“Mukua” é o nome dado aos frutos do baobá e inspira a proposta do projeto: captar, por meio da fotografia, a personalidade, a história e a relação simbólica de cada árvore com os espaços e com as pessoas que convivem com ela. O trabalho busca revelar os baobás não apenas como elementos da paisagem, mas como sujeitos históricos, guardiões de narrativas e afetos.
O registro fotográfico foi realizado com o uso combinado de câmeras digitais, analógicas e instantâneas (polaroid), conferindo às imagens um caráter mais orgânico e experimental. Ao final da pesquisa, foram selecionadas aproximadamente 30 fotografias, que integram a exposição virtual. O ambiente digital oferece ao público uma experiência informativa e emocional, apresentando uma perspectiva inédita sobre os baobás existentes em Pernambuco.
O projeto contemplou o registro de baobás já mapeados anteriormente por Mateus Guedes. Ao todo, 13 árvores estão localizadas no Recife, incluindo exemplares emblemáticos como o Baobá da Praça da República, o Baobá da Faculdade de Direito e o Baobá do Jardim do Baobá, nas Graças. A pesquisa também se estendeu a outros territórios do estado, com o registro de três baobás seculares em Ipojuca, entre eles o Baobá da Vila de Nossa Senhora do Ó, com mais de 300 anos de existência, considerado uma verdadeira relíquia da flora brasileira. O percurso incluiu ainda os municípios de Vicência, na Zona da Mata, e Limoeiro e Sanharó, no Agreste, ampliando o olhar sobre a presença e a diversidade desses gigantes ancestrais em contextos urbanos e rurais.
Como ação de contrapartida social, o projeto promoveu uma visitação guiada ao Baobá do Jardim do Baobá, na Zona Norte do Recife, com alunos do 7º ano da Escola Municipal Marechal Rondon, localizada em Tejipió. A atividade contou com o acompanhamento do professor de História Davi Costa, que conduziu uma explanação sobre a origem do baobá, seus múltiplos significados, sua importância histórica e cultural, a relação com o período da escravidão e a simbologia da árvore no imaginário popular. Durante a visita, também foi abordada a relação do baobá com o Rio Capibaribe, às margens do qual o parque está localizado. Ao final da atividade, os estudantes participaram de um momento de convivência, com lanche oferecido pelo projeto.
O “Mukua” dá continuidade a uma pesquisa ampla e continuada desenvolvida por Mateus Guedes desde 2019, quando iniciou, de forma independente, o estudo sobre os baobás de Pernambuco. Em 2021, por meio da Lei Aldir Blanc, e em 2022, através do Funcultura, em parceria com Ana Sofia, Mateus dirigiu o projeto Raízes, primeiro mapeamento audiovisual dos baobás do Estado, reunindo registros detalhados sobre o contexto geográfico, social e simbólico dessas árvores. O material também está disponível no site (www.osbaobás.com.br). Mais recentemente, a dupla assinou o curta documental Jardim Ancestral, que vem circulando em festivais de cinema e tem lançamento previsto para 2027.
O projeto contou com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais das áreas de fotografia, produção cultural, design e acessibilidade, reunindo diferentes olhares e experiências na construção da exposição.
FICHA TÉCNICA:
Realização: Mateus Guedes e Ana Sofia (Tempoo)
Fotógrafo/Pesquisador: Mateus Guedes
Produção executiva: Ana Sofia
Produção: Ana Autran (NAM)
Assistência de produção: Vitor Pessoa e Rafael Cavalcanti
Design e webdesign: Estúdio Meio Fio
Direção criativa: Sombra
Acessibilidade: Daniele França
“Mukua” é uma produção conjunta das produtoras Tempoo, Deriva e NAM.

Nenhum comentário:
Postar um comentário