terça-feira, 26 de maio de 2026

Romance imagina cidade liderada por mulheres como resposta ao trauma coletivo



“Palco dos que sofrem” investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social 

“Há livros que nos atravessam pela história que contam; outros, pela forma como escolhem contar. Este, no entanto, vai além: convoca a leitora e o leitor a sentir, pensar e reconhecer-se nas camadas mais profundas das experiências femininas, nas múltiplas maneiras de existir e resistir.”


Trecho do prefácio assinado pela professora e pesquisadora Priscilla Lima



“Palco dos que sofrem”, romance de estreia da escritora e jornalista Letícia Ávila (@leticiaescritoraa), mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família. 



Em junho, a autora lança a obra em São Paulo, no Centro Cultural de São Paulo (CCSP), no dia 21, com acessibilidade em libras. Posteriormente, segue para Ilhabela, no Litoral Norte, para um workshop na Biblioteca Municipal da cidade, no dia 26, e evento de lançamento na Livraria Canoa, no dia 27. 



Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)? 



“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.



Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia. 



O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias.



Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa.



Letícia Ávila quer escrever e curar feridas individuais e coletivas



Letícia Ávila é nordestina, de Aracaju/SC, cresceu em São Paulo e atualmente é moradora de Ilhabela, no litoral paulista. Seu interesse e ativismo no feminismo tornou a subjetividade feminina um dos eixos centrais de seu projeto literário. A literatura para ela é um espaço de acolhimento e a escrita um caminho potente de cura e ressignificação. Após finalizar o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia no mundo dos livros com o romance “Palco dos que Sofrem”.



Jornalista formada pela FIAM-FAAM FMU, se dedica desde 2012 ao universo do cinema e do entretenimento. Com mais de 10 anos de experiência no mercado cinematográfico, ela utiliza seu repertório audiovisual para dar ritmo e vigor ao seu texto.



Suas principais referências são Conceição Evaristo, Aline Bei, Carla Madeira, Maria Ribeiro, bell hooks, Anne Frank, Lélia Gonzalez, Djamila Ribeiro, Chimamanda Ngozi Adichie, Maya Angelou. As escritoras, em especial as vozes brasileiras, exercem sobre ela um fascínio profundo: “elas me provam que a escrita feminina é, em sua essência, um ato revolucionário e potente”.



Seu livro representa uma espécie de renascimento. Escrevê-lo enquanto atravessava os primeiros meses da maternidade foi quase terapêutico. “Ele me transformou porque me obrigou a olhar para as minhas próprias sombras e para as mulheres que vieram antes de mim com uma coragem que eu ainda não conhecia. A escrita me curou ao me dar o poder de decidir quais heranças emocionais eu queria passar para a minha filha e qual mundo eu gostaria de sonhar para ela”, reflete.



O livro "Palco dos que Sofrem" é um projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da plataforma CULTSP, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do ProAC Editais, através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.



FICHA TÉCNICA


Livro: Palco dos que Sofrem


Autora: Letícia Ávila


Rede social do autor: https://www.instagram.com/leticiaescritoraa/


Número de páginas: 222


ISBN: 978-65-02-09524-9 


Gênero: Romance


Editora: edição da autora (publicação independente)


Ano: 2026

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