Poéticas Pretas 2026 Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros
Tendo como mote “Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros”, o encontro traz à cena as presenças e a diversidade de vozes negras. Guiado pelo compromisso com a igualdade étnico-racial, reúne pesquisas e experiências de protagonismo negro, reconhecendo a pluralidade de epistemologias, perspectivas e linguagens das artes da cena.
Em diálogo com a ação cartográfica e com o pensamento da historiadora, professora, roteirista, poeta e ativista brasileira Beatriz Nascimento (1942–1995), o encontro propõe compreender o território para além de sua dimensão geográfica, também como espaço de pertencimento e produção de conhecimento. Nessa perspectiva, o território se constitui como experiência de continuidade, organização coletiva e produção de existência, tendo o quilombo como referência histórica e simbólica.
“Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros” expressa trajetórias e saberes em circulação e reafirma o entrelaçamento entre o fazer artístico, a pesquisa e a construção de pensamentos, a partir das experiências de artistas-pesquisadores negros e negras.
“O evento é uma oportunidade ímpar para estudantes, educadores e artistas compreenderem a arte não apenas como estética, mas como um ato de afirmação, resistência e valorização da identidade cultural, da ancestralidade e do protagonismo negro”, afirma Solange Ferreira, coordenadora do NEABI.
Programação
19h15: Recepção e abertura
19h20 às 19h40: Experimento cênico Ponto de vista, com Roniel Paz
19h45 às 20h25: Apresentação de produções e roda de conversa, com Antônia Pinheiro e Rafael Augusto 20h30 às 20h40: Intervenção
20h45 às 21h40: Núcleo Pèrègun, com Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga 21h45: Amabbi e Gabi Barbosa
22h15: Encerramento
Conheça mais:
Roniel Paz_Foto_Arquivo pessoal
Experimento cênico – Ponto de vista, com Roniel Paz
A performance expõe um corpo preto em movimento que atravessa fronteiras carregando marcas na pele. No mundo contemporâneo, esse corpo é o alvo de uma violência sistêmica e cotidiana da qual é impossível se desvencilhar do acúmulo das cicatrizes sociais. No recorte cênico, ao cruzar fronteiras visíveis e invisíveis, corporifica-se as estatísticas de confronto que transforma o movimento em denúncia e a própria existência em um ato de resistência contra o racismo estrutural.
Antonia Pinheiro_Foto_Tamer Aşan
Websérie Um amor arretado – Diretora e roteirista: Antônia Pinheiro
A websérie Um amor arretado resgata a identidade cultural do município de Pimenteiras, do Piauí e do Nordeste, território com pouco acesso à produção audiovisual, ao colocar em foco a lenda de Zabelê e as riquezas e memórias da região. Ambientada no calor do sertão, a websérie revela o amor proibido entre Ana Laura e Zé Filipe. Em uma pequena cidade do Piauí, essa paixão avassaladora se torna um perigo ao reacender uma rivalidade histórica entre suas famílias. Quando o segredo é exposto em plena vaquejada, o casal é forçado a tomar uma difícil decisão: honrar o sangue da família ou lutar por esse amor impossível.
Rafael Augusto_Foto_Arquivo pessoal
Protagonistas do Amanhã – Rafael Augusto
Viabilizado a partir da aprovação em um edital de fomento cultural, o projeto social de atuação e audiovisual Protagonistas do amanhã, proposto por Rafael Augusto, consolidou-se como uma bem-sucedida experiência de transformação na Zona Sul. A iniciativa de atuação e audiovisual utilizou o ensino prático do teatro e do cinema como ferramentas de expressão, capacitando os participantes em técnicas de interpretação, consciência corporal, roteiro e produção cinematográfica. Através de uma metodologia profundamente colaborativa, o projeto validou a importância do incentivo ao permitir que a comunidade se tornasse protagonista, com a exibição de quatro curtas-metragens desenvolvidos, convertendo suas próprias histórias e vivências reais em arte de forte impacto social.
Núcleo Pèrègun. Foto_Acervo do grupo
Núcleo Pèrègun – Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga
Apresentação do livro Pèrégun A Nativa: afetos, encontros e saberes de terreiros, publicado pelo selo Oralituras
Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga (Tom) são artistas da cena contemporânea de São Paulo, que se conheceram em 2006 no Afoxé Filhos da Coroa de Dadá. Ao longo dos anos, a parceria entre eles se fortaleceu, ao se reencontrarem no projeto “Ialodês”, da Capulanas Cia de Arte Negra em 2016, com base na metodologia de preparação corporal “Deuses que dançam”, desenvolvida por Tom Ngunga.
