FBC apresenta primeira fase de “Skarnaval” com EP dedicado à infância
“Depois de dois álbuns planfetários, eu queria fazer uma coisa mais leve. Como eu tinha acabado de fazer um álbum de punk, pensei: por que não fazer um de ska agora? E a ideia desse projeto é contar a história de um personagem, desde a infância até a vida adulta. Eu queria trabalhar muito essa coisa do ‘por quê?’ que a criança tem, sabe? Essa curiosidade de querer entender tudo, de questionar as coisas, que em algum momento da vida a gente acaba perdendo”, explica FBC.
Com sonoridade ska e uma abordagem lúdica, o primeiro capítulo de “Skarnaval” parte do olhar infantil para falar sobre liberdade, convivência, descobertas e formação da identidade. É em situações aparentemente simples do cotidiano que FBC apresenta o personagem que conduzirá toda a narrativa, ainda observando o que está ao seu redor com a curiosidade e a espontaneidade próprias dessa idade.
Entre desejos, brincadeiras e pequenas insatisfações, o EP planta questões que ganharão novos significados conforme esse personagem cresce. O que agora aparece em meio à imaginação e à inocência será atravessado por outras experiências nos próximos capítulos, transformando também sua maneira de enxergar a realidade.
É nesse capítulo inicial que surge “Greve das Crianças”, faixa-foco do EP, com participação especial de Fernanda Takai, integrante do Pato Fu. Construída como uma espécie de manifesto infantil, a música transforma reclamações e fantasias em uma divertida lista de reivindicações: usar fantasia na escola, ter videogame como matéria obrigatória, cinco finais de semana por semana e até decretar a proibição mundial das segundas-feiras.
“Essa faixa é o primeiro momento em que a criança começa a perceber a exploração e a desigualdade. Só que ela ainda não consegue entender que aquilo é a exploração do trabalhador, que é o capitalismo agindo. Ela só percebe que o pai chega cansado em casa e não tem tempo para brincar. E, ao longo do álbum, eu vou construindo essa percepção nas faixas, até chegar o momento em que a consciência de classe aparece de fato. É quando o personagem olha para a própria vida e entende: ‘Meu pai passou por isso, eu cresci vendo isso e agora sou eu que estou vivendo a mesma coisa’.” comenta FBC.
Por trás da brincadeira, no entanto, a faixa apresenta uma das primeiras pistas das questões que atravessam “Skarnaval”. Quando as crianças observam os pais sempre cansados e com pouco tempo para descansar, brincar ou ficar em casa, a “greve” contra as regras dos adultos ganha outra camada. De maneira bem-humorada, a canção introduz os primeiros questionamentos sobre o trabalho e sua presença na rotina familiar, antecipando discussões que ganharão novas dimensões à medida que o personagem cresce.
O ska funciona como fio condutor da obra, dialogando com a cultura popular brasileira e com a atmosfera do carnaval de rua. Entre festa, humor e afeto, “Skarnaval” abre espaço para uma leitura crítica da realidade brasileira sem abandonar a leveza de sua proposta. A cada etapa, o personagem amadurece e muda também sua forma de compreender o lugar que ocupa na sociedade.
Depois da estreia em outubro, FBC dá continuidade à narrativa em novembro, com um segundo EP dedicado à adolescência, explorando conflitos, experiências e descobertas características desse período. Em dezembro, o ciclo se completa com a chegada do álbum “Skarnaval”, reunindo as músicas apresentadas nos dois EPs e novas faixas voltadas à vida adulta.
Todas as faixas do EP serão acompanhadas por visualizers animados, disponíveis no canal oficial de FBC no YouTube.
MANIFESTO “SKARNAVAL”, escrito por Renato Amaral e Luiz Ramos
CRIANÇAS COM FUTURO
conceito e direitos.
