Ator e diretor nascido na Zona Oeste do Rio representa o Brasil em festival internacional de artes cênicas no México



Crédito das Fotos: Gabriel Diogo

Fundador do Coletivo Agô, Fabiano de Paula leva ao México o espetáculo "Axé", premiado em festivais nacionais, e ministra oficina sobre afro-brasilidade nas artes cênicas

O ator, diretor, dramaturgo e produtor cultural Fabiano de Paula, de 32 anos, foi convidado para representar o Brasil no Ciclo Voces y Visiones de las Artes Escénicas en América, festival internacional que acontece entre os dias 5 e 9 de agosto, no México. Integrando a comitiva organizada pela Ao Quadrado Produções, o artista apresentará o espetáculo "Axé", obra de sua autoria que aborda racismo religioso, maternidade e resistência a partir das religiões de matriz africana.


Além da apresentação da cena, Fabiano ministrará uma oficina baseada nos processos de criação de Axé, compartilhando metodologias desenvolvidas durante a pesquisa do espetáculo e propondo reflexões sobre a presença da cultura afro-brasileira nas artes cênicas contemporâneas. O artista também participará de mesas de debate sobre arte, cultura e políticas públicas ao lado de representantes de diversos países da América Latina.


Nascido e criado na comunidade Asa Branca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Fabiano construiu sua trajetória artística a partir do teatro. Hoje, após 14 anos de atuação na cultura, acumula 11 prêmios e mais de 20 indicações em festivais, consolidando-se como um dos jovens dramaturgos da nova cena carioca.


Formado pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna, Fabiano também é estudante de Artes Visuais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atualmente aprofunda sua formação como ator para audiovisual, buscando ampliar sua atuação para cinema e televisão.


Como fundador do Coletivo Agô, dirigiu sete trabalhos teatrais, sendo quatro produções do grupo, duas delas premiadas em importantes festivais brasileiros. Em 2024 conquistou o prêmio de Melhor Texto Original do FESTU com Axé. Já em 2025, a obra percorreu diversos festivais nacionais e recebeu quatro premiações, consolidando-se como um dos trabalhos de maior destaque da companhia.


Ao longo de sua trajetória, Fabiano também assinou dramaturgia, direção e produção de Melro, espetáculo vencedor de quatro categorias no FESTU, incluindo Melhor Texto Original. Entre seus trabalhos como ator destacam-se montagens de clássicos como Medeia, de Eurípides, e Antígona, de Sófocles.


Um espetáculo inspirado em histórias reais

Inspirado em um caso ocorrido em Araçatuba (SP), Axé acompanha Patrícia, uma mãe que enfrenta uma batalha judicial após iniciar sua filha no candomblé. O espetáculo utiliza essa narrativa para discutir intolerância religiosa, racismo estrutural e maternidade, colocando mulheres negras no centro da cena.


A dramaturgia também nasce de uma memória pessoal do autor.


"Quando escrevi este texto, lembrei muito da minha mãe. Durante uma discussão entre meus pais, ouvi meu pai dizer que, se um dia ela levasse a gente para a macumba, ele nos levaria para morar com ele. Na época, essa frase passou despercebida, mas voltou muitos anos depois durante o processo de criação da peça. Todo o esforço que minha mãe fez para criar nossa família está presente na dramaturgia. Não sei se esse texto foi escrito para ela, mas tenho certeza de que aquela lembrança transformou a forma como eu olhava para essa história."


Para Fabiano, a participação no festival representa também uma conquista coletiva.


"Ser convidado para representar o Brasil em um festival internacional com um trabalho que eu escrevi e dirigi é algo que ainda parece difícil de acreditar. Venho de uma realidade muito humilde, onde muitas vezes as pessoas não conseguem imaginar outros futuros além daqueles que lhes foram apresentados. Poder atravessar essa barreira e levar minha arte para outro país mostra que esse caminho é possível. Espero que minha trajetória faça outras pessoas da comunidade Asa Branca acreditarem que elas também podem sonhar."


Embora hoje atue intensamente como produtor cultural, Fabiano afirma que vive um momento de retorno à atuação.


"Produzo projetos desde 2021, mas senti saudades do palco, da construção dos personagens e daquele frio na barriga antes de entrar em cena. O ator nunca para de estudar. Estou retomando minha pesquisa como intérprete e também estudando televisão e cinema porque quero ampliar minha atuação para o audiovisual."


Sobre Fabiano de Paula

Fabiano de Paula é ator, diretor, dramaturgo, produtor cultural e artista visual. Registrado pelo SATED/RJ, é formado pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna e estudante de Artes Visuais da UERJ.


Ao longo de 14 anos de carreira recebeu 11 prêmios e mais de 20 indicações em festivais. É fundador do Coletivo Agô e integra a Ao Quadrado Produções, ao lado de Ândrea Cordeiro e Alex Martins

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