Dia do Patrimônio Histórico chama atenção para a importância de preservar a memória do transporte brasileiro



O dia 17 de agosto marca a celebração do Dia do Patrimônio Histórico e chama atenção para a necessidade de preservar não apenas edifícios, monumentos e documentos, mas também os bens ligados à evolução dos transportes no Brasil.
Bondes, locomotivas, trilhos, estações, estradas, portos, embarcações, maquinários e registros históricos ajudam a revelar como os diferentes modais transformaram cidades, aproximaram regiões e acompanharam mudanças econômicas e sociais ao longo do tempo.

 


Com a missão de preservar e divulgar a história e a cultura dos transportes brasileiros, a Fundação Memória do Transporte (FuMTran) iniciou, em 2018, a estruturação de um banco de dados e de um museu virtual, posteriormente disponibilizados por meio do Portal Memória do Transporte. O projeto reuniu curadores com experiência nos principais modais, desenvolveu uma metodologia própria de catalogação e passou a utilizar o software Sophia Acervo para organizar os materiais. Atualmente, cerca de 20 mil objetos estão identificados e catalogados, entre fotografias, livros, publicações, artigos, entrevistas, depoimentos, documentários, vídeos e exposições.

 


A entidade destaca que a preservação desses registros ajuda a compreender não apenas a trajetória dos diferentes modais, mas também a influência dos transportes na formação das cidades e no desenvolvimento do país. “Quando você sabe de onde vem, começa a descobrir para onde vai. Preservar essa memória é fundamental para compreender como os transportes ajudaram a estruturar cidades e regiões metropolitanas, conectaram pessoas e impulsionaram o desenvolvimento econômico e social. Além de proteger um patrimônio cultural, esse conhecimento oferece referências importantes para planejar os sistemas do futuro”, afirma Antonio Luiz Leite, presidente da fundação.

 


A conservação desse patrimônio permite compreender desde a expansão das ferrovias e das redes de transporte urbano até o desenvolvimento das rodovias, da aviação e da navegação no país. Essa dimensão pode ser observada em espaços como o Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, em São Paulo, que preserva sete veículos históricos, cerca de 1.500 fotografias e 1.500 livros, além de documentos, objetos e equipamentos ligados à mobilidade urbana. Mais do que peças isoladas, esses bens registram técnicas de engenharia, relações de trabalho, modos de vida e soluções criadas em diferentes períodos para atender às necessidades de deslocamento, abastecimento e circulação de mercadorias.

 


Entre os principais desafios para a preservação desses registros estão a deterioração provocada pelo tempo, o abandono de estruturas e acervos, a escassez de recursos financeiros e a ausência de políticas de conservação. Na avaliação da FuMTran, ampliar a conscientização de empresas, entidades, dirigentes e da sociedade é fundamental para impedir que documentos, fotografias, veículos e equipamentos desapareçam antes que sua relevância histórica seja reconhecida. Nesse contexto, o apoio de diferentes agentes do setor torna-se essencial: “Os avanços conquistados pela fundação foram possíveis graças ao incentivo de empresas, ao apoio de entidades do setor e ao reconhecimento dos nossos projetos culturais”, destaca Leite.

 


Ao disponibilizar esse patrimônio ao público, a pesquisadores e às novas gerações, a instituição busca estimular estudos e ampliar o conhecimento sobre a influência dos transportes na integração territorial e no desenvolvimento econômico e social do país. “Tornar essa memória acessível é uma maneira de preservar conhecimentos, valorizar aqueles que construíram a história do setor e oferecer à sociedade instrumentos para compreender melhor as transformações do Brasil”, ressalta o presidente da Fundação. É nessa conexão entre o que foi construído no passado e os caminhos que ainda precisam ser percorridos que o patrimônio dos transportes mantém sua relevância.


 


 


Sobre a FuMTran – Fundação Memória do Transporte

 


A FuMTran – Fundação Memória do Transporte nasceu em março de 1996, instituída pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), com a missão de preservar e divulgar a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em todas as modalidades. Seus objetivos envolvem organizar, preservar e tornar acessíveis os registros históricos da atividade dos transportes. A entidade tem, ainda, a missão de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico-cultural do Brasil por meio da conservação da memória e da cultura do transporte brasileiro em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário –, seja de carga ou de passageiros, mais a infraestrutura e a logística, tornando-os acessíveis à população. O projeto de memória, acervo e portal é perene, um processo contínuo, um trabalho sem fim.

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