terça-feira, 26 de maio de 2026

Israel Pinheiro estreia na poesia com livro que transforma amor transfronteiriço em experiência lírica



Após lançamento em Buenos Aires, autor pernambucano apresenta obra “Todo o resto é poesia” no dia 20 de junho em Olinda (PE), com poemas que misturam humor, crítica social e a descoberta da Argentina

O escritor pernambucano Israel Pinheiro (@pinheiroisrael.silva), até então conhecido por seus livros de contos As histórias que contei, Um deus que não passeia sobre as águas e 3 Natais Recifenses, acaba de lançar seu primeiro livro de poesia: Todo o resto é poesia, pela Editora Litteralux. A obra já teve seu lançamento internacional na Livraria La Libre, em San Telmo, Buenos Aires, e agora chega a Pernambuco com evento marcado para o dia 20 de junho em Olinda. A orelha, assinada pela escritora e artista plástica Débora Lima, evoca John Keats (“Beleza é verdade, verdade é beleza”) e define a obra como “um tratado cosmopolita de amor ao amor”.


Todo o resto é poesia é um livro que transforma a experiência amorosa em travessia geográfica, linguística e existencial. Dividida em Ida e Volta, a obra acompanha um vínculo entre Brasil e Argentina que se constrói entre encontros, distâncias e retornos. Os poemas exploram o portunhol como território afetivo, onde o erro de tradução vira intimidade. 


O amor surge como força que atravessa fronteiras culturais, políticas e emocionais. Há lirismo no cotidiano, nas pequenas cenas, nos gestos e nos desencontros. A escrita alterna leveza, humor e densidade, revelando um eu lírico em constante deslocamento. A felicidade de um nordestino típico em descobrir a Argentina e ser descoberto por ela”, resume Israel Pinheiro. “O lirismo da vida cotidiana portenha, a beleza do país e o amor correspondido me inspiraram.”



Na primeira metade da obra “Ida”, predominam a expectativa do encontro, o estranhamento afetuoso e a descoberta das pequenas diferenças. No poema “Léxico”, por exemplo, o eu lírico lembra de quando “alegria era encontrar a lavanderia vazia, trânsito livre e cupons de desconto” e a amada respondeu com um “Dale” seco. Em “Hermosas”, há uma trégua improvável: um homem que sempre acreditou em “inimizade milenar” com gatos se vê rendido pelo ventre cálido de Syrah e pela gata Brie que faz da mala uma cama.



Na segunda parte, “Volta”, os poemas ganham um tom mais reflexivo e, por vezes, combativo. “Regresso” acompanha a dor crua de uma jovem paraibana que viaja sozinha para o velório do pai, alternando o luto com as instruções de segurança do avião – “colocar a poltrona na posição vertical” e “saber que seu assento pode ser usado como boia”. Já “Luta” propõe fazer do amor “instrumento de combate, contraponto à barbárie, à divisão internacional do trabalho, aos bombardeios em Gaza”. O livro não se furta a encostar na ferida.



O humor, no entanto, nunca abandona completamente a cena. Em “Binacional”, Israel Pinheiro desfia uma sequência de perguntas sobre o filho de um recifense e uma argentina: “Vai nascer um pirraia ou vai nascer um pibe? / Um torcedor do Náutico ou um torcedor do River?”. Em “Bilateral”, a síntese é quase uma piada de buteco: “Um novo tratado entre Brasil e Argentina / Eu fico com você / eles com Santa Catarina”. A leveza é calculada, e funciona.



O título Todo o resto é poesia não é uma promessa vazia. O autor, que se define como alguém que escreve “com liberdade, livre de tutelas ideológicas, identitárias e de formas”, encontrou na poesia um gênero que há tempos o esperava. “Eu sabia que chegaria o momento de escrever poesia”, afirma. “Esteticamente me sinto maduro para experimentar um novo gênero.” O livro foi escrito ao longo de um ano, em intenso diálogo com a literatura, o cinema, a música e a história argentinas, com destaque para as influências de María Elena Walsh, Ernesto Sabato e Claudio Conti.



Sobre o autor



Israel Pinheiro nasceu em 1984, é pernambucano e vive atualmente em Vitória de Santo Antão, na zona da mata de Pernambuco. Cresceu em Recife e ingressou no curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco em 2004. Foi premiado em concursos literários como o Luís Jardim (Prefeitura do Recife, 2007) e o do Sesc Santo Amaro (SP, 2003). Antes deste livro de estreia na poesia, publicou As histórias que contei (contos), Um deus que não passeia sobre as águas (novelas) e 3 Natais Recifenses (contos). Entre seus autores de cabeceira estão Lima Barreto, Anton Tchekhov, Jorge Luis Borges, Eliane Brum e Woody Allen.



Ficha catalográfica


Título: Todo o resto é poesia  


Autor: Israel Pinheiro  


Editora: Litteralux (Guaratinguetá)  


Ano: 2026  


Páginas: 112  


Gênero: Poesia   


ISBN: 978-65-5322-122-2


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