Criança. Aquele que está sendo criado / Ser em formação. A palavra vem do latim creantia, uma derivação do verbo creare (gerar, produzir, criar), acrescido do sufixo -ança, que indica uma ação. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as crianças são as pessoas com até 12 anos incompletos. Ainda segundo a Lei, é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Quanto à saúde e à vida, cabe ao Estado garantir as políticas públicas que assegurem o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Quanto à liberdade, o respeito e a dignidade as crianças têm direito de brincar, divertir-se, praticar sua crença, ir e vir, opinar, participar da vida política, praticar esportes e viver — sem descriminção. Compete ainda aos pais prestar aos filhos assistência afetiva.
dos filhos deste solo és pai hostil
No Brasil existem cerca de 34,2 milhões de crianças. Dados do Cenário da Infância e da Adolescência de 2026, publicação da Fundação Abrinq, em 2024, 15,4 milhões viviam em estado de pobreza e 5,5 milhões em pobreza extrema, dessas últimas 1,5 milhão são brancas e 4 milhões são negras. Os índices de pobreza estão profundamente ligados à desnutrição, falta de desenvolvimento social e educacional.
em 2025 foram resgatadas mais de 4,3 mil crianças em situação de trabalho infantil maior número da década.
Nos dois primeiros anos do Governo Tarcísio de Freitas o número de assassinatos de crianças e adolescentes mais que dobraram. 1 em cada 3 mortes violentas de crianças em São Paulo são em decorrência da ação policial.
O 20o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 aponta que embora as mortes violentas de crianças tenha reduzido em 10,8%, as mortes causadas por ações policiais cresceram. Em 2025 foram 428 crianças e adolescentes mortos por intervenção policial.
a escala 6x1, escravidão assalariada, extrai tudo que pode das mães e dos pais, que chegam em casa exaustos e não conseguem sequer brincar com seus filhos, ensinar-lhes a lição ou conversar. Para os filhos que choram, a saída é entregar o celular na mão para que se distraiam com alguma coisa. Enquanto para as mães e pais que choram diante do cansaço e da incerteza se conseguirão alimentar seus filhos, a saída é depositar em Deus e nos jogos de azar a possibilidade de um futuro melhor.
pense nas crianças mudas telepáticas
O trecho da canção “Rosa de Hiroshima” escrita por Vinícius De Moraes, com melodia Gerson Conrad e eternizada na voz de Ney Matogrosso, relata as consequências do ataque nuclear feito pelos Estados Unidos ao povo de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. As crianças ficaram mudas pelo trauma, pelos ferimentos e pelas mortes.
O imperialismo segue deixando crianças mudas e telepáticas. Na Palestina, Israel já matou ou feriu mais de 64 mil crianças. Em fevereiro deste ano os Estados Unidos bombardearam uma escola iraniana. Já são mais de 3 mil vítimas infantis da guerra da Ucrânia e da Rússia. O sistema capitalista apodrecido odeia nossas crianças.
contabilizando o tempo de leitura desse texto até aqui, cerca de 20 crianças morreram de fome no mundo.
emergência!
um choque rápido ou o futuro morre de infarto! Não é preciso ser doutor para saber que a maneira mais simples de exterminar um povo é matando suas crianças. O modo mais rápido, também, de esvaziar a alma de uma classe é acabando com sua cultura e com sua infância. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias? Simples! Basta injetar um pouco de energia na juventude e estimular o que ainda resta de fertilidade na alma do povo trabalhador.
é hora do enfrentamento. Enfrentar quem ousa envenenar nossas crianças com dopamina barata, quem ousa matar nossas crianças de fome, de bala ou de doença. Que tal apresentar novas brincadeiras para uma criança que você conhece, como amarelinha, pipa, bolinha de gude ou esconde-esconde? Que tal ter mais paciência com os por quês e gastar mais tempo com os abraços?
mas isso não é o suficiente. É preciso reduzir a jornada de trabalho. Aumentar o salário mínimo. É preciso mais investimento na saúde e educação públicas. É preciso que os alimentos produzidos no Brasil sirvam para alimentar o povo antes de exportar. É preciso se revoltar, se organizar e derrubar o sistema capitalista e o imperialismo.
É hora da mudança,
Pelo direito de ser,
brincar,
comer,
desenvolver e
continuar sendo.
Vai começar a greve das crianças!
Brasil. 2026.
“Skarnaval” já está disponível em todas as plataformas digitais via ONErpm.

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