Banco Central corta Selic para 14% ao ano e reacende debate sobre juros na construção civil



Corte de 0,25 ponto percentual leva taxa básica de juros ao menor patamar desde março de 2025, mas setor da construção civil ainda sente peso do crédito caro e do custo elevado da obra

O Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP) avalia como positiva a redução de 0,25 ponto percentual promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (05/08), que levou a Taxa Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. Trata-se da quarta baixa seguida na taxa básica de juros, um passo relevante para a economia, mas que, segundo a entidade, ainda não é capaz de destravar de forma consistente o crédito e os investimentos no país.


Para o Sinduscon-JP, o movimento representa um avanço, mas o Brasil segue com um patamar de juros que restringe o crescimento de setores estratégicos, caso da construção civil.A decisão já era esperada pelo mercado e não veio acompanhada de sinalização sobre novos cortes: o Banco Central adotou os termos "serenidade e cautela" para o horizonte da Selic, diante da incerteza inflacionária externa e interna.


Como explica Werton Oliveira, economista do Sinduscon-JP: " É um movimento importante, mas que ainda não é suficiente para estimular de forma mais consistente o crédito e os investimentos. O Banco Central segue bastante cauteloso, o que mostra que ainda não está confortável com o patamar atual da inflação para um recuo maior".


O ritmo conservador de cortes tem relação direta com a inflação: o IPCA acumulado em 12 meses fechou junho em 4,64%, ainda distante do centro da meta. Ao mesmo tempo, o custo da construção segue pressionado — o INCC acumula alta de 6,40% em 12 meses, puxado por materiais, mão de obra e pelo capital de giro que financia a obra até a entrega, este último diretamente sensível à Selic. O resultado é uma compressão de margens que pode levar construtoras a repassar custos ao preço final ou reduzir a velocidade de vendas.


Como destaca Ozaes Mangueira Filho, presidente do Sinduscon-JP: "Entendemos que essa decisão do Copom é positiva, mas o país ainda convive com um nível de juros que limita o crescimento de setores estratégicos, como a construção civil. Precisamos de uma trajetória mais consistente de queda da Selic para destravar o crédito e os investimentos no setor aqui na Paraíba, gerando emprego, renda e novos empreendimentos para João Pessoa e todo o estado", afirma.


Para o Sinduscon-JP, o cenário ideal passa por uma trajetória de corte mais previsível ao longo de 2026, a chegada da Selic a um patamar de um dígito no horizonte de 12 a 18 meses e um controle da inflação que não sacrifique as condições especiais de crédito habitacional, como SBPE, FGTS e Minha Casa Minha Vida.

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