FLIP: cortejo poético percorre ruas do centro histórico de Paraty nesta sexta-feira



Quem caminhar pelas ruas históricas durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) poderá encontrar poesia onde menos espera.
Os poemas da escritora, psicóloga e empreendedora social Carina Alves estarão nas árvores e nas janelas de estabelecimentos, pendurados em bandeiras poéticas que convidam o público a interromper o passo por alguns instantes para ler um verso.

 


A intervenção urbana integra o lançamento de "Macramê", novo livro de Carina Alves. Hoje, 23/07, às 19h, o lançamento será no ato poético “Macramê - Nós em Nós”, promovido pela Casa da Leitura e do Conhecimento no Centro de Informações Turísticas da Praça do Chafariz. O evento terá participação do poeta cordelista Manoel Cavalcante e de Zé da Sanfona, artista que vai musicar com a sanfona de 8 baixos as poesias que forem recitadas durante o ato.

 


Uma segunda sessão de lançamento, também com autógrafos de Carina Alves, está marcada para esta sexta-feira, 24 de julho, às 13h, na Casa Gueto, em evento da Escola de Escritoras criado para dar visibilidade a autoras da comunidade literária.

 


A ideia de espalhar por Paraty bandeiras poéticas nasceu depois de uma viagem de Carina Alves a Lisboa, onde conheceu o projeto Poesia Estendida, da Casa Fernando Pessoa, que ocupa espaços da cidade com poemas. Inspirada pela iniciativa, a autora decidiu transportar essa experiência para a FLIP, fazendo da própria cidade histórica uma extensão do livro.

 


"Macramê" reúne haicais e poemas breves que costuram memórias, afetos, paisagens, cidades e silêncios. O título faz referência à técnica artesanal de criar desenhos por meio de nós entre fios, uma imagem que atravessa toda a obra.


A inspiração também vem da história pessoal da autora. Filha de uma artesã que trabalha com crochê e macramê, Carina Alves cresceu observando a transformação paciente dos fios em tramas. Essa memória acabou se tornando a metáfora central do livro, traduzindo a ideia de que a vida também é construída encontro por encontro, relação por relação, nó por nó.

 


Os poemas percorrem diferentes cidades, estações e atmosferas. Entre frio e calor, samba e jazz, chuva e neve, amor e saudade, a autora propõe uma poesia que privilegia a contemplação e as pequenas experiências capazes de transformar quem as vive.

 


O livro ganha ainda um diálogo literário por meio do prefácio assinado pela escritora e poeta Márcia Kambeba, uma das principais vozes da literatura indígena contemporânea brasileira. Ambas adeptas do passarinhar, a observação de aves livres na natureza, as autoras se aproximam também na escrita por meio de temas como território, memória, natureza, afetos e pertencimento.

 


No texto de apresentação da obra, Márcia destaca que "a poesia de Carina Alves não se apoia na necessidade de explicar; sua força está justamente na construção de uma experiência sensível". Para a escritora indígena, o eixo central do livro está na metáfora dos "nós", entendidos como laços, encontros, permanências e também dores que sustentam as relações humanas.

 



Carina Alves trouxe de Portugal a ideia de espalhar bandeiras poéticas no centro histórico (crédito da foto: divulgação)

Este é o terceiro livro de poesia de Carina Alves. Em 2024, durante a FLIP, a autora lançou "brinco de Ser UMA", também na Casa Gueto. Agora retorna ao festival literário propondo que a poesia ultrapasse as páginas e ocupe o espaço público, encontrando leitores de forma inesperada.

 


Serviço


Lançamentos de "Macramê" – Carina Alves


Ato poético da Casa da Leitura e do Conhecimento com participação do poeta cordelista Manoel Cavalcante e do músico Zé da Sanfona:

 


Data: 23 de julho (quinta-feira)

Horário: 19h

Local: Centro de Informações Turísticas - Praça do Chafariz - Paraty

 


Casa Gueto:


Data: 24 de julho (sexta-feira)

Horário: 13h

Local: Rua Benedito Telmo Coupê, nº 277 (antiga Rua Fresca) - Centro Histórico de Paraty

 


Sobre Carina Alves


Carina Alves é psicóloga, escritora, poeta e ativista dos direitos humanos. Doutora em Educação, faz da palavra um ofício de escuta e do poema um lugar de permanência. Entrelaça ciência, natureza, inclusão e sensibilidade como quem tece um macramê. Fio por fio, nó por nó, revelando que a beleza nasce daquilo que se conecta. Criadora do Literatura Acessível, premiado pela UNESCO (Paris) e pelo Governo da China (2022), percorre o Brasil e o mundo levando a literatura como gesto de cuidado e transformação. “Macramê”, seu terceiro livro de poesias, sucede “brinco de ser UMA” e “ Quase é o Instante”, aprofundando uma trajetória em que cada obra amplia o diálogo entre palavra, existência e afeto. Nesta nova tessitura, seus poemas entrelaçam tempos, memórias e silêncios, convidando o leitor a descobrir que a vida também se constrói pelos fios invisíveis que unem o que somos, o que vivemos e o que ainda floresce em nós.

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