Documentário "quando a gente vira um -- um filme sobre o mestre ambrósio" estreia no festival in-edit brasil 2026



Há momentos em que a música deixa de ser apenas som e se torna experiência coletiva, nascida do encontro entre forças distintas. É desse diálogo entre terreiro e palco, tradição e invenção, que nasce “Quando a Gente Vira Um – Um Filme Sobre o Mestre Ambrósio”.
Dirigido por Cláudia Dias Perez e Shinji Shiozaki, e produzido pelo Sesc São Paulo, o longa tem estreia mundial prevista para junho no In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical 2026. A produção revisita a trajetória da banda pernambucana


Mestre Ambrósio, uma das formações mais influentes da música brasileira dos anos 1990, reunindo imagens de arquivo inéditas, entrevistas exclusivas e o registro do reencontro do grupo em um show realizado 18 anos após seu fim.



A narrativa retorna ao Recife do fim do século XX, marcado pela efervescência cultural que projetou o manguebeat, para acompanhar o momento em que Siba, Eder “O” Rocha, Helder Vasconcelos, Mauricio Bader, Mazinho Lima e Sérgio Cassiano se aproximam da cultura popular da Zona da Mata Norte não como pesquisa folclórica, mas como escolha artística e existencial. “Eu me deparei com uma cultura muito viva, muito intensa, e o maracatu me sugou completamente desde o primeiro momento”, afirma Siba.



A imersão no maracatu rural, no cavalo-marinho e em outras matrizes pernambucanas não se deu por citação estética. “Eu consegui fazer uma inversão desse lugar do pesquisador que vai colher matéria-prima. Eu percebi rapidamente que ali tinha um lugar que se justificava por si”, completa o músico. A tradição, para o grupo, não era ornamento, era base de criação.



Em diálogo com o manguebeat — associado a nomes como Chico Science & Nação Zumbi — o Mestre Ambrósio ocupou um lugar singular. Se o movimento explicitava a metáfora da lama conectada ao mundo, a banda aprofundava a escuta das manifestações populares como linguagem contemporânea.



No documentário, a cineasta e apresentadora Marina Person observa que “Mestre Ambrósio fazia uma música muito tradicional, mas misturava com sons mais contemporâneos. Tinha algo que não era puramente aquela tradição. Por isso que era tão interessante”. A rabeca, até então periférica no mercado fonográfico, assumia protagonismo sem exotização, integrada a uma sonoridade que articulava passado e presente.



A força dessa proposta se consolidou também na convivência direta com mestres da Zona da Mata e na experiência coletiva construída ao longo dos anos. Para Lenine, cantor e compositor pernambucano que produziu o primeiro disco da banda, “O que eles faziam era profundamente brasileiro e, ao mesmo tempo, absolutamente universal”. Ao assumir o próprio território, o grupo ampliou seus horizontes e aproximou o local do mundo.



Eder “O” Rocha resume essa postura: “A gente foi muito de viver as coisas, é a coisa que a gente aprendeu com a tradição”. No palco, o que se via era resultado dessa vivência. Não se tratava apenas da representação de um repertório, mas da continuidade de uma prática cultural incorporada.



Mais do que recuperar discos e turnês internacionais, “Quando a Gente Vira Um” propõe uma leitura do impacto do Mestre Ambrósio na música brasileira contemporânea. Ao afirmar a cultura popular como linguagem atual e protagonista, o grupo ajudou a redefinir a percepção da produção pernambucana dentro e fora do país.


O filme reinscreve essa trajetória na história recente da música brasileira, destacando um conjunto que transformou experiência coletiva em criação duradoura.


 


SERVIÇO 


QUANDO A GENTE VIRA UM – UM FILME SOBRE O MESTRE AMBRÓSIO 

Direção: Cláudia Dias Perez e Shinji Shiozaki

Brasil | 2026 | 89 min | Documentário | Livre


Estreia mundial: In-Edit Brasil 2026

Datas, horários e salas serão divulgados pela organização do festival.


 

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SESC SÃO PAULO 

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