Mostra na Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, reúne arte e cores de Pedro Índio
As cores, os movimentos e a ancestralidade das manifestações populares de Pernambuco ocupam, a partir de então, a Galeria Pedra do Reino, no Centro Comunitário da Paz da Zona Oeste do Recife. A exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, do artista Pedro Índio, será aberta às 17h e permanecerá em cartaz até 4 de outubro, com visitação diária. A mostra integra a programação do Mês do Folclore e reúne uma série de pinturas inspiradas em manifestações como maracatu, frevo, pastoril e ciranda que são essência da cultura popular do Nordeste, que ganham força nas pinceladas deste artista olindense. “A arte de Pedro Índio são expressões maduras de um artista que sabe muito bem o que quer”, já dizia Bernardo Dimenstein, pintor, arquiteto e crítico de arte.
Mas, claro, mais do que reproduzir personagens e cenas festivas, o artista procura registrar os sentidos históricos e afetivos dessas tradições, revelando como elas atravessam gerações e participam da construção da identidade cultural pernambucana. Pintor, escultor, entalhador, compositor e músico, Pedro Índio nasceu no Recife, vive em Olinda e é descendente do povo Fulni-ô, de Águas Belas, no Agreste pernambucano. Essa ligação com diferentes territórios e referências culturais aparece em uma trajetória dedicada à memória, às raízes populares e à valorização dos conhecimentos transmitidos entre gerações.
“Falar de Pedro Índio e de sua obra é uma tarefa simples pelo fato de Pedro ser um artista cuja obra se apresenta de uma leitura direta, forte, sem artifícios, e é também tarefa difícil porque Pedro na sua multiplicidade de linguagens: escultura, pintura, desenho e gravura, deixa ao espectador a oportunidade de conhecer diversas potencialidades de sua criação. Poucas vezes vamos encontrar um artista que através de seu trabalho demonstra tanto amor pela forma e tamanha facilidade de deixar sua marca pessoal em tudo o que faz”, declarava Bernardo Dimenstein.
Em suas pinturas, o artista transita entre o realismo e o simbolismo. Corpos em movimento, indumentárias, instrumentos, ritos e personagens ganham uma dimensão que vai além do registro visual. As obras procuram traduzir a energia coletiva das brincadeiras populares e, ao mesmo tempo, chamar atenção para a necessidade de preservar os grupos, os mestres e as comunidades responsáveis por manter essas manifestações vivas.
O título da exposição coloca lado a lado dois conceitos que se completam. O folclore reúne conhecimentos, crenças, narrativas, costumes e modos de fazer compartilhados por uma comunidade. Os folguedos, por sua vez, traduzem parte desse patrimônio em música, dança, representação, religiosidade, festa e convivência coletiva que, em Pernambuco, permanecem em constante transformação. Essas manifestações preservam referências indígenas, africanas e europeias, mas também dialogam com as mudanças sociais, com as novas gerações e com os territórios onde são recriadas.
Realizada dentro de um equipamento público de convivência e cidadania, a mostra também amplia o acesso da população às artes visuais. A curadora e gerente da Galeria Pedra do Reino, Ana Veloso, destaca que a exposição convida o público a reconhecer, por meio da arte, “a riqueza e a diversidade das tradições populares que permanecem vivas e se renovam no tempo”. Não é à toa que a escolha do Compaz como espaço expositivo aproxima a produção artística de crianças, jovens, famílias e moradores da região, fazendo da galeria não apenas um lugar de contemplação, mas também de formação cultural.
Esse encontro ganha importância em um período no qual muitas manifestações populares enfrentam dificuldades para manter sedes, renovar seus integrantes, preservar acervos e assegurar condições de trabalho aos mestres e brincantes. Ao transformar essas expressões em tema de pinturas e de uma publicação, Pedro Índio contribui para documentar práticas culturais que não podem depender apenas da memória oral ou dos períodos festivos para alcançar visibilidade.
Cultura em permanente movimento - A abertura também será marcada pelo relançamento do livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, publicação que reúne 35 obras de Pedro Índio e uma pesquisa sobre expressões culturais do Estado. Durante o vernissage, o artista fará ainda uma performance musical, aproximando as artes visuais da música e reafirmando a natureza múltipla de sua produção.
Lançado originalmente em novembro de 2024, durante a Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto, o livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos” nasceu como parte de um projeto de circulação e valorização da cultura popular incentivado pela Lei Rouanet.
A publicação combina as imagens produzidas por Pedro Índio com informações sobre manifestações como caboclinho, ciranda, frevo, pastoril e maracatu. A proposta é tornar o conteúdo acessível a estudantes, educadores, pesquisadores, turistas e leitores interessados na diversidade cultural pernambucana. Por isso, também foram desenvolvidos recursos de acessibilidade, entre eles conteúdos com audiodescrição e material em inglês, ampliando o contato de pessoas com deficiência visual e de leitores estrangeiros com a obra.
O relançamento do livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos” durante a abertura permite que o público conheça as pinturas e, ao mesmo tempo, se aproxime das histórias, dos personagens e dos contextos que envolvem cada manifestação com textos do historiador Antonio Campos. Já a performance musical evidencia que, para Pedro Índio, pintura, música e cultura popular não estão separadas: fazem parte de um mesmo processo de criação e pertencimento.
Sobre Pedro Índio - Pedro Índio é um renomado artista visual de Olinda, Pernambuco, conhecido por sua dedicação à preservação e promoção das tradições culturais nordestinas. Com um estilo marcante que mescla realismo e simbolismo, Índio retrata em suas obras manifestações populares como o Maracatu, Frevo, Pastoril e Ciranda. Suas criações em óleo sobre Eucatex capturam a essência das danças, dos ritos e das celebrações, buscando preservar o legado e a história dos folguedos pernambucanos. Além de artista, Pedro Índio também é pesquisador, empenhado em difundir a cultura regional e em torná-la acessível a públicos diversos.
Serviço
Exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, de Pedro Índio
Abertura e relançamento do livro: Terça-feira, dia 01 de Setembro, às 17h30
Programação de abertura: vernissage, relançamento e performance musical do artista
Período da mostra: Até dia 4 de outubro de 2026
Visitação: diariamente, das 9h às 17h
Local: Galeria Pedra do Reino – Compaz Ariano Suassuna
Endereço: Avenida General San Martin, 1.208, Cordeiro, Recife
Entrada: gratuita
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