Caruaru reúne jovens pernambucanos em Círculo de Cultura
Dezenas de jovens e agentes culturais de diferentes regiões de Pernambuco compartilharam, em Caruaru, experiências de mobilização, comunicação e articulação desenvolvidas em seus territórios. Representantes do Agreste, Sertão, Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife participaram do Círculo de Cultura: Território, Participação e Comunicação Popular, que aproximou vivências de comunidades quilombolas, povos indígenas, periferias e áreas rurais.
Realizado em 29 de setembro, no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o evento reuniu Agentes Territoriais de Cultura, comunicadores, artistas, produtores culturais e estudantes. A programação promoveu a troca de experiências sobre atuação cultural nos municípios e o acesso às políticas públicas de cultura.
O evento foi realizado pelo Comitê de Cultura em Pernambuco, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo do Brasil, em parceria com o Centro Acadêmico do Agreste da UFPE. A Secretaria de Cultura de Pernambuco também esteve representada Gerente de Políticas Culturais e Thays Melo, coordenadora de cultura popular no Estado.
Os Agentes Territoriais de Cultura (ATCs) são bolsistas do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC). Selecionados por meio de editais dos Institutos Federais, eles atuam em seus municípios e regiões com ações de mobilização, formação, comunicação e articulação cultural junto a artistas, grupos, coletivos, instituições e comunidades.
No Auditório Luiz Gonzaga, experiências de diferentes territórios deram o tom das discussões. Os relatos mostraram como a atuação cultural acontece em comunidades quilombolas, povos indígenas, periferias, áreas rurais e municípios do interior, além dos desafios enfrentados por quem trabalha para ampliar o acesso às políticas públicas de cultura.
Para Joana D’Arc Ribeiro, coordenadora-geral do Comitê de Cultura em Pernambuco, o Círculo de Cultura reforçou a importância da escuta e da participação de quem atua diretamente nas comunidades.
“Quando a gente reúne quem está na ponta, consegue entender onde a política cultural está chegando, quais dificuldades ainda existem e construir caminhos junto com quem faz cultura nos territórios”, afirmou.
No Agreste, a Agente Territorial de Cultura Jamile Hiast compartilhou experiências desenvolvidas em comunidades quilombolas e áreas rurais. “A cultura se faz de dentro para fora”, resumiu.
Beatriz Souza, Agente Territorial de Cultura que atua na Região Metropolitana do Recife, destacou a importância da organização coletiva para fortalecer as redes culturais. “A gente só pode sair do lugar se a gente se organizar”, disse.
A presença do poder público nos territórios também fez parte das discussões. Carlos Augusto, do Escritório do Ministério da Cultura em Pernambuco, destacou a importância da aproximação com artistas, grupos e comunidades. “Não tem como a gente atuar no território sem estar no território”, pontuou.
No período da tarde, a comunicação popular ganhou espaço na programação. O jornalista Salatiel Cícero, da assessoria de comunicação do Comitê de Cultura em Pernambuco, apresentou a oficina “Comunicação Popular: estratégias de divulgação para a popularização dos Direitos Culturais”, conduzida pela realizadora audiovisual Gabriella Ambrósio.
A atividade discutiu caminhos para tornar informações sobre direitos culturais, editais, programas e políticas públicas mais simples e acessíveis, além de estratégias para fortalecer a comunicação produzida a partir da realidade de cada território.
A programação também apresentou experiências de comunicação desenvolvidas no ambiente acadêmico. A professora e pesquisadora na área de cinema e audiovisual Amanda Mansur, do Núcleo de Design e Comunicação da UFPE, apresentou a experiência da Revista Spia. A participação fez parte da parceria do Centro Acadêmico do Agreste da universidade com o Comitê de Cultura em Pernambuco para a realização do Círculo de Cultura.
O encontro contou ainda com a participação da Batalha do Pátio. Formado por jovens, o grupo promoveu uma intervenção cultural com poesia, rima e freestyle, levando para a programação formas de expressão e comunicação construídas pelas juventudes a partir de suas vivências e territórios.
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