Tons Coletivo estreia com exposição que explora diferentes significados da cor roxa
Historicamente associada ao poder, à espiritualidade, ao mistério, à memória e à transformação, a cor roxa deixa de ser apenas um elemento visual e se torna o ponto de partida para um diálogo entre diferentes trajetórias artísticas. Em “ROXO em TONS”, cada artista desenvolve uma pesquisa autoral a partir da cor, revelando como uma mesma tonalidade pode despertar narrativas, sensações e interpretações diversas.
A exposição se organiza em quatro núcleos — Memória; Corpo e Afeto; Mistério e Espiritualidade; e Ruptura e Transformação — que conduzem o visitante por diferentes relações entre cor, matéria e experiência humana. O percurso reúne obras que exploram a memória inscrita nos objetos, as relações entre corpo e identidade, a conexão entre natureza e humanidade, além de processos de transformação presentes nos materiais e nas próprias trajetórias dos artistas.
As obras atravessam questões da contemporaneidade como identidade, resistência, sustentabilidade, tecnologia, espiritualidade e relações humanas, evidenciando a potência da arte contemporânea em unir reflexão crítica e experimentação estética.
Entre os destaques da mostra, Luiz Queiroz apresenta a série “Feminicídio”, composta por retratos de mulheres manipulados digitalmente — sem recorrer à inteligência artificial — para investigar os limites entre presença, memória e deformação da imagem. Alessandra Stona leva à exposição tecelagens autorais, esculturas e aquarelas que exploram as conexões entre corpo e natureza, incluindo a série “Glifo”, desenvolvida durante um tratamento de saúde. Paulo H Vieira apresenta pinturas da série “Conectados”, inspiradas nas relações entre o cotidiano urbano e a presença crescente da tecnologia nas experiências humanas.
Na pintura, Helder Alves investiga corpo, identidade e pertencimento por meio de autorretratos e referências à trajetória das lutas queer. As esculturas inéditas em cerâmicas de Fabienne Lodomez exploram relações entre matéria, luz e percepção, enquanto Luiz Maymone articula desenho, colagem e escultura em trabalhos voltados à memória, empatia e identidade.
Eduardo Rondon transforma resíduos industriais em esculturas e relevos encapsulados em resina acrílica, propondo reflexões sobre permanência e memória coletiva. Já Rosane Viegas desenvolve uma pesquisa que aproxima gravuras, esculturas e livros de artista, investigando as relações entre movimento, matéria e transformação.
Embora partam de linguagens e trajetórias distintas, os oito artistas compartilham o interesse pela experimentação de materiais e processos criativos. Em “ROXO em TONS”, a cor se transforma em território de encontro, revelando diferentes formas de perceber, construir e habitar o mundo.
“Quando começamos a pensar na primeira exposição do Tons Coletivo, percebemos que o roxo tinha a capacidade de aproximar pesquisas muito diferentes sem uniformizá-las. A cor se tornou um ponto de encontro entre artistas, materiais e experiências, permitindo que cada obra preservasse sua identidade. A mostra convida o visitante a construir seu próprio percurso e descobrir as múltiplas camadas de significado que uma mesma cor pode revelar”, afirma Audrey Barbosa.
Serviço
“ROXO em TONS”
Entrada gratuita
Abertura: 3 de outubro, sábado, das 13h às 17h
Período de visitação: de 3 a 9 de outubro de 2026
Local: Vazio Criativo | Rua Lavradio, nº 573 - Barra Funda, São Paulo/SP
Horário de funcionamento: segunda a domingo, das 10h às 17h
Sobre os artistas
Sobre Rosane Viegas
Rosane Viegas é artista visual, escultora e gravurista. Graduada em Engenharia Civil, desenvolve uma pesquisa que articula gravura, escultura e livros de artista, investigando as relações entre memória, matéria, movimento e transformação. Desde 2002, dedica-se à escultura e, a partir de 2011, aprofundou sua prática em diferentes técnicas de gravura, incorporando processos experimentais e materiais reaproveitados. Sua produção aproxima arquitetura, natureza e figura humana por meio de linguagens gráficas e escultóricas.
Participou da residência artística da Lucca Biennale Cartasia, na Itália, e de exposições no Brasil e no exterior. Suas obras integram coleções públicas e institucionais no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos. É diretora da Casa Tamarindo – Estúdio de Arte e Cultura, em São Paulo, onde desenvolve sua pesquisa e promove atividades de formação e difusão das artes visuais.
