Alta estação chega e reforça ciclo de crescimento econômico em Bananeiras
Conhecida pelo clima frio, gastronomia e calendário cultural, Bananeiras passou a ocupar uma posição de destaque entre os destinos turísticos de inverno do Nordeste, e o São João é o ponto alto desse momento. O impacto econômico da alta estação já é percebido em praticamente todos os setores ligados ao turismo e aos serviços.
Segundo a secretária de Turismo de Bananeiras, Karina de Leon, a cidade vive hoje um processo de fortalecimento como destino turístico permanente, e não apenas sazonal. “A alta estação cria uma vitrine para o município. Muitos turistas visitam Bananeiras pela primeira vez durante o São João ou no inverno e depois retornam em períodos mais tranquilos, movimentando o turismo o ano inteiro”, afirma.
Os números ajudam a contar essa história. Dados do Índice de Progresso Social (IPS Brasil) mostram que o PIB per capita de Bananeiras saltou para R$ 15.371,67 em 2026, um crescimento de 27% em comparação com 2024. Esse percentual é o quinto maior registrado entre os municípios do Brejo paraibano, região que concentra o maior número de cidades da Paraíba.
Só nos quatro primeiros meses de 2026 foram abertas 84 novas empresas em Bananeiras, um crescimento de 40% em comparação ao mesmo período de 2024. Diferentemente do que se observa na grande maioria dos municípios brasileiros, em Bananeiras a predominância das pequenas empresas ativas na cidade é relacionada a gastronomia, como restaurantes, lanchonetes e mercados de produtos alimentícios.
Os efeitos desse avanço econômico ficam mais evidentes para moradores, comerciantes, investidores e visitantes quando a cidade se decora com os temas juninos. Neste ano, o São João de Bananeiras será realizado em uma arena coberta, novidade que amplia a estrutura do evento. A programação reúne nomes como Luan Santana, Bruno & Marrone, Xand Avião e Leonardo.
Segundo a secretária de Turismo, o município tem ampliado investimentos em estrutura, mobilidade, segurança e qualificação do setor turístico para absorver o aumento no número de visitantes. “O diferencial de Bananeiras é unir clima serrano, cultura nordestina, gastronomia e turismo de experiência em um ambiente acolhedor e sofisticado ao mesmo tempo”, diz.
Da visita ao investimento
Um dos reflexos mais visíveis desse movimento está no mercado imobiliário. O aumento da procura por imóveis de segunda residência, casas de temporada e empreendimentos voltados ao lazer transformou o setor em uma das áreas mais aquecidas da economia local.
Um dos exemplos mais visíveis está no alto de uma serra, a cerca de 500 metros do Centro Histórico de Bananeiras. O Eco Natureza, empreendimento da Eco Construtora, está investindo R$ 42 milhões em um projeto que deverá gerar aproximadamente 100 empregos diretos durante sua execução e outros 300 postos de trabalho indiretos ligados à cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.
Com características inspiradas em resorts de campo, o empreendimento aposta em um modelo ainda pouco explorado em Bananeiras. Serão unidades entre 33m² e 70m², em um formato diferente dos tradicionais condomínios horizontais predominantes na região, onde é necessário fazer um alto investimento na compra de um lote e construção de uma casa.
O projeto combina características associadas às propriedades rurais com soluções típicas de empreendimentos urbanos contemporâneos. O Eco Natureza está sendo erguido onde antes funcionava a tradicional AABB da cidade, um terreno de 10 mil metros quadrados e 4,5 mil metros quadrados de área verde.
"O Eco Natureza vai além de um empreendimento. É um agente de desenvolvimento local, que gera oportunidades desde o canteiro de obras até a mesa do corretor", afirma Pedro César, sócio da Eco Construtora. Localizado entre a Estação Bananeiras e o Túnel da Serra da Viração, dois dos principais cartões-postais da cidade, o empreendimento simboliza uma nova fase do mercado imobiliário local.
A empresa instalou um stand de vendas em Bananeiras durante o período de alta estação, apostando no aumento da circulação de turistas e investidores interessados em imóveis voltados ao turismo de experiência.
Para o corretor de imóveis Mauriberto Duarte, a alta estação continua sendo um dos períodos mais importantes para a economia do município, mas seus efeitos são prolongados e já não se limitam aos meses de inverno. "O verdadeiro ganho estrutural acontece quando a cidade consegue converter visitantes ocasionais em fluxo turístico permanente e investimentos recorrentes", avalia.
Segundo ele, os eventos realizados ao longo do ano vêm ajudando Bananeiras a construir uma presença mais constante no mercado turístico regional. "Hoje o efeito não é totalmente sazonal. Bananeiras conseguiu estruturar um calendário que atrai público praticamente o ano inteiro. Isso fortalece a marca da cidade e gera benefícios que vão além dos períodos de maior movimento", afirma.
Consumo e renda em alta estação
Para a empresária Alana Barreto, coordenadora do Núcleo do Brejo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), esse movimento altera significativamente o perfil de consumo dos visitantes. "No comércio existe aumento na procura por roupas de frio, alimentos mais adequados ao clima da estação e bebidas como vinhos e cachaças. Esse movimento acaba gerando empregos temporários e ampliando a circulação de renda na cidade", afirma.
Segundo ela, os estabelecimentos vêm investindo cada vez mais na experiência oferecida aos clientes. Restaurantes adaptam cardápios, ampliam cartas de vinhos e reforçam equipes. Já o comércio ajusta estoques e horários de funcionamento para acompanhar o crescimento da demanda. "O turismo é o coração financeiro de cidades com o perfil de Bananeiras. Os recursos trazidos pelos visitantes circulam entre trabalhadores, fornecedores, produtores e pequenos negócios locais, criando um ambiente favorável para novos investimentos", afirma.
Para Karina de Leon, os efeitos desse crescimento ultrapassam os limites do município. "Bananeiras acaba irradiando benefícios para cidades vizinhas do Brejo paraibano, fortalecendo o turismo integrado da região", conclui.
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