A cerâmica, antes associada ao utilitário ou ao artesanal, volta a ocupar o centro da cena como linguagem autoral e emocional, capaz de unir técnica, intuição e presença. Entre esses novos nomes está a paulista Babi Vieira, 36 anos, que há dois anos transformou o barro em um território de pausa e reconexão.
“A partir do momento em que colocamos as mãos na argila, ela já está se comunicando conosco. Mais do que falar, ela me esvazia. Esqueço tudo, fico leve, focada no que estou fazendo. É quase um processo meditativo”, conta Babi.
Entre as etapas de modelagem, secagem e queima, há um tempo que não pode ser apressado e é nele que, segundo ela, moram os verdadeiros aprendizados: paciência, desapego e ousadia.
“Mesmo quando a peça sai tortinha ou a cor fica diferente do esperado, isso também faz parte. É bonito não ter controle total. É como se o universo também colocasse a mão na peça”.
Hoje, Babi além de tocar sua marca e ateliê a.folha, também integra o time de professoras do Almamia, em Curitiba, um espaço que reúne artistas e curiosos interessados em experimentar a cerâmica como prática sensorial e expressiva. O ateliê abre as portas de segunda a sexta, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h, com oficinas, vivências, exposições e eventos voltados à arte manual e à contemplação.
Mais do que um resgate do passado, o retorno à argila é uma resposta contemporânea ao excesso e à velocidade. Na contramão das telas, há um chamado silencioso para o toque, para o erro e para o tempo das coisas que se constroem com as próprias mãos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário