terça-feira, 11 de novembro de 2025

Joanah Flor lança manifesto pela proteção ao meio ambiente com single e clipe de ‘Amor da Mata’



Em meio à realização da COP30 no Brasil., o novo trabalho da pernambucana se vale de espiritualidade e consciência ambiental para alertar sobre a urgente necessidade da preservação de nossos territórios

A cantora, compositora e multiartista pernambucana Joanah Flor, lança o single e videoclipe “Amor da Mata”, pelo selo alemão Tropical Diaspora Records, reafirmando sua trajetória como uma das vozes mais potentes e conscientes da nova música brasileira. A obra nasce como um cântico e um manifesto - que circula entre o sagrado e o político, entre o corpo, a mata e o mar -, na celebração dos 190 anos de resistência de Reis Malunguinho, líder quilombola pernambucano, símbolo de luta e liberdade; divindade encantada da Jurema Sagrada, e cultuado como força ancestral, guia espiritual e guardião das matas. O lançamento acontece, em todas as plataformas digitais, nesta terça, 11/11, às 11h11 - em plena semana da COP30, que este ano ocorre no Brasil, num momento histórico em que o país volta a ser palco das discussões globais sobre o clima. 



Com composição de Joanah Flor em parceria com Leonardo Luna, “Amor da Mata” é um cântico de reverência à Jurema Sagrada e às forças encantadas que habitam os territórios e as águas. A letra evoca a sabedoria dos ancestrais e o poder curador da natureza, refletindo sobre a intolerância religiosa e a crise climática global. A canção foi gravada em setembro de 2025, mês em que se celebra Reis Malunguinho bem como os 20 anos do Kipulpa Malunguinho — grande encontro espiritual e cultural realizado na Mata do Catucá, em Abreu e Lima (PE). -, em uma imersão de dois dias no Estúdio Criatório, localizado em Gravatá (PE), dentro de uma fazenda cercada por natureza, entre um rio e uma jurema-preta, árvore sagrada que guarda a entrada do local. Nos versos, a artista convida o público a uma meditação sobre o futuro do planeta e a responsabilidade coletiva diante da destruição ambiental.



Além disso, a sonoridade da faixa é marcada pelos ritmos da Zona da Mata Norte de Pernambuco, com influências dos maracatus, cocos de engenho, mazucas e toques de terreiro. Instrumentos como maracá, congas, alfaia, caixa, ilu e bombinho se entrelaçam à harmonia do baixo e das guitarras, criando uma textura musical que vibra entre o ancestral e o contemporâneo — entre o terreiro e o mundo. A produção musical é assinada por Joanah Flor, em colaboração com os músicos Henrique Falcão, Santiago, Cíntia Gondim e Toninho Japa, com coprodução e gravação de Cátio Salles, mixagem e masterização de Paulo Umbelino. Já a identidade visual do single é assinada pela designer Noelle Marão, e a fotografia de capa por Tarcísio Boquady.



Clipe



O videoclipe “Amor da Mata”, tem roteiro e direção assinados por Joanah Flor em parceria com Tarcísio Boquady, também responsável pela direção de fotografia e edição. A produção executiva ficou à cargo da própria cantora. As filmagens percorreram pontos entre o Recife, Itamaracá e a Mata do Catucá, lugares simbólicos da memória e da luta ambiental, resultando em um filme que atravessa o documental, o poético e o sagrado. 



A narrativa faz alusão a três dimensões da mulher: a urbana, que resiste ao caos da cidade; a sereia, que simboliza a natureza ferida; e a juremeira, que representa a busca pela cura espiritual. As cenas na mata foram registradas durante a celebração dos 20 anos do Kipupa Malunguinho, conectando arte, fé e território em uma só linguagem, transformando a canção em rito visual, conectando arte, espiritualidade e resistência ambiental. “Mais uma vez, eu venho documentando a Jurema — só que desta vez através da música, como cantora, compositora e juremeira. Anteriormente, o fiz como jornalista, na direção do documentário “A Ciência dos Encantados”, primeiro registro cinematográfico dedicado à essa religião de matriz afroindígena, e que já conta com mais de um milhão de visualizações no YouTube”, afirma.



Para a realização deste trabalho, Joanah Flor trouxe uma rica bagagem forjada em sua ancestralidade afroindígena maranhense e em suas vivências como juremeira - afilhada de Reis Malunguinho, integrante do Quilombo Cultural Malunguinho e da Casa das Matas Reis Malunguinho -, com o uso de imagens de arquivo pessoal captadas durante o Kipupa e outras vivências espirituais reais da artista, como obrigações e rituais realizados no terreiro e na mata. Assim, o clipe se torna também um registro de fé e presença — uma oferenda viva da juremeira que celebra seu sagrado com sua voz, corpo e arte, dando continuidade à sua missão de documentar, celebrar e proteger o sagrado da terra.

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