Os sintomas da estenose podem variar desde dor durante o sexo (dispareunia) até dificuldades na penetração e desconforto constante. O diagnóstico geralmente envolve exames físicos, histórico médico e, em alguns casos, procedimentos de imagem. “Muitas pacientes com câncer de colo de útero acabam relatando desinteresse sexual após o diagnóstico e durante tratamento. Esse cenário pode causar vulnerabilidade emocional, por isso, é importante diagnosticar se houve desenvolvimento de estenose”, explica Silvia Fontan, oncologista da Multihemo Oncoclínicas.
Influência da Radioterapia
A técnica da braquiterapia, dentro da radioterapia, é uma das mais utilizadas no tratamento de cânceres ginecológicos. Ela é realizada no interior do canal vaginal e, mesmo trazendo benefícios, como a própria cura, o procedimento pode acarretar efeitos colaterais a médio e longo prazo. Um deles é a referida estenose vaginal, que acontece em aproximadamente 45% das mulheres com câncer de colo de útero e que passaram pelo tratamento.
“Durante a radioterapia, a estenose pode acontecer devido às radiações ionizantes que impedem o aumento de tumores, mas o seu acometimento também está ligado a características de cada paciente, além da quantidade de radiação utilizada e a intensidade do procedimento”, explica Silvia.
Outras alterações vaginais também podem ser percebidas como perda da elasticidade da vagina, diminuição do fluxo sanguíneo e da lubrificação e fibroses, gerando sentimento de estresse e tristeza, em muitas mulheres.
Tratamento e estudo
O tratamento da estenose dependerá da gravidade da condição e das necessidades individuais da paciente. As opções podem incluir desde procedimentos cirúrgicos para remover cicatrizes ou, em casos mais graves, reconstrução cirúrgica, no entanto o mais utilizado é o uso de dilatadores vaginais, dispositivos que ajudam a desenvolver a flexibilidade vaginal por meio de exercícios.
Além disso, um estudo austríaco, realizado pela Universidade de Viena, e apresentado na 65ª Reunião Anual da American Society for Radiation Oncology (ASTRO), em 2023, apontou que o sexo durante o tratamento reduz os efeitos colaterais da braquioterapia. A pesquisa analisou 882 mulheres com câncer de colo de útero, que foram divididas em grupos das que eram sexualmente ativas ou utilizavam dilatadores e daquelas que não praticavam sexo regularmente. Os resultados mostram que as do primeiro grupo apresentavam risco de 18% de sofrer encurtamento ou estreitamento vaginal. Já as do segundo grupo, o risco calculado foi de 37%.
“Estudos como esse mostram a necessidade de se discutir a saúde sexual das mulheres e a importância de um tratamento personalizado e empático, pois elas se encontram em um momento de muita vulnerabilidade”, defende Silvia.
Câncer de colo de útero
Nesse mês é celebrado o Março Lilás, voltado para conscientização e combate do câncer do colo do útero – ou câncer cervical. Ele se desenvolve por meio da multiplicação desordenada de células do epitélio de revestimento do órgão que compromete o tecido subjacente (o estroma), podendo invadir células e órgãos próximos ou distantes. Os tipos mais frequentes são o Carcinoma epidermoide, que acomete o epitélio escamoso e é o mais incidente, correspondendo a cerca de 80% a 90% dos casos; e o Adenocarcinoma, que ocorre no epitélio glandular e é mais raro (entre 10% a 20%).
Com desenvolvimento lento e silencioso na fase inicial, a evolução da doença pode apresentar sintomas como sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias. Em casos mais avançados, pode surgir alteração do hábito intestinal. O diagnóstico é realizado por exame citopatológico, mais conhecido como teste de Papanicolau, um exame rápido e geralmente indolor, que possibilita detectar o tumor no início. O tratamento consiste em cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do estadiamento.

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