De um TCC a quase 400 pontos de venda: indústria potiguar de sorvetes completa uma década apostando em qualidade e sabores autorais
Ao perceber que a ideia poderia ganhar muito mais escala, ele sugeriu transformar o negócio em uma indústria. Gabriela aceitou o desafio, especializou-se em produção de gelatos em São Paulo e, em 2016, fundou oficialmente a Piccolo, empresa que hoje produz diariamente até oito mil picolés e quatro mil potes de sorvete em sua fábrica instalada no bairro Alecrim, na capital potiguar.
Em uma década de atuação, a marca consolidou um modelo que combina produção industrial com processos artesanais preservados, apostando na qualidade dos ingredientes e em receitas desenvolvidas integralmente pela própria fundadora.
"Não importa quantos testes sejam necessários. Eu só lanço um produto quando acredito que ele chegou ao resultado ideal", resume Gabriela Melo, responsável pela criação de todos os sabores da marca.
Produção em escala sem abrir mão do artesanal
Embora opere em escala industrial, a Piccolo mantém etapas de produção que continuam sendo realizadas manualmente.
O coco é ralado na hora e o leite de coco extraído manualmente. A castanha de caju e a rapadura são adicionadas uma a uma nas receitas correspondentes. O crocante de amendoim é produzido artesanalmente e até o inusitado picolé de pipoca utiliza pipoca estourada e caramelizada no momento da fabricação.
A empresa também trabalha com ingredientes regionais como cajá, coco, rapadura e castanha de caju, fortalecendo a identidade potiguar dos produtos e valorizando fornecedores locais.
Essa combinação entre tecnologia, processos artesanais e desenvolvimento próprio das receitas tornou-se um dos principais diferenciais da marca.
Uma empresa genuinamente potiguar
Hoje, a Piccolo conta com 20 colaboradores e abastece hotéis, supermercados, mercadinhos, conveniências, empórios, postos de combustíveis e diversos estabelecimentos parceiros, operando exclusivamente por meio do mercado atacadista.
Ao longo da trajetória, a empresa superou desafios importantes, como a queda brusca nas vendas durante a pandemia, justamente quando se preparava para mudar para uma fábrica maior. A retomada veio com a entrada em grandes redes supermercadistas e o fortalecimento da distribuição.
A qualidade dos produtos também rendeu reconhecimentos como o Selo Potiguar do Sebrae/RN e o convite para integrar a FIERN Jovem, reforçando o posicionamento da empresa como uma das indústrias de alimentos em crescimento no estado.
Sabores que traduzem a cultura nordestina
O catálogo reúne atualmente cerca de 30 sabores de picolés e sorvetes, muitos deles inspirados em ingredientes e referências da culinária regional.
Entre os campeões de vendas estão os sabores Rapadura com Coco e Chocolate Belga, enquanto o sorvete Leitinho Trufado lidera entre os produtos de massa.
Já algumas criações despertam curiosidade logo no primeiro contato, como o picolé de Pipoca e o de Tapioca, desenvolvidos para oferecer experiências diferentes ao consumidor sem perder a fidelidade aos sabores originais.
Para Gabriela, esse cuidado explica a principal missão da empresa.
"Queremos proporcionar momentos de alegria por meio de produtos de alta qualidade, feitos com dedicação e respeito ao consumidor."
De olho no futuro
Depois de consolidar sua presença no Rio Grande do Norte e na Paraíba, a Piccolo prepara novos lançamentos para os próximos meses e inicia uma nova etapa de crescimento.
Sem revelar detalhes da estratégia de expansão, a empresa confirma que novos produtos já estão em desenvolvimento e que o objetivo permanece o mesmo desde o primeiro dia: levar uma marca genuinamente potiguar para cada vez mais consumidores.
Afinal, foi justamente essa proposta que transformou um projeto acadêmico em uma indústria que hoje produz milhares de unidades diariamente e faz da felicidade — na ponta da língua — a principal assinatura da marca.
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