Durante a visita, foi assinado um protocolo de intenções que prevê cooperação técnica e intercâmbio de conhecimento para avaliar a possibilidade de replicar o modelo brasileiro em outros países da América do Sul.
O programa é uma política pública do Ministério das Comunicações, executada em parceria com instituições como o IEC-Brasil, responsável pela operação de centros de recondicionamento e pela formação técnica de alunos que participam do processo de recuperação dos equipamentos.
A iniciativa chamou a atenção da fundação argentina por integrar três frentes estratégicas: a destinação adequada de resíduos eletrônicos, a capacitação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social e a ampliação do acesso à tecnologia em comunidades que ainda enfrentam exclusão digital.
“O que mais chamou a minha atenção foi a ampla área de atuação e influência que esse programa tem na sociedade, porque ele conecta educação, ecologia, reciclagem e cultura. É uma ideia inovadora que precisa ser replicada em outros países”, afirmou Gustavo Gutierrez, presidente da Fundación Nuevo Milenio.
Segundo o diretor executivo do Instituto de Inovação e Economia Circular do Brasil, Weldon Bispo, o intercâmbio internacional reforça o papel das instituições brasileiras na construção de soluções sustentáveis para a gestão de resíduos eletrônicos.
“Essa aproximação fortalece as instituições envolvidas e amplia as oportunidades de cooperação internacional. O Brasil já demonstra capacidade de inovar na gestão de resíduos eletroeletrônicos, aliando sustentabilidade, capacitação profissional e inclusão digital. A troca de experiências pode contribuir para que esse modelo seja aplicado em outros países da América do Sul”, destaca.
Como funciona o modelo
O programa Computadores para Inclusão opera a partir de três etapas principais. A primeira é a coleta de equipamentos eletrônicos descartados por bancos, órgãos públicos e empresas. Esses equipamentos são encaminhados para os CRCs, onde passam por triagem técnica.
Nos centros operados pelo IEC-Brasil, os equipamentos são analisados, desmontados e recuperados com a participação de alunos em formação, que aprendem na prática sobre manutenção de computadores, montagem de equipamentos e reaproveitamento tecnológico.
Após o recondicionamento, os computadores são doados a escolas públicas, associações comunitárias, projetos sociais, aldeias indígenas, comunidades quilombolas e instituições que atuam na inclusão digital.
Os componentes que não podem ser reaproveitados recebem destinação ambientalmente adequada, garantindo que o processo também contribua para a redução do lixo eletrônico.
Ao transformar resíduos tecnológicos em ferramentas de educação e oportunidade, o modelo executado pelo IEC-Brasil fortalece a economia circular e consolida o país como referência regional em iniciativas que conectam inclusão digital, sustentabilidade e desenvolvimento social.

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