Drik Barbosa e Outro Lado apresentam Lótus, EP sobre reencontro, presença e novos ciclos
A imagem da flor de lótus dá forma à narrativa do projeto. Conhecida por nascer em águas turvas e florescer acima da superfície, ela aparece como símbolo de uma transformação que não apaga aquilo que veio antes. Essa imagem atravessa as cinco músicas: mudar não significa se tornar alguém completamente diferente, mas reconhecer o que permanece enquanto novas versões de si encontram espaço para existir.
Com mais de uma década de trajetória no rap e no R&B brasileiro, Drik vive um momento de renovação sem se afastar de questões que sempre estiveram presentes em sua obra, como identidade, autoconhecimento e consciência coletiva. Nesse trabalho, esse olhar acompanha uma fase marcada pela vontade de viver os processos no próprio tempo, entender o que ainda faz sentido e se abrir para novos caminhos.
“O EP Lótus traz claramente o que eu tenho vivido nos últimos anos, desde o meu último lançamento. Ele vem para contar quem sou eu agora, quem é a Drik, quem é a Adriana, em 2026”, conta Drik Barbosa.
É nesse momento que a artista se encontra com a Outro Lado, novo projeto independente criado por Antônio Chaves e Kristal Werner a partir das experiências que os dois já vinham construindo na música. O EP nasce desse encontro entre pessoas em momentos diferentes de carreira, mas que compartilham a vontade de criar novos caminhos sem deixar de lado tudo o que já foi vivido e construído até aqui.
Musicalmente, o trabalho transita entre R&B, rap, música pop e house a partir de uma escolha consciente pela simplicidade. Em meio ao excesso de estímulos que atravessa o cotidiano, das redes sociais à própria forma como consumimos música, as produções foram construídas buscando manter apenas aquilo que parecia essencial para cada canção. A intenção é criar espaço para a escuta, para os detalhes e, principalmente, para o que Drik tem a dizer.
Mesmo partindo de produções mais simples e enxutas, as cinco músicas percorrem universos diferentes entre si. Cada uma encontra uma sonoridade própria para acompanhar o momento que ocupa dentro do projeto, passando por atmosferas mais contidas, solares, íntimas e também mais voltadas à pista e à dança, sem disputar atenção com aquilo que está sendo dito.
“Encontro” abre o EP com uma volta para si. A canção parte de um período de mudanças para falar sobre reaprender a confiar na própria voz, encarar aquilo que foi vivido e reconhecer força na possibilidade de cair e levantar quantas vezes for necessário. Ao afirmar que a essência continua a mesma mesmo sendo “outra agora”, Drik introduz uma das questões centrais do trabalho: a maturidade não como ruptura com o passado, mas como uma nova forma de se relacionar com a própria história.
Em “Quero Mais”, esse processo passa pelo desejo. A música recupera a vontade de sentir e de se entregar mesmo diante da contradição entre aquilo que deveria ser passageiro e o que acaba ocupando um espaço maior. O corpo, o toque e a intimidade entram na narrativa como parte desse retorno à vida, abrindo espaço para uma Drik que também se permite desejar sem transformar tudo em conclusão ou certeza.
“Banho de Sol” leva a reflexão para o cotidiano e para a forma como a artista se relaciona com o tempo. Com uma musicalidade solar e leve, a canção propõe desacelerar, estar presente e voltar a perceber detalhes que se perdem quando a vida passa a funcionar apenas em torno de trabalho, métricas e produtividade. O cheiro do café, uma festa no quintal, respirar e sentir o chão ganham importância justamente por representarem aquilo que costuma desaparecer no automático.
Essa reflexão carrega também uma dimensão social. Para uma mulher negra, artista independente e com mais de uma década de carreira, falar sobre descanso, prazer, presença e o direito de viver para além da produtividade amplia o campo do que pode ser entendido como força. No projeto, sentir, parar, mudar de direção e escolher onde colocar o próprio tempo não aparecem como sinais de fragilidade, mas como parte de uma vida vivida com mais consciência.
“Desde Sempre” direciona a atenção para a história construída até aqui. Se outras músicas falam sobre mudança, nela Drik reafirma aquilo que permanece: sua ligação com o rap, o hip hop, a ancestralidade e uma caminhada iniciada ainda na adolescência. Agora com mais de 30 anos, ela olha para quem era aos 15 sem transformar o passado em nostalgia. A experiência aparece como continuidade, maturidade e confirmação de uma identidade que segue em movimento.
Essa reafirmação também ajuda a entender a liberdade sonora presente no EP. Drik pode circular pelo R&B, pelo pop, pelo house e por outras possibilidades sem que isso represente um afastamento do rap. Em “Desde Sempre”, o hip hop aparece menos como uma fronteira estética e mais como formação, linguagem e lugar de origem. Quanto mais segura de quem é e de onde veio, maior também parece ser o espaço para experimentar.
