sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Como tornar as férias mais leves e garantir uma volta às aulas tranquila


As férias escolares costumam ser associadas ao descanso e ao lazer, mas também podem representar um período de desafios para muitas famílias, especialmente aquelas com crianças e adolescentes no espectro autista. A quebra da rotina, tão esperada por alguns, pode gerar ansiedade e insegurança para outros.



A psicóloga Frínea Andrade, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), diretora do Instituto Dimitri Andrade e mãe atípica de um jovem com autismo, explica que as mudanças abruptas no dia a dia exigem planejamento. “A alteração repentina da rotina pode desencadear ansiedade, insegurança e até comportamentos desorganizados. Por isso, a preparação é fundamental. A pessoa autista precisa compreender o que vai acontecer e em que contexto essas mudanças ocorrerão. Isso também vale para as crianças típicas”, orienta.



Antecipar para acolher: o papel da previsibilidade



Entre as principais estratégias para atravessar o período de férias com mais tranquilidade estão os recursos visuais. Frínea destaca que agendas visuais, calendários ilustrados e histórias sociais ajudam a organizar mentalmente a sequência dos dias e das atividades. “Esses recursos facilitam a compreensão do que está por vir. Se houver uma viagem, por exemplo, vale mostrar imagens do local, do transporte e explicar quem irá junto. O mesmo vale para visitas de familiares ou mudanças na dinâmica da casa”, afirma.



Segundo a especialista, antecipar informações reduz a ansiedade e favorece uma vivência mais segura das férias, permitindo que a criança se prepare emocionalmente para as mudanças.



Novas experiências



As férias também podem ser um momento rico para apresentar novas experiências às crianças, desde que isso seja feito com cuidado. “Ampliar os estímulos é positivo, mas sempre respeitando as sensibilidades individuais e oferecendo previsibilidade. Se a proposta é ir à praia, a um parque ou a outro ambiente diferente, o ideal é conversar antes, mostrar fotos ou vídeos e explicar o que será feito naquele local. Esse preparo prévio ajuda a criança a lidar melhor com a novidade e a reduzir possíveis reações de estresse”, orienta Frínea Andrade.




O brincar como aliado do desenvolvimento



Mais do que entretenimento, o brincar tem papel central no desenvolvimento infantil. Durante as férias, essa prática ganha ainda mais importância. “Brincar contribui para o desenvolvimento físico, motor, cognitivo e socioemocional. É por meio das brincadeiras que a criança desenvolve equilíbrio, força, coordenação e habilidades sociais, como compartilhar, negociar e resolver conflitos. Além disso, o brincar favorece vínculos afetivos e pode ser um importante instrumento de regulação emocional”, destaca a psicóloga.



Sugestões de atividades para o período de férias



A especialista sugere algumas atividades que podem ser adaptadas à realidade de cada família e às necessidades da criança:



Atividades sensoriais, como massinha ou argila, respeitando os limites sensoriais


Passeios ao ar livre, explorando diferentes ambientes


Contação de histórias de forma lúdica e interativa


Brincadeiras motoras, como boliche, pula corda e circuitos


Cozinhar em família, estimulando interação e autonomia


Práticas esportivas adaptadas à idade e ao perfil da criança



Frínea também ressalta a importância de equilibrar a rotina, evitando excesso de compromissos e reduzindo o tempo de exposição às telas. “O excesso de estímulos pode gerar sobrecarga e estresse, especialmente durante um período que deveria ser de descanso”, alerta.



Volta às aulas: transição também precisa de preparo



Com o fim das férias, outro momento sensível se aproxima: a volta às aulas. A adaptação a uma nova rotina escolar, com professores, colegas e ambientes diferentes, exige atenção especial.



A preparação deve começar ainda nas últimas semanas de férias. “É essencial comunicar com antecedência como será o retorno, falar sobre horários, escola, professores e atividades. O uso de calendários visuais e histórias sociais também ajudam muito nesse processo, tornando a transição mais previsível e segura. Quando a transição é bem conduzida, o retorno às aulas tende a ser mais tranquilo, positivo e acolhedor para todos”, conclui Frínea Andrade, psicóloga especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA) e diretora do Instituto Dimitri Andrade.



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