A bancada sobre esse mestre da dramaturgia conta com a participação de duas grandes amigas: a atriz, escritora e diretora Maria Ribeiro e a figurinista Marília Carneiro. O debatedor é o jornalista e produtor de conteúdo Muka. O irreverente trio de convidados se diverte nos bastidores do papo.
Com uma vida dedicada à arte e mais de 70 anos de carreira, o consagrado artista tem uma contribuição significativa para a cultura nacional. Ele abre o coração para falar sobre a sua própria história, destaca a paixão pelo cinema, conta passagens marcantes da televisão brasileira e enumera grandes novelas e atrações televisivas.
Revolução estética da televisão
Durante a conversa, Daniel Filho afirma que gosta de ser desafiado e colocado contra a parede na sabatina. Ele comenta diversas passagens dos bastidores das telinhas e da sétima arte. Também recorda o seu começo no circo e a influência dos pais em seu interesse pela cultura.
No decorrer do papo, o experiente ator e diretor analisa a revolução estética da televisão que marcou época com um padrão de qualidade. Com seu olhar perspicaz para a cena da cultura nacional, ele aborda esse processo de modernização da teledramaturgia. O gênio transformou os folhetins em fenômenos de exportação.
Daniel Filho destaca as parcerias com Boni e menciona produções que fizeram história como a primeira versão do seriado "A Grande Família" (1972-1975). Ele ressalta a importância de Vianinha para a realização do sitcom que reunia ícones como Jorge Dória, Brandão Filho e Heloísa Mafalda. "Tinha uma estrutura. Era um time. Um levantava a bola, outro fazia o gol. Foi espetacular. Um sucesso", afirma.
Ele também conta as origens e várias curiosidades sobre o programa "TV Pirata" (1988-1992) e as séries "Malu Mulher" (1979-1980), "Armação Ilimitada" (1985-1988), "Confissões de Adolescente" (1994-1996) e "Sai de Baixo" (1996-2002).
O diretor reflete sobre como esses conteúdos foram de vanguarda. "'Armação Ilimitada' era uma velocidade enorme. Lembro que o Artur da Távola escreveu em uma crítica que só foi conseguir entender o seriado um ano depois", diverte-se.
Bastidores do sitcom Sai de Baixo
Daniel Filho também conta a ideia original para o "Sai de Baixo" com Hebe Camargo, Ronald Golias, Arlete Salles e Fúlvio Stefanini no elenco. Também destaca os nomes dos astros que entraram em cena para fazer o seriado.
"Era muito importante 'esquentar' a plateia. Ela é o grande personagem. Fiz questão de gravar em São Paulo. Sonorizei o Teatro 'Procópio Ferreira'. O riso está na frente da voz. Precisava ter a real gargalhada e aplauso. O Miguel Falabella não via o figurino que a Aracy [Balabanian] ia usar. Era genuíno, um improviso fantástico. Apresentei projetos de 'A Vida como Ela é' e de 'Sai de Baixo' para o Silvio Santos no SBT. Levei pessoalmente", recorda.
As produções das telonas também rendem assunto. "Você dirige um filme quando você escala: 90% é escalação. Se escalou direito, não tem erro", define Daniel Filho que relata algumas dessas experiências. "Quando eu escalei Glória Pires e Tony Ramos para fazer 'Se eu Fosse Você', as pessoas ficaram nervosas. Ele era uma piada atrás da outra na coxia", revela.
Formação no circo e Teatro de Revista
"Venho de família de circo. É a minha formação. Meu padrinho é o Grande Otelo. A minha informação veio do Teatro de Revista e da televisão ao vivo de 1957 a 1961. E de repente sou diretor de novela, algo que não assistia nem suportava. A primeira foi 'A Rainha Louca', com a Nathalia Timberg. Adorei fazer. Claudio Marzo pediu para o personagem morrer. Isso me deu criatividade", lembra. "Em seguida, fiz "Demian, o Justiceiro" e "Sangue e Areia" simultaneamente", conta.
Durante o papo no Sem Censura, Daniel Filho também menciona vários mestres com quem interagia e trocava conhecimento como Chico Anysio, Dias Gomes e Domingos de Oliveira. Ainda aborda a importância da equipe no set. "A gente sabe se funciona pela reação do câmera. Ele é nosso primeiro público", pontua.
Considerado generoso pelos parceiros, ele tem essa troca humana sincera na visão dos amigos. "A marca de cena ajuda o ator a lembrar o texto. 'Nessa hora você levanta. Ou pega esse objeto'. O ator está com o papel na mão. Você tem que apoiar", diz. Entre as tantas novelas, Daniel Filho fala sobre "Dancin' Days" (1978) e outros clássicos da teledramaturgia como "Baila Comigo" (1981), entre outras tramas históricas.
"Você não pode perder nunca o espírito de arriscar. De colocar para fora o que está dentro de você", ensina o convidado ao falar sobre como se jogava nos projetos desde o início da trajetória com a novela "A Rainha Louca" (1967).
Ele encerra a entrevista agradecendo à bancada. "Eu fui tão acarinhado com o olhar carinhoso de vocês. Foi muito bom para o meu coração e vai ficar na minha lembrança. Que bom que eu deixo essa sensação em vocês. Foi uma mensagem que me sinto muito amado. Muito obrigado"
Sobre o programa
O Sem Censura faz parte da programação do canal público desde 1985, quando estreou no dia 1º de julho na então TVE/RJ, hoje TV Brasil, sob o comando de Tetê Muniz. O bate-papo criado por Fernando Barbosa Lima ficou mais conhecido com o rosto de jornalistas como Lúcia Leme e Leda Nagle na apresentação. Desde 2024, a atração voltou ao formato original com Cissa Guimarães na bancada.
A roda de conversa recebe artistas e profissionais de diversas áreas para discutir temas do momento que interessam à sociedade. O vespertino tem quadro fixo de debatedores que se revezam ao longo da semana. Em 2025, a premiada produção da TV Brasil completou quatro décadas no ar.
Vencedor do Prêmio APCA de melhor programa de televisão em 2024 e finalista no ano passado, o Sem Censura conquistou, por duas vezes consecutivas, o reconhecimento com o Prêmio Melhores do Ano NaTelinha, na categoria Melhor Programa de Entrevistas nos anos de 2024 e 2025.
A interatividade está presente no Sem Censura com a hashtag #semcensura nas redes sociais. O público também pode participar pelo WhatsApp (21) 99903-5329. A apresentadora da roda de conversa lê e comenta as mensagens, enquanto os convidados respondem às perguntas enviadas.
Com transmissão de segunda a sexta, às 16h, o programa é exibido simultaneamente na telinha, no app TV Brasil Play e no YouTube do canal. O conteúdo diário fica disponível em formato de podcast no Spotify. O Sem Censura ainda tem janela alternativa na programação da TV Brasil mais tarde, no mesmo dia, às 23h30.
Serviço
Sem Censura – Segunda a sexta, às 16h, na TV Brasil
Sem Censura (reprise) – Segunda a sexta, às 23h30, na TV Brasil
Sem Censura – Spotify - https://open.spotify.com/show/09O9CTA1nHctKJ2AdII0JZ
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