Abissal mergulha na memória na nova música “Flashes”
A Abissal lança nesta sexta-feira (9), via Casalago Records, o single “Flashes”, faixa-título do novo EP da banda de Jundiaí/SP. A canção fala sobre o tempo, a memória e os momentos que passam pela vida como vislumbres rápidos.
Ouça “Flashes” aqui: found.ee/Flashes.
“Flashes” representa o ponto de maturidade de um ciclo aberto em junho com “Ametista”, no qual a Abissal desloca o foco da espiritualidade de Sutra, EP lançado em março, para o território das lembranças.
Produzida por Gui Godoy, produtor e diretor da Casalago Records, “Flashes” equilibra a densidade e as atmosferas do post-rock com a sensibilidade melódica do dream pop cantado em português.
Guitarras fluidas, timbres analógicos quentes e uma cozinha marcante sustentam a faixa, que traduz em som a sensação de memórias em dissolução e a busca por desacelerar em meio ao caos.
Para a banda, a música trata justamente da forma como certos momentos atravessam a vida em lampejos.
“Flashes é uma música sobre o tempo, a memória e a percepção de como certos momentos passam como vislumbres rápidos pela nossa vida. Na produção, buscamos trazer camadas de guitarras e arranjos que traduzissem essa sensação etérea de olhar para trás e ver o que permanece”, explica a Abissal.
Memória em camadas
As referências de “Flashes” vão da profundidade do Radiohead da fase In Rainbows ao indie brasileiro contemporâneo de nomes como Terno Rei.
É nesse cruzamento que a Abissal se firma como uma das apostas do circuito alternativo independente. A banda vem do peso do rock, mas hoje aposta em ambiência, dinâmica e construção melódica.
A faixa dá nome ao EP e funciona como síntese do conceito que atravessa o novo trabalho. Se “Ametista” apresentou lembranças que voltam em fragmentos, perdem nitidez e ainda assim permanecem, “Flashes” olha para o que fica depois desse movimento.
O passado não retorna de forma linear, mas em imagens soltas, atravessadas por ruídos, afetos e lacunas.
Mergulho visual
A identidade visual do novo ciclo acompanha essa ideia. As capas do EP e de seus singles foram concebidas a partir de ensaios fotográficos subaquáticos realizados pela própria banda, com os integrantes retratados submersos. A escolha cria uma ligação direta com o nome Abissal e com as criaturas das zonas abissais, e também representa a profundidade das emoções humanas.
Na proposta da banda, a água funciona como filtro simbólico. É nela que flashes de acontecimentos passados emergem, se deslocam e são purificados. A imagem subaquática traduz a jornada de introspecção das músicas e reforça a unidade entre som, conceito e estética nesta nova fase.
De “Sutra” a Flashes
Formada por Murilo Ferragut na voz e guitarra, Bruno Cavalcanti no baixo, Dan na guitarra e Uncas na bateria, a Abissal desenvolveu sua identidade a partir do rock alternativo e do grunge dos anos 1990. Nos trabalhos recentes, o quarteto ampliou esse repertório com elementos de dream pop, indie e post-rock.
A mudança ganhou forma em março com Sutra, EP de cinco faixas lançado pela Casalago Records. O trabalho percorre temas como espiritualidade, autoconhecimento, elaboração de traumas e catarse, alternando guitarras densas, passagens contemplativas e construções instrumentais expansivas.
Composto por “Sutra”, “Ouroboros”, “Meu Templo”, “O Caminho” e “Miracéu”, o EP estabeleceu uma linguagem mais atmosférica para a banda. A produção de Gui Godoy teve papel central nesse processo, especialmente na experimentação com timbres, na pré-produção dos arranjos e no equilíbrio entre peso e silêncio.
Lançada em junho, “Ametista” abriu o ciclo de Flashes. A faixa transforma lembranças em dissolução em uma progressão que começa contida, ganha novas camadas e desemboca em um final instrumental de maior carga emocional. Se Sutra olhava para a espiritualidade e para a elaboração de conflitos internos, o novo EP se concentra na maneira fragmentada como as memórias reaparecem.
“Floresta” amplia esse conceito ao tratar a passagem do tempo pelo campo da renovação. Dentro de Flashes, a música ocupa um espaço mais rítmico e luminoso, mostrando que o novo repertório da Abissal também pode encontrar profundidade em estruturas enxutas, melodias abertas e movimentos de energia.
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