Recife ganha rota de turismo de favela pela ancestralidade e cultura negra
Quem viaja ao Recife costuma encontrar no roteiro o casario histórico, as pontes, os mercados populares, o frevo e a orla de Boa Viagem. A partir do próximo sábado, 22 de agosto, uma nova experiência convida turistas e moradores a mudar o caminho e descobrir a cidade por ruas, becos e vielas da Zona Norte, em uma caminhada guiada pela ancestralidade e pela cultura negra.
A Kizomba das Raízes — Alto José do Pinho: Fé, Terra e Rebeldia marca a implantação de uma rota de Turismo de Favela na capital pernambucana. O percurso terá 2,1 quilômetros, cerca de três horas de duração e 15 pontos de experiência. Casas de moradores e artistas, espaços culturais e religiosos, pequenos negócios, mirante, praça, clube e escola entram no mapa turístico.
A iniciativa é um projeto de economia criativa idealizado e implantado pelo Afoxé Ylê de Egbá, que completa 40 anos na segunda-feira, 17 de agosto. O local é Ponto de Cultura desde 2018 e, foi, reconhecido, também, no ano de 2023, como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife.
A caminhada, que teve consultoria e planejamento do artista e guia de turismo Fernando Lopes, que é morador local, começa às 13h, no Sesc Casa Amarela. Entre as paradas estão o Mirante do Castanha, o Maracatu Estrela Brilhante, a Tribo Tapirapé, o Clube Bom Sucesso e as casas de personagens ligados à vida cultural local, como Canibal, Adilson Ronruna e Zé Brown. Sabores do cotidiano também aparecem no percurso, com picolé, dudu e o Caldinho do Bill.
A ancestralidade funciona como fio condutor. O público passa pela antiga e pela atual sede do Ylê de Egbá, conhecendo uma história atravessada pela religiosidade, música, dança, oralidade e memória afro-brasileira. O circuito termina no Espaço Poeses, com uma roda de conversa, seguida pela celebração dos 40 anos do Afoxé.
A nova rota se soma a experiências de turismo criativo de base comunitária já desenvolvidas na Zona Norte. No Morro da Conceição, visitantes percorrem ruas, escadarias e mirantes, conversam com moradores e podem participar de oficinas de percussão com mestres batuqueiros locais. O território também reúne manifestações que vão do samba, coco e maracatu rural ao hip-hop, reggae, brega-funk, forró e capoeira.
Para quem chega ao Recife de férias, a negócios, para eventos ou durante a temporada de cruzeiros, a proposta amplia o repertório para além dos circuitos tradicionais. Mais do que visitar uma comunidade, a experiência aproxima o viajante das pessoas que produzem cultura, preservam memórias e movimentam a economia local.
Este projeto é realizado com incentivo da Secretaria de Cultura do Recife, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Prefeitura do Recife, por meio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC).
Serviço
O quê: Recife ganha rota de turismo de favela pela ancestralidade e cultura negra
Quando: sábado, 22 de agosto de 2026, às 13h
Onde: saída do Sesc Casa Amarela — Av. Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira, Recife
Valor: R$ 50 por pessoa
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