Auricéia Fraga celebra 80 anos de vida e cinco décadas de carreira em espetáculo autobiográfico no Teatro Apolo
Dirigido por Rodrigo Dourado, o espetáculo pertence ao campo do biodrama e toma como ponto de partida a autobiografia da atriz. Em cena, Auricéia revisita sua infância, adolescência e juventude, narrando a trajetória de uma menina criada em uma família numerosa no interior de Pernambuco, em meio ao universo dos engenhos de cana-de-açúcar e às rígidas estruturas patriarcais que marcaram a sociedade brasileira entre as décadas de 1940 e 1960.
A narrativa acompanha a transformação dessa jovem que, nos anos 1970, encontra no teatro e na efervescência cultural da época um caminho para a liberdade. Sua entrada em grupos fundamentais da cena pernambucana, como o Vivencial, em Olinda, aproxima sua história dos movimentos de contracultura que marcaram o período e consolidaram uma geração de artistas comprometidos com novas formas de criação e de pensamento.
Em cena, duas personagens conduzem o espetáculo. A primeira é a própria Auricéia, que compartilha diretamente suas lembranças com o público. A segunda é Maria, personagem ficcional inspirada em sua trajetória, que oferece um olhar poético sobre essas memórias. Entre a narrativa documental e a elaboração teatral, a montagem constrói um diálogo permanente entre realidade e ficção, memória e invenção.
Mais do que contar uma trajetória individual, “Não se Conta o Tempo na Paixão” propõe uma reflexão sobre a preservação da memória dos artistas brasileiros. “Ao colocar em cena uma atriz octogenária em plena atividade, o espetáculo reafirma a importância daqueles que carregam consigo parte significativa da história do teatro, da cultura e da sociedade brasileira”, considera o diretor.
A montagem também celebra a permanência da infância na artista. Aos 80 anos, Auricéia Fraga revela vigor, humor e intensa presença cênica, reafirmando a capacidade de brincar, criar e reinventar-se, que acompanha toda grande trajetória artística.
Outro aspecto marcante do espetáculo é sua dimensão musical. Desde o início da carreira, Auricéia alimentava o desejo de ser cantora. Agora, esse sonho ganha forma em cena com a interpretação, ao vivo, de canções da música popular brasileira que atravessam sua memória afetiva. A atriz é acompanhada por três músicos, entre eles dois de seus filhos, além do diretor musical Kleber Santana, responsável pelos arranjos do espetáculo.
A encenação aposta em uma cenografia essencial, com poucos elementos, privilegiando a atuação da atriz e a força da palavra. Entre narração, música e interpretação, Auricéia percorre diferentes tempos de sua vida, transformando lembranças pessoais em uma experiência capaz de dialogar com a história de inúmeras mulheres brasileiras que, ao longo das últimas décadas, conquistaram autonomia, independência e novos espaços na sociedade.
Com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Recife), o espetáculo tem produção executiva de Clarisse Fraga, da Bureau de Cultura. As apresentações contarão com intérprete de Libras, facilitando o acesso das pessoas com deficiência.
SERVIÇO:
Espetáculo “Não se Conta o Tempo na Paixão” com Auricéia Fraga
Datas: 24 e 25 de julho
Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo – Recife. Rua do Apolo, 121.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada). A venda na bilheteria do Teatro a partir das 18h ou online pelo https://www.sympla.com.br/evento/nao-se-conta-o-tempo-na-paixao/3492816?algoliaID=40dc585920d693cbf0fa031e7164c400
FICHA TÉCNICA:
Direção: Rodrigo Dourado
Direção musical: Kleber Santana
Produção executiva: Clarisse Fraga | Bureau de Cultura
Acessibilidade: apresentações com interpretação em Libras.
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