pinheiro e eu quis retrabalhar esse ícone a partir de uma visão contemporânea. Se você se permitir olhar, dá para ver todo um universo dentro delas, como os afluentes desaguando em um rio, como veias de um corpo”, afirma a artista.
A pesquisa de Matsushita também inspira uma colaboração inédita com a HStern. A partir da pintura Hambagu (2023), a joalheria desenvolveu uma pulseira que transpõe para a escala do corpo as formas e relações cromáticas presentes na obra. Produzidas em Prata de Lei e composta por rubis, esmeraldas e safiras azuis e amarelas, a joia traduz o universo visual da artista e reafirma o diálogo entre a arte contemporânea, design e alta joalheria.
Sobre a ABERTO
Fundada por Filipe Assis, a ABERTO é uma plataforma expositiva dedicada à arte e ao design brasileiros em diálogo com arquiteturas emblemáticas. Desde 2022, realizou exposições em casas modernistas assinadas por arquitetos como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, além de ocupar espaços ligados aos legados de Tomie Ohtake e Chu Ming Silveira. Em 2025, a plataforma realizou sua primeira edição internacional na Maison La Roche, projetada por Le Corbusier, em Paris, registrando o maior público desde a abertura da casa à visitação, em 1968. Em 2026, apresentou uma edição especial na Casa Bola, de Eduardo Longo, e lançou o projeto ABERTO RUA, dedicado a intervenções artísticas no espaço urbano.
Sobre o Cultura Artística
Fundado em 1912, o Cultura Artística é um espaço dedicado à música e à formação de público, reconhecido por sua atuação na difusão de repertórios e na construção de experiências musicais relevantes. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um dos principais palcos do país, reunindo artistas nacionais e internacionais. Reaberto em agosto de 2024, o teatro reafirma sua vocação ao mesmo tempo em que amplia sua programação, incorporando novas frentes e linguagens.
Saiba mais em: https://culturaartistica.org
Sobre a artista: Luísa Matsushita desenvolve uma pintura marcada por composições vibrantes, nas quais cor, gesto e humor transformam elementos cotidianos em formas autônomas e singulares. Sua pesquisa explora as relações entre campos tonais e a capacidade da pintura de criar espaços íntimos, imaginários e afetivos.
Artista visual, musicista e autodidata, vive e trabalha em São Paulo. Cofundadora da banda Cansei de Ser Sexy, também foi conhecida internacionalmente como Lovefoxxx, construindo uma trajetória na música antes de direcionar sua atuação para as artes visuais. Paralelamente, aprofundou pesquisas em sustentabilidade, bioconstrução e agroecologia.
Desde 2013, desenvolve sua prática pictórica e realizou exposições individuais como Se não for pra chorar, eu nem saio de casa (Galeria Luisa Strina, São Paulo, 2023), ELA (Galerie L'Amazonie, Manaus, 2015) e Animal (Percy Gallery, Oakland, EUA, 2014). Em 2015, participou da residência artística Igarapé do Mariano, em Manaus, ampliando sua investigação sobre meio ambiente e natureza. Atualmente é representada pela galeria Mazzucchelli Cardoso.
Serviço
ABERTO SOLO - Tudo que eu sei, eu aprendi à noite, de Luísa Matsushita
Abertura: 15 de agosto, a partir das 13h
Período expositivo: até 27 de setembro
Cultura Artística - R. Nestor Pestana, 196, Consolação, São Paulo, SP
Tel.: +55 11 3256 0223
Grátis
Horários
Quarta a sexta, das 12h às 20h;
Sábados, das 10h às 20h;
Domingos, das 10h às 18h.
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