Luno entrelaça memória e imaginação em 'Seres de Pano', que antecede o álbum Mantracaru

 

Crédito: Gabriel Barretto

Pequenos bonecos de tecido ocupam uma casa antiga do interior. Entre linhas, retalhos e madeira, numa noite fria, o som distante de um sino marca a passagem das horas.
É nesse cenário de memória, artesanato e imaginário popular que o experiente artista sergipano Luno (do Plástico Lunar, referência do rock psicodélico brasileiro) situa 'Seres de Pano', segundo single de Mantracaru, seu próximo álbum. A música está nas plataformas digitais.


Ouça 'Seres de Pano' aqui: tratore.ffm.to/seresdepano


Criadas pelo compositor como figuras simbólicas, elas dão forma a questões ligadas à fragilidade, ao desejo e à manipulação. O pano, material que pode ser perfurado, costurado, remendado ou transformado, sustenta a metáfora de uma existência construída pelas decisões individuais, mas também pelas forças externas que deixam marcas e interferem na vontade.


A composição evita determinar quem controla esses personagens ou o que exatamente os conduz. A dúvida permanece no centro da narrativa: quanto de uma pessoa nasce de suas escolhas e quanto é produzido pelas mãos do mundo? A imagem dos seres costurados e modificados transporta essa pergunta para um território no qual o imaginário e o psicológico se encontram.


“A metáfora está nessa fragilidade: somos feitos de escolhas, mas também de pressões, desejos, relações e marcas que vão nos moldando. A música não dá uma resposta; ela deixa no ar a dúvida sobre até onde vai a nossa vontade e onde começa a influência do mundo sobre nós”, afirma o músico.


“Seres de Pano” também amplia o universo apresentado por “Colorida Barca”, primeiro single de Mantracaru. Se a faixa anterior se aproximava da partida, da transformação e da esperança, o novo lançamento conduz o disco a uma atmosfera misteriosa e simbólica, marcada pela sensação de que nem tudo o que nos move pode ser controlado.


“Achei importante que o segundo single ampliasse essa percepção e mostrasse que o álbum não segue uma única atmosfera, mas transita entre luz e sombra, esperança e tensão, encantamento e crítica”, explica Luno.


A construção sonora acompanha o avanço dessa narrativa. A faixa começa apoiada no piano acústico, em uma base íntima e melancólica, enquanto os efeitos sonoros delineiam seu ambiente imaginativo. Os arranjos de cordas e a percussão sinfônica aumentam gradualmente a intensidade até a chegada de uma progressão de riffs, com elementos de indie rock, psicodelia e rock progressivo.


Luno reconhece no single a influência das trilhas compostas por Danny Elfman para os filmes de Tim Burton, especialmente pela combinação de fantasia e teatralidade. A construção musical também estabelece uma aproximação com o Radiohead e acompanha uma faixa que muda de peso e dimensão ao longo de seus 4 minutos e 45 segundos.


Os arranjos de cordas são assinados pelo maestro James Bertisch, responsável ainda pelas gravações de tímpano e tam-tam, também identificado na ficha técnica como gongo sinfônico. Participam da faixa os músicos da Orquestra Sinfônica de Sergipe Thiago Salvino, no violoncelo; Fabíola Fontele, na viola; Junior Vanzella e Francisco Júnior, nos violinos. Gabriel Perninha toca bateria.


Produzida por Léo Airplane e Luno Torres, “Seres de Pano” antecipa um álbum concebido como uma travessia pelo cotidiano, pelo mítico e pela espiritualidade, com diferentes leituras sobre o comportamento humano.


“Acho que essas duas músicas já revelam que Mantracaru é um disco de contrastes fabulosos. Tem esperança, esquisitice, transcendência, crítica social, tudo convivendo em um mesmo universo. E ainda tem bastante coisa para aparecer: outras histórias e outros climas que atravessam o disco”, diz Luno.


O universo de Mantracaru

Oriundo da Plástico Lunar, referência do rock psicodélico brasileiro, e integrante da igualmente banda sergipana Banda dos Corações Partidos, Luno Torres construiu uma trajetória ligada aos festivais e à produção independente antes de lançar, em 2021, Homo Pacificus, seu primeiro disco solo.


Cinco anos depois, Mantracaru busca ampliar essa linguagem e aproxima a psicodelia brasileira do jazz, do rock progressivo, das sonoridades nordestinas e da música indiana.


Referências como A Barca do Sol, O Terço, Os Mutantes, Sá, Rodrix & Guarabyra, Ednardo e Tetê Espíndola atravessam uma obra que busca transformar inquietações, imagens e experiências em paisagens sonoras conectadas às raízes, ao misticismo e ao imaginário popular.


Este é um projeto realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura, Governo Federal, Governo do Estado de Sergipe e Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (FUNCAP/SE)


Ficha técnica - Seres de Pano

Lançamento: 12 de setembro de 2026, à 0h


Composição, letra e música: Luno Torres


Produção musical: Léo Airplane e Luno Torres


Produção executiva: Mirna Silveira e Luno Torres


Arranjos de cordas: maestro James Bertisch


Mixagem e masterização: Léo Airplane


Arte da capa: Gabriel Barretto


Comunicação: Alanna Molina e Tedesco Mídia


ARTE DA CAPA - SERES DE PANO V2.jpg

Músicos


Luno Torres: voz e baixo


Léo Airplane: piano acústico, sintetizador, teclado, guitarra, violão e efeitos sonoros


James Bertisch: tímpano e tam-tam/gongo sinfônico


Gabriel Perninha: bateria


Thiago Salvino: violoncelo


Fabíola Fontele: viola


Junior Vanzella: violino


Francisco Júnior: violino


LUNO nas redes

www.instagram.com/lunotorres


linktr.ee/lunotorres


LUNO - OFICIAL COLORIDA BARCA credito Gabriel Barretto

Crédito: Gabriel Barretto

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