Entre 2017 e 2021, também colaboraram no Movimento Mercedes Baptista, explorando a presença de mulheres negras na dança e realizando reflexões sobre as danças negras e a história da primeira bailarina negra a entrar em um teatro municipal.
No ano de 2020, durante a pandemia, Carol e Tom passaram a refletir sobre suas pesquisas e decidiram criar um trabalho que destacasse a diversidade de suas danças, com foco na ancestralidade africana, indígena e nas tradições de terreiro de candomblé. Esse projeto, chamado Pèrègun A Nativa, nasceu da necessidade de enfrentar os desafios da pandemia e explorar as potencialidades das danças afro-brasileiras, com ênfase na orixalidade.
A proposta visa fortalecer a cena da dança na cidade de São Paulo e fomentar a pluralidade na dança, além de dar visibilidade aos saberes e práticas culturais negras e indígenas, combatendo o epistemicídio de nosso povo.
Amabbi
Cantora e artista da música urbana. Em seu álbum de estreia, Versos e Voos (2024), articula trap, R&B e literatura poética, construindo uma linguagem marcada pela palavra, pela musicalidade e pelas experiências de mulheres pretas.
Em 2026, lança seu segundo álbum de estúdio, Crisálida, trabalho que investiga processos de transformação artística e o fortalecimento de redes coletivas entre mulheres pretas. No mesmo ano, protagoniza uma edição da Rolling Stone Sessions, apresentando o álbum na íntegra no Blue Note São Paulo.
Com apresentações em importantes palcos, incluindo o Rock in Rio, Amabbi marca sua presença no Poéticas Pretas 2026. Sua atuação retoma uma dimensão fundamental da cultura Hip-Hop: a palavra falada como elemento de condução, conexão e circulação de pensamentos, experiências e saberes.
Beatriz Nascimento
Maria Beatriz Nascimento (1942–1995) foi uma historiadora, poetisa e ativista negra sergipana. Graduada em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especializada na Universidade Federal Fluminense (UFF), tornou-se referência nos estudos das relações étnico-raciais, racismo e sexismo. Entre suas obras, destacam-se o documentário Ôrí (1989) e publicações de seus estudos acerca do conceito de quilombo.
“Quilombo é uma história. É uma palavra que tem história. É importante ver que, hoje, o quilombo traz pra gente não mais o território geográfico, mas o território a nível duma simbologia. Nós somos homens. Nós temos direitos ao território, à terra. Várias e várias e várias partes da minha história contam que eu tenho o direito ao espaço que ocupo na nação.” Beatriz Nascimento no documentário Ôrí (1989).
NEABI
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas
Iniciativa da Escola Superior de Artes Célia Helena, o NEABI promove a igualdade étnico-racial através da articulação entre ensino, pesquisa e extensão, focando em práticas pedagógicas e artísticas antirracistas. Sob a coordenação da Profa. Me. Solange Ferreira e um coletivo diverso de especialistas, o núcleo busca integrar saberes historicamente silenciados ao currículo institucional, construindo uma educação plural que valoriza o diálogo intercultural e a diversidade de perspectivas no campo das artes.
“O NEABI visa promover a reeducação das relações étnico-raciais, por meio do diálogo entre as diferentes áreas de conhecimento, a fim de contribuir para a consolidação de políticas antirracistas no campo da arte-educação. A iniciativa fortalece processos de afirmação identitária e enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, compreendendo essa responsabilidade como compromisso coletivo e não restrito exclusivamente à população negra e indígena.
Dessa forma, a Escola Superior de Artes Célia Helena posiciona-se como espaço de reflexão crítica, transformação social e compromisso com a equidade racial, por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão inseridas na estrutura organizacional da instituição”, afirma Solange Ferreira.
Serviço:
Poéticas Pretas 2026 – Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros
Data: 22 de outubro de 2026, quinta-feira
Horário: das 19h15 às 22h15
Local: Teatro do Célia
Endereço: Av. São Gabriel, 444, Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Entrada gratuita, sujeita à lotação. Ingressos distribuídos no local uma hora antes do início do evento.

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