Turma da Jaqueira Segurando o Talo: história e tradição do Carnaval do Recife
Turma da Jaqueira Segurando o Talo: quando uma jaqueira virou símbolo do Carnaval do Recife
Tem troça que nasce de uma grande tradição.
E tem troça que cria a própria tradição.
É o caso da Turma da Jaqueira Segurando o Talo, uma das agremiações mais conhecidas do Carnaval do Recife e uma presença marcante nas prévias carnavalescas da Zona Norte da cidade.
Ligada à história da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a troça surgiu em 1984 e transformou uma simples reunião de motoristas debaixo de uma jaqueira em um dos capítulos mais divertidos da cultura carnavalesca recifense.
E quando o assunto é o Maior e Melhor Carnaval em Linha Reta do Planeta, a Turma da Jaqueira merece lugar de destaque.
Uma troça que nasceu de uma derrota
A história é daquelas que só o Carnaval poderia transformar em festa.
Em 1984, um grupo de motoristas da Fundaj apoiava a candidatura de Manoel Cavalcanti de Albuquerque Sá Neto para a presidência da Associação dos Empregados da instituição.
A candidatura perdeu.
Em vez de ficar apenas lamentando o resultado, o grupo resolveu transformar a frustração em alegria e colocou uma nova troça carnavalesca na rua.
Nascia a Turma da Jaqueira Segurando o Talo.
Entre os idealizadores estavam Edgar Alves da Silva, Ivanildo Roberto da Silva, José Carlos Silva, Paulo Coutinho, Jucilo Coutinho e Clóvis França. Manoel Cavalcanti, conhecido como Manoelzinho, assumiu a presidência.
De onde veio o nome Turma da Jaqueira?
O nome também nasceu de uma cena cotidiana.
Durante os momentos de folga, principalmente depois do almoço, os motoristas da Fundaj costumavam se reunir em um banco localizado embaixo de uma jaqueira, atrás do Museu do Homem do Nordeste.
Aquele ponto de encontro acabou batizando a troça.
Uma árvore, um grupo de amigos e muita vontade de brincar o Carnaval.
Foi assim que surgiu uma das marcas mais curiosas da folia recifense.
O frevo que virou identidade
A Turma da Jaqueira também construiu sua identidade musical.
O hino original da troça é um frevo-canção de Jucilo Coutinho, com partitura de Sebastião Vila Nova.
A música ajudou a transformar o nome da agremiação em um verdadeiro grito de Carnaval.
A tradição musical também ganhou reconhecimento em concursos ligados ao frevo. Em 2021, o hino da Turma da Jaqueira apareceu entre os vencedores do Concurso Nordestino do Frevo, na categoria específica dedicada à agremiação.
Do Jeep aos grandes arrastões
O primeiro desfile, em 1984, foi bem diferente das grandes estruturas que a troça passou a apresentar posteriormente.
A Turma da Jaqueira saiu em um Jeep, levando uma batucada e seu estandarte de madeira.
Cerca de cem foliões participaram daquele primeiro desfile.
No ano seguinte, a agremiação já contava com aproximadamente 180 associados e passou a desfilar acompanhada por orquestra de frevo e escola de samba.
A pequena brincadeira foi crescendo.
E crescendo muito.
Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro e Apipucos
A relação da Turma da Jaqueira com a Zona Norte do Recife é uma das características mais fortes da agremiação.
Em 1987, o percurso incorporou o Poço da Panela, bairro escolhido por sua importância histórica e pela forte tradição comunitária.
Com o passar dos anos, a troça consolidou sua presença principalmente em Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro e Apipucos.
É justamente nessa região que a Jaqueira construiu uma relação especial com os moradores e foliões.
Não é apenas um desfile.
É uma ocupação festiva da cidade.
Gilberto Freyre, Nelson Ferreira e os bonecos gigantes
A história da Turma da Jaqueira também se encontrou com dois grandes nomes da cultura pernambucana.
Depois da morte de Gilberto Freyre, em 1987, a tradicional jaca passou a ser entregue à viúva do sociólogo, Magdalena Freyre.
No ano seguinte, um boneco gigante representando Gilberto Freyre foi incorporado ao desfile.
Posteriormente, a troça também ganhou um boneco representando Nelson Ferreira, um dos grandes nomes da música carnavalesca pernambucana.
A presença desses personagens ajudou a aproximar ainda mais a agremiação da memória cultural de Pernambuco.
A Frevioca também entrou na folia
Outro capítulo importante aconteceu quando a Frevioca, criada pelo jornalista, historiador e carnavalesco Leonardo Dantas Silva, passou a participar dos desfiles da Turma da Jaqueira.
A mistura de orquestra de frevo, bonecos gigantes, estandartes e Frevioca ajudou a criar uma identidade visual e sonora própria para a agremiação.
Uma das grandes prévias do Carnaval do Recife
Décadas depois de sua criação, a Turma da Jaqueira deixou de ser apenas uma brincadeira de funcionários da Fundaj para se tornar uma das tradicionais grandes prévias do Carnaval recifense.
A própria Fundação Joaquim Nabuco registra a agremiação como uma das mais animadas prévias do Carnaval de Pernambuco, com forte presença de foliões da Zona Norte.
Em 2026, a troça celebrou 42 anos de história, levando novamente seus bonecos gigantes, música e folia para Casa Forte e Apipucos.
A Prefeitura do Recife também registrou operação especial de trânsito para o desfile daquele ano, com concentração na Avenida Dezessete de Agosto, em Casa Forte.
Por que a Turma da Jaqueira é tão importante para o Carnaval do Recife?
Porque ela reúne vários elementos que ajudam a explicar a força do Carnaval recifense:
- tradição;
- memória;
- frevo;
- cultura popular;
- bairros históricos;
- bonecos gigantes;
- participação comunitária;
- humor;
- identidade local;
- e, principalmente, a capacidade de transformar uma história simples em uma grande festa.
A Turma da Jaqueira mostra que o Carnaval do Recife não nasceu apenas de grandes palcos.
Ele também nasceu nas ruas, nos bairros, nas amizades e nas histórias que passam de geração para geração.
Segurando o Talo: uma história que continua
Mais de quatro décadas depois daquele primeiro Jeep, a Turma da Jaqueira continua fazendo aquilo que o Carnaval pernambucano sabe fazer como ninguém:
transformar memória em alegria.
A jaqueira que servia de ponto de encontro para os motoristas da Fundaj acabou virando símbolo de uma troça.
O protesto bem-humorado virou tradição.
E a brincadeira de 1984 entrou definitivamente para a história do Carnaval do Recife.
É por isso que, quando a Turma da Jaqueira Segurando o Talo coloca seu estandarte na rua, não está apenas começando mais uma prévia.
Está passando adiante uma história de mais de quatro décadas.
E no Recife, tradição boa é tradição que continua segurando o talo.
Acontece Santyago no Carnaval do Recife
O Acontece Santyago segue acompanhando os personagens, blocos, troças e agremiações que fazem do Recife o palco do Maior e Melhor Carnaval em Linha Reta do Planeta.
Porque Carnaval de verdade tem história.
E história boa merece ser contada.
Fonte histórica principal: Fundação Joaquim Nabuco — Pesquisa Escolar.
Fontes complementares: Prefeitura do Recife, Jornal do Commercio e registros históricos da Fundaj.

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