Abissal busca cura e renovação na nova música 'Floresta'
Floresta
A Abissal lança pela Casalago Records, Floresta, segundo single de Flashes, próximo EP da banda de Jundiaí (SP). Produzida por Gui Godoy, a faixa conduz a sonoridade do quarteto por guitarras limpas, texturas dinâmicas e uma base rítmica que avança sem perder a leveza.
Curta e direta, “Floresta” apresenta uma face mais solar da Abissal. A referência de In Rainbows, do Radiohead, aparece na combinação entre timbres quentes, sobreposições discretas e uma construção rítmica que foge da condução linear.
O resultado mantém elementos do rock alternativo e do post-rock presentes nos trabalhos anteriores, agora aproximados de uma escrita mais concisa e acessível.
A sensação de movimento atravessa toda a música. Baixo e bateria sustentam um andamento “para a frente”, enquanto as guitarras abrem espaços e alternam intensidade ao redor da voz.
Em vez de caminhar para uma grande explosão instrumental, como ocorria em “Ametista”, a composição preserva a fluidez e encontra força no groove.
A letra parte da ideia de um banho de floresta, prática associada à permanência consciente em ambientes naturais. Na canção, essa imersão surge como caminho para a cura, a renovação e a passagem entre diferentes momentos da vida.
Os versos “O vento sopra / O virar da era” condensam essa transição em uma imagem simples, sem transformar a experiência em uma narrativa fechada.
Esse movimento também dialoga com a fase atual da Abissal. Depois de um período de amadurecimento artístico e reestruturação profissional, a banda passou a trabalhar com maior atenção à dinâmica, aos arranjos e às possibilidades de contraste dentro das músicas. “Floresta” traduz essa mudança por meio de uma composição mais luminosa, sem romper com a densidade construída nos lançamentos anteriores.
De “Sutra” a Flashes
Formada por Murilo Ferragut na voz e guitarra, Bruno Cavalcanti no baixo, Dan na guitarra e Uncas na bateria, a Abissal desenvolveu sua identidade a partir do rock alternativo e do grunge dos anos 1990. Nos trabalhos recentes, o quarteto ampliou esse repertório com elementos de dream pop, indie e post-rock.
A mudança ganhou forma em março com Sutra, EP de cinco faixas lançado pela Casalago Records. O trabalho percorre temas como espiritualidade, autoconhecimento, elaboração de traumas e catarse, alternando guitarras densas, passagens contemplativas e construções instrumentais expansivas.
Composto por “Sutra”, “Ouroboros”, “Meu Templo”, “O Caminho” e “Miracéu”, o EP estabeleceu uma linguagem mais atmosférica para a banda. A produção de Gui Godoy teve papel central nesse processo, especialmente na experimentação com timbres, na pré-produção dos arranjos e no equilíbrio entre peso e silêncio.
Lançada em junho, “Ametista” abriu o ciclo de Flashes. A faixa transforma lembranças em dissolução em uma progressão que começa contida, ganha novas camadas e desemboca em um final instrumental de maior carga emocional. Se Sutra olhava para a espiritualidade e para a elaboração de conflitos internos, o novo EP se concentra na maneira fragmentada como as memórias reaparecem.
“Floresta” amplia esse conceito ao tratar a passagem do tempo pelo campo da renovação. Dentro de Flashes, a música ocupa um espaço mais rítmico e luminoso, mostrando que o novo repertório da Abissal também pode encontrar profundidade em estruturas enxutas, melodias abertas e movimentos de energia.
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