Construção civil mantém geração de empregos em alta, mas setor alerta para desafios econômicos



O setor chega à marca de 3,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada no país. Paraíba contribui com cerca de 57,6 mil empregos, a maioria em João Pessoa

A construção civil segue como um dos principais motores do mercado de trabalho no Brasil. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o setor criou 154.448 novos postos de trabalho com carteira assinada nos primeiros cinco meses do ano. O resultado representa uma alta de 3,78% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 148.829 vagas.




Com esse desempenho, o setor encerrou o mês de maio com um estoque de 3,1 milhões de trabalhadores formais, um avanço de 0,35% em relação a abril e 3,03% superior a maio de 2025. Do total de mais de 3 milhões de trabalhadores da construção civil no país, a Paraíba contribui com mais de 57,6 mil trabalhadores, sendo que 30,3 mil atuam em João Pessoa.


Para Ovídio Maribondo, vice-presidente de Assuntos Trabalhistas e Política Sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), os números confirmam o protagonismo do segmento. “A construção civil possui um forte efeito multiplicador. Cada novo empreendimento movimenta uma extensa cadeia produtiva, gera empregos diretos e indiretos e contribui diretamente para o desenvolvimento das cidades. Os dados do Caged reforçam essa importância estratégica para o país”, afirma.




Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, o mês de maio apresentou um ritmo mais moderado, registrando a abertura de 12.096 vagas (fruto de 211.581 admissões contra 199.485 desligamentos). Este foi o menor saldo mensal de 2026.




Segundo Maribondo, o freio nas contratações está diretamente ligado às incertezas do cenário macroeconômico. “O setor acompanha com atenção fatores como a elevada taxa de juros, o aumento nos custos dos insumos e as incertezas econômicas. Esses elementos pesam na tomada de decisão de investidores e empresários, podendo reduzir o ritmo de novos lançamentos e, consequentemente, impactar a geração de empregos”, destaca o dirigente do Sinduscon-JP.




No recorte por segmentos, as Obras de Infraestrutura lideraram a criação de vagas em maio, com um saldo de 8.916 novos postos. Em seguida aparecem a Construção de Edifícios (2.271 vagas) e os Serviços Especializados para a Construção (909 empregos).




Para Ovídio, o avanço da infraestrutura demonstra o impacto dos investimentos públicos e privados. “Quando há investimentos consistentes em obras estruturantes, o resultado aparece na criação de oportunidades, na melhoria da competitividade do país e na atração de novos negócios”, ressalta.




Perspectivas para o segundo semestre



De acordo com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a expectativa é que os investimentos em infraestrutura alcancem R$ 300 bilhões em 2026. Como base de comparação, em 2025 cerca de 80% dos R$280 bilhões injetados no segmento vieram da iniciativa privada.




Para garantir que o setor continue no ritmo de crescimento, Ovídio Maribondo reforça a necessidade de estabilidade. “Temos um setor resiliente e com enorme capacidade. Contudo, para que esse potencial seja plenamente aproveitado, é fundamental avançarmos em medidas que proporcionem segurança jurídica, acesso ao crédito e condições favoráveis para o investimento produtivo”, conclui Maribondo.

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