“Recomeço” encerra o projeto levando a reflexão para o corpo e para a ação. A pista, a noite e a dança se tornam espaços de abertura para aquilo que existe fora de si. Depois de olhar para dentro, reconhecer o desejo, reorganizar a relação com o tempo e reafirmar as próprias raízes, Drik se permite voltar a circular e encontrar o outro. A música assume uma energia mais expansiva, com elementos de house, e transforma a ideia de “dançar com a vida” em ação.
O tempo atravessa todo esse percurso de maneiras diferentes. Em “Encontro”, Drik fala sobre aprender com aquilo que viveu; em “Banho de Sol”, tenta escapar da lógica das métricas e permanecer no presente; em “Desde Sempre”, observa os anos de carreira; e, em “Recomeço”, afirma que também aprendeu a “dançar com o tempo”. Em vez de tratá-lo como algo a ser vencido ou recuperado, o EP propõe uma experiência menos rígida, aberta às idas, voltas e mudanças de direção.
O single duplo “Encontro e Recomeço” também ganha um videoclipe dirigido por MANDNAH, construído como uma única obra audiovisual dividida em dois momentos. O vídeo acompanha visualmente a passagem do reencontro consigo mesma para uma abertura maior ao mundo, traduzindo em imagem a conexão entre as duas músicas sem reproduzir literalmente aquilo que as letras dizem.
Ao longo das cinco faixas, Drik percorre diferentes maneiras de atravessar um mesmo processo de mudança. Voltar para si, desejar, desacelerar, reconhecer de onde veio e se permitir começar outra vez aparecem como partes de um percurso que não acontece em linha reta. “Lótus” registra esse momento sem tratar a transformação como apagamento: é possível mudar sem abandonar a própria história, amadurecer sem deixar de sentir e seguir criando espaço para que a vida aconteça em novas direções.
FICHA TÉCNICA:
Estúdio Musical: Outro Lado
Artistas: Drik Barbosa e Outro Lado
Produção musical: Antônio Chaves, Kristal Werner e Drik Barbosa
Direção vocal: Kristal Werner
Arranjos vocais: Kristal Werner e Drik Barbosa
Mixagem: Antônio Chaves
Masterização: Gabriel Xarão
TRACKLIST
Encontro
Produção Musical: Antônio Chaves, Kristal Werner e Drik Barbosa
Composição: Drik Barbosa
Baixo: Shimodaira
Violão: Antônio Chaves
Sopros: Os Bicudos
Coros: Drik Barbosa, Kristal Werner, Kelly Souza e THAMI
Quero Mais
Produção Musical: Kristal Werner e Drik Barbosa
Composição: Drik Barbosa, Kristal Werner, Antônio Chaves
Baixo e guitarra: Shimodaira
Sopros: Os Bicudos
Banho de Sol
Produção Musical: Antônio Chaves, Kristal Werner e Drik Barbosa
Composição: Drik Barbosa, Kelly Souza, Kristal Werner
Baixo e guitarra: Shimodaira
Violão: Antônio Chaves
Sopros: Os Bicudos
Coros: Kelly Souza e Drik Barbosa
Desde Sempre
Produção Musical: Noshugah, Antônio Chaves, Kristal Werner e Drik Barbosa
Composição: Drik Barbosa
Coros: Drik Barbosa, Kelly Souza, Kristal Werner e THAMI
Recomeço
Produção Musical: Antônio Chaves, Kristal Werner e Drik Barbosa
Composição: Drik Barbosa, Kristal Werner e Antônio Chaves
Coros: Drik Barbosa
“Lótus” já está disponível em todas as plataformas digitais via ONErpm.
Sobre Drik Barbosa: Drik Barbosa é cantora, rapper e compositora paulistana, com mais de uma década de trajetória no hip-hop brasileiro. Começou a escrever ainda na adolescência e desenvolveu suas primeiras rimas na Batalha do Santa Cruz, espaço fundamental para a formação de uma geração do rap de São Paulo. Ao longo da carreira, transitou entre rap, R&B e outras vertentes da música negra. Em sua obra, cruza vivências pessoais, identidade, consciência coletiva e autoconhecimento, construindo uma música que acompanha também seus próprios processos de transformação.
Sobre Outro Lado: Outro Lado é um estúdio musical e uma plataforma criativa independente, idealizado pelos produtores musicais Antônio Chaves e Kristal Werner. Criado por artistas independentes para artistas independentes, o projeto atua da produção musical à direção criativa, passando por audiovisual, conteúdo e estratégia de lançamento, sempre buscando desenvolver cada trabalho a partir da identidade de quem cria.
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