Publicação propõe reflexão cultural, histórica e sensorial sobre o beber brasileiro



Com apoio do Edital Fermenta, da Ambev, a zine "Na Língua" reúne vozes de norte a sul do Brasil para refletirem sobre memória, território, ancestralidade, gosto e identidade

No momento em que a brasilidade ganha projeção mundial nas artes, design, moda e gastronomia, a fanzine “Na Língua” volta o olhar para o Brasil que também se expressa nos copos. Nesta primeira safra, as idealizadoras Aline Smaniotto e Bia Amorim, reúnem um time multidisciplinar para provocar o leitor a pensar sobre a construção do paladar, em um projeto que aproxima antropologia e hospitalidade.


“Na Língua é este lugar onde pudemos criar, friccionar experiências e conceitos, em um formato que nos permitiu outras formas de olhar para esse universo das bebidas e que não cabia em apenas um gole. A zine veio para trazer essa multiplicidade, para instigar mais bebericagens sobre os Brasis que habitamos.” comenta Aline Smaniotto


A publicação é uma produção da BeberÚ - agência do beber brasileiro, que se dedica à valorização da gastronomia das bebidas nacionais por meio de pesquisa, curadoria e criação de conteúdos e está disponível gratuitamente em https://www.beberu.com.br.


A iniciativa nasceu como um desdobramento de um dos projetos da BeberÚ, o curso Sommelieria Pindorama, que foi ministrado pela primeira vez em 2023 com o objetivo de estudar o paladar, as bebidas e sua relação com o Brasil ou, como destacam as autoras, os Brasis. A ideia amadureceu para o formato de fanzine, que reflete a liberdade editorial e a multiplicidade de vozes que trazem novas perspectivas e, por vezes, suscitam dúvidas onde havia certeza.


“Partimos do olhar da sommelieria brasileira e, ao nos perguntarmos o que é o Brasil, o que é beber o Brasil e como beber esses Brasis, percebemos que tínhamos mais perguntas do que respostas. A zine nasce justamente dessa vontade de compartilhar essas inquietações com quem trabalha, serve e bebe” comenta Bia Amorim.


A dimensão visual é parte essencial da proposta. Com projeto gráfico do Cafecoado Estúdio, ilustração de capa de Pedro Cancelliero, diagramação de Octávio Augusto, da Além do Quê e revisão de Gabriela Lando, a “Na Língua” assume a linguagem livre de fanzine para combinar ensaio, imagem, colagem, fotografia, charge, entrevistas, cartas e linha do tempo.


A edição reúne contribuições de autoras, autores e artistas de diferentes regiões do país. Aline Smaniotto abre a publicação com “Brasilidade também se fermenta”, enquanto Raquel Tupinambá apresenta o tarubá a partir da experiência indígena do povo Tupinambá do baixo Tapajós, na Amazônia. Gabriel Gurian, revisita feiras, exposições e ingredientes usados nos primórdios da indústria cervejeira brasileira, mostrando que o debate sobre referências locais nas bebidas tem raízes anteriores ao mercado contemporâneo.


A publicação também traz o olhar de Pâmela Queiroz sobre lembranças familiares, quintais, refrigerantes caseiros e o aluá do Cariri cearense; o texto de Mari Mesquita sobre aperitivos, bebidas mistas e nomes que moldam a forma como se percebe o copo; as entrevistas conduzidas pela jornalista Flávia G. Pinho sobre a formação do paladar, com nomes de referência da gastronomia; e o ensaio de Bia Amorim, sobre hospitalidade, serviço e acesso que defende que servir o Brasil passa por reconhecer e pensar sobre ingredientes, códigos e modos de consumo, inclusive os comuns e tradicionais. Nas artes visuais, André Dahmer, Ela Marte, Preah e Yumi Shimada ampliam a leitura com charge, ilustração, fotografia e colagem.


As idealizadoras também trazem seus textos autorais ligados à Sommelieria Pindorama. Em formato de carta, Aline Smaniotto e Bia Amorim tratam da busca por uma sommelieria brasileira, capaz de olhar para ingredientes, técnicas, biomas, bares, rituais, serviços e modos de consumo com menos dependência de repertórios importados. A edição se completa com uma linha do tempo sobre a cerveja no Brasil, que observa como a bebida foi sendo definida por normas, práticas produtivas e transformações culturais.


Edital Fermenta 2025

Realizada com apoio da Academia da Cerveja, Ambev, por meio do Edital Fermenta 2025, “Na Língua” será lançada em 8 de junho como primeira safra de uma pesquisa editorial dedicada ao beber brasileiro. Com a proposta de circular entre profissionais de bebidas, gastronomia, cultura e hospitalidade, mas também entre leitores interessados em compreender como o Brasil se pensa no que escolhe servir, compartilhar e celebrar.


Aline

É antropóloga pela Unicamp e Sommelière de cervejas pelo Instituto Cerveja Brasil. Atua há 12 anos no mercado cervejeiro com foco em comportamento, consumo e cultura etílico-gastronômica, desenvolvendo projetos que conectam análise de mercado e experiência do público. Possui especialização em Antropologia do Consumo (ESPM) e Inteligência e Pesquisa de Mercado (FGV). É cofundadora do movimento Cerveja E.L.A. e coautora do Guia da Sommelieria de Cervejas (Editora Krater). Atualmente desenvolve pesquisas, consultorias, projetos e eventos, e junto à BeberÚ, investiga o beber brasileiro e suas expressões culturais.


Bia

É hoteleira pelo SENAC e Sommelière de cervejas pela Doemens. Atua há 25 anos na gastronomia e há 15 no mercado cervejeiro, conectando sommelieria, cultura e mercado em projetos, eventos e conteúdo. É organizadora do Guia da Sommelieria de Cervejas (Editora Krater) e desenvolve pesquisas e iniciativas sobre o beber brasileiro contemporâneo. À frente da Por Obséquio e na BeberÚ, investiga o beber brasileiro e suas expressões culturais.


A BeberÚ - agência do beber brasileiro, é um projeto de pesquisa, curadoria e criação dedicado à valorização da gastronomia das bebidas nacionais. A partir da sommelieria, da antropologia e da hospitalidade, desenvolve projetos, conteúdos e experiências que investigam o beber contemporâneo, explorando como se forma o paladar líquido brasileiro. No fazer e no viver, a BeberÚ constrói esse olhar a partir da escuta, do diálogo com o mercado e das trocas com diferentes públicos, buscando o Brasil no copo em suas múltiplas expressões. Entre cursos, palestras, publicações e projetos autorais, como a Sommelieria Pindorama e uma nova fanzine dedicada às bebidas brasileiras, a agência propõe caminhos possíveis para pensar o beber de forma mais plural, consciente e conectada à cultura.

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