AMARAVIDA, projeto de Lucas Arissa, estreia tirando os ídolos do pedestal
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O AMARAVIDA é o projeto autoral de Lucas, 34 anos, tradutor, professor de idiomas e formado em Letras, hoje morando em Praia Grande, no litoral paulista. Ele compõe, produz e convida outros músicos para colaborar a cada canção.
"Pergunta Lá Para Os Seus Heróis", uma balada semi-acústica, entre violão e efeitos, foi a primeira música que escreveu depois de deixar o Hurry Up, em 2019, e abre o caminho para um segundo single, em novembro, e para um EP bilíngue.
"A ideia é simples: compartilhar, com o máximo de sinceridade, recortes da nossa vida que expõem a nossa humanidade. O que há de belo, grotesco, surreal e contraditório nisso tudo", resume Lucas.
Heróis de carne e osso
A canção se constrói em torno de uma pergunta repetida verso após verso, como um refrão que volta sempre com uma nova provocação. Um deles diz: "Pergunta lá para os seus heróis se tanto amor e promessa vale para depois da festa, quando as luzes do palco se apagam".
Lucas conta que a estrutura tem parentesco com um clássico da canção de protesto. "O mote é sempre 'Pergunta lá para os seus heróis' e mais alguma provocação na letra. Algo meio 'Blowin' in the Wind', do Bob Dylan, que sempre começa com 'How many…'."
O alvo, porém, não são os ídolos, e sim o pedestal onde o público os coloca. "
A ideia não é criticar nossas referências, mas sim criticar nossa idealização delas, o que as desumaniza. Não estaríamos sendo injustos ao colocar em nossos heróis expectativas que eles mesmos nunca conseguirão cumprir por serem simplesmente pessoas como nós?", questiona.
A reflexão nasceu, ele confessa, de uma inquietação pessoal. "Tive a sorte de conhecer vários dos meus heróis e cheguei à feliz conclusão de que são tão de carne e osso quanto os heróis que tenho na minha família. Isso me ajudou a crescer como ser humano."
Humano e divino
Lucas afirma que as canções do AMARAVIDA possuem sempre dois lados, o humano e o etéreo, buscando trazer uma realidade espiritual.
Em "Pergunta Lá Para Os Seus Heróis", entre os ídolos que falham e encantam justamente por serem humanos, surge a figura de Jesus Cristo como o herói que não decepciona, em versos como "se te conhecem por nome, se pagam sangue e morte apenas para te ver são e salvo em casa" e "e levou a minha surra no meu lugar".
"Agradeço a Ele, Jesus, igualmente humano e divino, que me disse um dia que é vida, verdade e o caminho sem o qual eu não estaria de pé hoje e não teria feito as canções que vocês vão ouvir", afirma.
É dessa ideia que vem o nome do projeto. "AMARAVIDA é acolher todo momento da vida, bom ou ruim, sentindo tudo e escolhendo deliberadamente a postura do amor, da graça e da paz, por mais duro que isso possa ser. Espero conseguir fazer isso bem um dia."
A capa segue a mesma linha: uma praia sob um céu que Lucas descreve como "intimidante de tão lindo", com a silhueta de duas pessoas caminhando de mãos dadas.
"Diante da grandeza que existe em nossa vida, nossos heróis são capazes de nos segurar pela mão para enfrentar e se encantar pelo que vier pela frente? Me interrogo sobre isso mantendo a esperança eterna de que a resposta é sim."
Do punk ao violão
Lucas integrou o Hurry Up de 2006 a 2019, tocando um punk que ele mesmo define como emocional e catártico. Depois de sair da banda, passou a tocar apenas na igreja, onde o violão ganhou espaço sobre a guitarra. Ao mesmo tempo, conversava com o irmão sobre artistas como Elliott Smith e Death Cab for Cutie. "Estava com vontade de fazer uma música mais orientada pelo violão e pelo teclado", lembra.
A gravação aconteceu no Hup Sounds, estúdio e casa de shows de Americana criado pelos integrantes do Hurry Up e mantido até hoje por Cláudio Cestare Jr. As captações ficaram a cargo de Bruno "Menega" Meneghel. "Fiz questão de organizar essa gravação lá, com os caras que sempre me fortaleceram desde que comecei a tocar guitarra, aos 14 anos. Vida longa ao Hup! Bandas, conheçam esse local", diz Lucas.
A mixagem foi feita por Clay Borges, no Clay Borges Home Studio, em Praia Grande. O solo de trompete que encerra a faixa é de Giovane, antigo professor de trompete de Lucas.
Sublime e catártico
Entre o emo, o indie e o post-rock, a sonoridade do AMARAVIDA reúne violões intimistas, teclados profundos, trompetes singelos e guitarras distorcidas, alternando momentos contidos e explosões conforme a emoção de cada canção. No single de estreia, violão e teclado conduzem a música, e o trompete fecha a faixa.
"Sempre gostei de bandas que tinham a pegada mais lenta e profunda, com um som cadenciado, respeitando o espaço entre as notas e cantando baixinho, e isso não encaixava no punk emocional do Hurry Up", explica.
As referências desenham o repertório de quem começou a tocar em meados dos anos 2000. De um lado está o emo e o indie norte-americanos de Death Cab for Cutie, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Motion City Soundtrack e Manchester Orchestra.
De outro, a canção intimista de Elliott Smith e do Bruce Springsteen de "Nebraska" (1982), o pop confessional de Alanis Morissette e o emo brasileiro de Cinedisco e Zander.
"Temos multidões dentro de nós mesmos, e a música permite a essas multidões conversarem entre si", define Lucas.
Próximos passos
"Pergunta Lá Para Os Seus Heróis" também ganha um lyric video no YouTube. Em novembro sai o segundo single, e na sequência vem um EP com seis faixas: três canções em português e suas versões em inglês.
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