Inovação redefine a produção de cachaça no Brasil
A cachaça, bebida com raízes que remontam ao período colonial, vive hoje um movimento de modernização. Nos engenhos e alambiques do país, tecnologia e tradição passam a caminhar lado a lado. O tema ganha espaço no Brasil Cachaças 2026, que dedica um dos eixos da sua programação de conhecimento ao painel sobre inovação tecnológica na destilaria moderna.
O debate mostra como fermentação controlada, destilação refinada e envelhecimento em madeiras nobres elevam o padrão sensorial e sanitário do produto artesanal, sem abrir mão da identidade regional que diferencia a cachaça de alambique da industrial.
A consolidação dos Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ) - conjunto de regras do Ministério da Agricultura que define parâmetros de composição, graduação alcoólica e higienização - tem estimulado produtores de pequeno, médio e grande porte a investir em tecnologia de fermentação, destilação e envelhecimento em madeiras nacionais e importadas. O resultado é uma bebida cada vez mais associada a um patamar premium, o que já se reflete no crescimento de 16,8% no número de marcas registradas no país em 2025.
Um dos capítulos mais decisivos dessa modernização acontece na fermentação, com a seleção de leveduras, que substitui o processo espontâneo e garante mais controle sobre aroma, padronização entre safras e segurança sanitária. A mesma lógica se estende ao envelhecimento, com o uso crescente de madeiras nativas como amburana (ou umburana), bálsamo e jequitibá ao lado do carvalho tradicional, cada uma agregando um perfil sensorial diferente. Já a digitalização está presente no controle de temperatura e umidade e monitoramento remoto dos tonéis que ajuda a reduzir perdas e uniformizar a qualidade de uma produção sazonal, concentrada entre o fim do inverno e o final do ano.
Para a organizadora do Brasil Cachaças, Fernanda Melo, dar palco a essa discussão técnica é também uma forma de valorizar o trabalho por trás de cada garrafa. "O que a gente vê no dia a dia dos produtores de todo o país são investimentos em equipamentos, estudos de fermentação e envelhecimento da bebida. O painel de inovação existe para mostrar o que está sendo feito hoje no Brasil para valorização da bebida legitimamente brasileira".
A expectativa da organização é que o painel reúna especialistas, pesquisadores e produtores que já implementaram mudanças tecnológicas em seus engenhos, criando um espaço de troca prática entre ciência e tradição.
A 6ª edição do Brasil Cachaças acontece de 28 a 31 de outubro, em João Pessoa. O evento começa no dia 28, no Auditório do Sebrae, com o VI Seminário Brasil Cachaças — etapa em que o painel de inovação tecnológica está inserido, ao lado de debates sobre mercado global e sustentabilidade. De 29 a 31 de outubro, a programação se abre ao público geral com a Feira de Exposição das Melhores Cachaças do Brasil, no Espaço Cultural José Lins do Rego, reunindo produtores de 13 estados, degustações, concursos de drinks e sobremesas, salão de queijos e shows diários. Os ingressos, com valores a partir de R$15,00, já estão à venda na plataforma Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/brasil-cachacas-2026-seminario-e-feira-das-melhores-cachacas-do-brasil/3269387?share_id=copiarlink
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