Foto: @mmourajoao
Em um ‘coming-of-age’ (gênero de mídia focado em momentos de crescimento e amadurecimento), Pedro Mizutani constrói um disco que é ao mesmo tempo pessoal e universal - como provado por sua dedicada audiência. Conseguindo emocionar seu público ao contar histórias de sua própria vida, Pedro coloca-se quase como uma voz da geração Z.
No manifesto que acompanha “Nova Bossa: Aquele Abraço aos Ratos Vivos”, Pedro Mizutani explica o álbum como “os relatos mais verdadeiros de um rato que chama a si mesmo de rato vivo”, descrevendo suas próprias emoções como “tomado de orgulho e vergonha”.
“Uma mente inquieta, desde seu princípio, trabalha muito muito muito / E muitas vezes, a mente trabalha tentando minimizar o desconforto / E maximizar os momentos de prazer, sob o mais curto horizonte de tempo possível / (Qual o limite?) / (Dopamina haxixe) / (Eu tive que rimar)”, versa Pedro na primeira estrofe do poema-manifesto.
O peso e a liberdade de cantar sua própria história
Como ele mesmo descreve, “eu sei porque já vivi, não gosto do teor fictício”. Em seu álbum de estreia, nada que Pedro Mizutani canta é fictício - com liberdade para o floreio artístico, o cantor-autor despe-se da metáfora na maior parte das faixas, dirigindo-se diretamente ao público ao cantar sobre vícios, saúde mental, relacionamentos falhados e amadurecimento.
“Esse projeto é mesmo um ‘coming-of-age’”, aponta Pedro: “Mas, de uma maneira mais caótica, trazendo tudo que experienciei nos últimos anos, sem me censurar”.
Durante as 11 faixas, Pedro Mizutani versa sobre a realidade de viver e crescer como um jovem adulto em 2026, abraçando a verdade do vício em substâncias, em seu celular, na internet e de sua batalha pela saúde mental como temas centrais do disco. Com um leque expansivo de tonalidades, o artista também universaliza suas experiências sem perder a genuinidade.
“Quero que esse seja um disco no qual as pessoas se vejam refletidas. Quero que elas entendam e se identifiquem com o que eu estou cantando”, diz o artista.
Descrito pelo artista como o primeiro projeto no qual ele teve total liberdade, “Nova Bossa: Aquele Abraço aos Ratos Vivos” é uma reflexão artística de um artista que ao mesmo tempo que conhece muito sobre si mesmo, se mantém aberto a tudo que pode ser revelado.
Muito além da bossa nova
Em um som que vai muito além da bossa nova de seus primeiros EPs, Pedro Mizutani abraça o indie rock, o folk e o lo-fi pop, além dos sintetizadores, na produção assinada por Paulo Emmery e Guilherme Lírio. Sem abrir mão da brasilidade, Pedro canta um Rio de Janeiro mais contemporâneo, influenciado pela nova MPB e inspirações eletrônicas.
“Nova Bossa: Aquele Abraço aos Ratos Vivos” conta com uma mistura de todas as influências de Pedro Mizutani, além da garantia das rédeas estarem 100% em suas mãos, tanto na composição quanto na produção. Com momentos acústicos de calma, mensagens diretas e pontos em que Pedro é quase afogado pela instrumentalização, a sonoridade musical também reflete o caos que é crescer no século XXI.
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