Luiz Queiroz
Fotógrafo paulistano, desenvolve uma produção que transita entre a publicidade, a moda, o retrato e a fotografia autoral. Formado em Comunicação Social, com especialização em Publicidade e Propaganda, aprimorou sua formação em Londres e Milão, onde trabalhou ao lado de fotógrafos como Oliviero Toscani, Fabrizio Ferri e Bert Stern. Ao longo da carreira, colaborou com agências, editoras e revistas no Brasil e na Itália. Sua produção integra exposições individuais e coletivas, projetos fotográficos e salões de arte contemporânea, investigando a fotografia como linguagem de experimentação estética e narrativa.
Alessandra Stona
Artista visual, iniciou sua pesquisa em 2012, desenvolvendo uma linguagem que traduz as relações entre natureza, corpo e memória por meio dos fios, da pintura, do desenho e da escultura têxtil. Com formação em Biologia, Arte-Educação, Tecnologias Contemporâneas e Medicina Tradicional Chinesa, constrói uma produção marcada pela experimentação de materiais, cores e texturas. Participou de exposições em instituições e espaços culturais de São Paulo e Campos do Jordão, entre elas “Crenças, Credos e Fé” (Toriba, 2023), “Caminho da Fé” (Museu da Lã, 2025), “Conexões Vitais” (Museu Parque Florestal, 2026), além da mostra coletiva “Maskarada”, na Nauapi, e da 26ª FIBRA – Bienal Têxtil, realizada em Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas.
Paulo H Vieira
Artista visual, iniciou sua trajetória na adolescência como autodidata no desenho e aprofundou sua formação em ateliês e cursos dedicados a diferentes linguagens artísticas. A figura humana é o eixo central de sua pesquisa, desenvolvida por meio da pintura e do desenho figurativo. Entre a observação do cotidiano e a imaginação, cria personagens que dialogam com a contemporaneidade, explorando gestos, expressões e relações humanas em obras marcadas pela intensidade e pelo dinamismo.
Helder Alves
Artista visual, iniciou sua formação em artes no final da década de 1990, após atuar nas áreas de indústria, informática e administração. Estudou diferentes linguagens e técnicas em cursos livres e concluiu pós-graduação em Ensino das Linguagens da Arte pela USP. Desde 2001, participa de exposições individuais e coletivas, desenvolvendo uma pesquisa que articula questões queer, código binário e referências aos povos originários. Sua produção investiga elementos ocultos, marginalizados ou invisibilizados, propondo reflexões sobre identidade, memória e pertencimento na sociedade contemporânea.
Fabienne Lodomez
Fabienne Lodomez nasceu em Likasi, no antigo Zaire (atual República Democrática do Congo), em 1964, e vive no Brasil desde 1968. Formada em Pedagogia, Arte-Educação e Arteterapia, desenvolve uma pesquisa em cerâmica contemporânea que investiga as relações entre matéria, espaço, energia e percepção. Sua produção transita entre cerâmica, escultura, desenho, pintura e mixed media, utilizando a argila como meio para explorar formas, texturas e estruturas inspiradas nas forças elementares da natureza. Em 2025, participou de uma exposição coletiva na Casa Metal Espaço Cultural, em São Paulo, e, em 2016, integrou o Concurso Renova com a obra “Fluxo da Vida”.
Luiz Maymone
Vive e trabalha em Santos (SP). Artista visual e educador, é formado pela Escola Panamericana de Arte e pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Santos. Sua pesquisa investiga histórias, memórias e emoções, propondo reflexões sobre identidade, convivência e o desejo de uma sociedade mais justa e democrática. Transitando entre pintura, desenho, colagem, escultura e música, desenvolve uma produção figurativa que explora as relações entre a bidimensionalidade e a tridimensionalidade. Iniciou sua trajetória profissional no design de mobiliário e, atualmente, dedica-se integralmente às artes visuais.
Eduardo Rondon
Eduardo Rondon é artista visual e escultor. Nascido em São Paulo, desenvolveu desde cedo familiaridade com o desenho, a criação de objetos e o trabalho com diferentes materiais, experiência que se consolidou na tapeçaria e, posteriormente, na marcenaria. Iniciou sua formação em Administração de Empresas e deu continuidade aos estudos em Arquitetura e Urbanismo, aprofundando seu interesse por projetos, design e processos construtivos.
Sua produção artística investiga a criação de objetos e esculturas por meio da arte conceitual, explorando materiais diversos, formas, cores e volumes em uma pesquisa marcada pela experimentação e pela liberdade formal. Atualmente vive e trabalha em São Paulo, onde atua no desenvolvimento de projetos de arquitetura e interiores, mantém sua marcenaria e sua produção artística. Em 2025, fundou a Domo, galeria dedicada à difusão de artistas independentes, espaço que também reúne parte significativa de sua obra.
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