Influenciadores contra o extremismo: Carolline Sardá defende disputa de consciência nas redes sociais


Influenciadora subiu ao palco do Vibra São Paulo neste sábado (19) e afirmou que criadores de conteúdo de esquerda "disputam a consciência" das pessoas para evitar que caiam no extremismo

Durante o Despertar 2026, realizado neste sábado (19), no Vibra São Paulo, a influenciadora Carolline Sardá defendeu o papel de comunicadores e criadores de conteúdo na disputa por atenção e informação nas redes sociais. Segundo ela, a produção de conteúdo também é uma forma de alcançar pessoas insatisfeitas antes que sejam atraídas por discursos extremistas.

 


“Nós, comunicadores e criadores de conteúdo, disputamos a consciência das pessoas também. Quando vamos a debates, criamos conteúdo e tentamos informar nas redes sociais, estamos disputando a consciência”, afirmou.

 


Sardá relembrou que começou a produzir conteúdo em 2020, durante a pandemia de Covid-19, motivada pelo avanço da desinformação nas plataformas digitais. “A desinformação literalmente mata. E nós sabemos disso porque muitos de nós perdemos familiares na época da pandemia e vimos como a desinformação afetou os nossos relacionamentos. Quantos de nós perdemos amizades por pessoas que caíram no extremismo?”, questionou.

 


A influenciadora também afirmou que criadores de conteúdo de esquerda enfrentam uma disputa desigual por alcance nas plataformas. “Eu não tenho capital, mas eu tenho a informação”, disse. Como exemplo, contou ter realizado cerca de 11 horas de transmissão ao vivo para contestar um documentário que, segundo ela, difundia informações falsas sobre Maria da Penha.

 


Sardá criticou ainda a possibilidade de conteúdos pagos ganharem maior destaque em mecanismos de busca. “Você pesquisava ‘Maria da Penha’ e encontrava desinformação. Porque às vezes a produtora de desinformação vai estar pagando muito bem para aparecer lá no topo das pesquisas”, afirmou.

 



ICL/Divulgação


Durante a fala, a influenciadora relatou receber mensagens de pessoas que dizem ter revisto posições após assistir a debates e conteúdos sobre feminismo e direitos das mulheres. “Quantas pessoas chegam em mim falando: ‘Eu estava quase caindo em um antifeminismo, no masculinismo, quase virando red pill, até que vi um debate seu e comecei a entender mais feminismo, direito das mulheres, história das mulheres’”, contou.

 


Para Sardá, esses relatos mostram que a circulação de informação pode influenciar a forma como pessoas interpretam problemas sociais e escolhem os alvos de sua insatisfação. Segundo ela, a disputa nas redes passa também por oferecer outras referências e explicações a públicos expostos a discursos extremistas.

 


Sardá defendeu ainda maior engajamento coletivo na circulação desse tipo de conteúdo. “Um conteúdo nosso parado no meu perfil, se ele não é compartilhado por vocês, se ele não é engajado por vocês, ele não entra na bolha de vocês. Mas se vocês engajam, comentam, interagem em algo da extrema direita, chega para todo mundo”, afirmou.

 


A influenciadora também criticou influenciadores que promovem plataformas de apostas e contrapôs esse modelo à divulgação de livros, artigos, debates e documentários por criadores ligados à esquerda.

 


“A informação salva vidas, o conhecimento salva vidas. Se a gente passa para outras pessoas a informação de que é importante se vacinar, vacinar seus filhos, nós às vezes salvamos uma população inteira”, concluiu.

 


O Despertar 2026 segue neste sábado (19) e domingo (20), no Vibra São Paulo, reunindo intelectuais, professores, pesquisadores, jornalistas, artistas e ativistas em debates sobre educação, cultura, democracia e direitos humanos.

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