Diambe e Tunji Adeniyi-Jones exploram corpo, gesto e ancestralidade em mostra na Simões de Assis Curitiba


"Coreografias do corpo" aproxima esculturas e pinturas que investigam a diáspora africana e a criação de novos imaginários de existência. Abertura acontece no dia 10 de novembro

A relação entre corpo, movimento e ancestralidade conduz Coreografias do corpo, exposição que reúne obras da artista brasileira Diambe e do britânico Tunji Adeniyi-Jones na Simões de Assis Curitiba, a partir de 10 de novembro. Por meio da escultura e da pintura, os artistas investigam como referências culturais, memórias e experiências da diáspora africana se desdobram em formas de presença, identidade e pertencimento. Esta é a segunda vez que Adeniyi-Jones tem seu trabalho apresentado no Brasil, após participar da coletiva The Speed of Grace, com curadoria de Larry Ossei-Mensah, na Simões de Assis, em São Paulo.


Nas esculturas de Diambe, a matéria participa ativamente da construção de corpos e ambientes. Trabalha com materiais como raízes alimentares, tecidos e cera de abelha, além de processos que culminam em obras de bronze, para criar formas que remetem a organismos e elementos naturais em constante transformação. Em trabalhos recentes, referências a corpos de povos diaspóricos são reorganizadas em configurações que mimetizam outros seres, dando origem a criaturas de uma natureza fabulativa e autônoma. Sua prática transita entre escultura, pintura, instalação e vídeo. Em vez de se apresentarem como objetos isolados, as obras estabelecem relações com o espaço e com a percepção do público, incorporando o movimento tanto à criação quanto à experiência da exposição.


Nas pinturas de Tunji Adeniyi-Jones, figuras humanas e folhagens estilizadas se entrelaçam em composições de cores intensas, nas quais ritmo, repetição e relação entre figura e ambiente estruturam as cenas. Inspirado na história antiga da África Ocidental, em sua mitologia e na herança iorubá, o artista desenvolve composições de múltiplos painéis nas quais personagens e gestos reaparecem sob diferentes configurações. Essa recorrência evoca movimentos ritualísticos e destaca a dança e a linguagem corporal como formas fundamentais de comunicação. Adeniyi-Jones também busca ampliar a visibilidade das narrativas e dos símbolos da África Ocidental, historicamente sujeitos a interpretações redutoras, como as associadas ao primitivismo. 


Em Coreografias do corpo, o encontro entre os artistas se dá pela compreensão do gesto como força de transformação. A exposição segue em cartaz até 15 de janeiro de 2027, em Curitiba, e articula ancestralidade, memória e fabulação para refletir sobre como a arte pode reelaborar heranças culturais e imaginar possibilidades de futuro.


Sobre Diambe


Diambe (Rio de Janeiro, Brasil, 1993), vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Transita entre pintura, escultura, vídeo e performance para investigar relações entre matéria, natureza e diáspora africana. Trabalha com elementos vivos e orgânicos, como alimentos, têmpera de ovo, pigmentos artificiais, orgânicos ou minerais, corantes vegetais, cera de abelha e bronze. Articula questões relacionadas ao corpo, ao território e à memória cultural, suspensas entre a resistência e a efemeridade, aproximando diferentes modos de existência ao propor outras formas de habitar e perceber o mundo.


Entre suas exposições individuais, destacam-se “Bees beings beans” (2026), na Kunsthalle Basel; “honey, honey, honey” (2024), na Kaufmann Repetto, em Nova York; “Sensação Térmica” (2024), na Simões de Assis, em São Paulo; e “Movement (ir e vir)” (2023), na AZB, em Zurique. Participou de coletivas como “A Door Left Ajar” (2025), na Kurimanzutto, em Nova York; “Histórias LGBTQIA+” (2024) e “Histórias Brasileiras” (2022), no MASP; e “Ancestral: As Afro-Américas” (2024 e 2025), no MAB-FAAP e nos CCBBs. Realizou residências na La Becque (2025), na Suíça, e no Pivô Satélite (2021), em São Paulo. Seu trabalho integra renomadas coleções como as do MASP, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MAR e do El Espacio 23, em Miami.


Sobre Tunji Adeniyi-Jones


Tunji Adeniyi-Jones (Londres, Reino Unido, 1992), vive e trabalha em Nova York, Estados Unidos. Sua pintura se inspira na história antiga da África Ocidental, em sua mitologia e na herança iorubá do artista. Seu processo costuma partir de estudos em nanquim ou aquarela sobre papel, posteriormente desenvolvidos em pinturas nas quais personagens são repetidos e retrabalhados em composições de múltiplos painéis. Organizadas em pares ou pequenos grupos, as figuras evocam a repetição ritualizada dos processos cerimoniais.


Participou da Bienal de Veneza, com o projeto “Nigeria Imaginary” (2024) para o Pavilhão da Nigéria. Entre suas exposições individuais estão “Immersions” (2025), White Cube Seul; “Deep Dive” (2023), FLAG Art Foundation (2023), Nova York, EUA; entre outras. Principais exposições coletivas: “Imagining Black Diasporas: 21st Century Art And Poetics” (2025), LACMA, Los Angeles; “The Speed Of Grace” (2024), Simões de Assis, São Paulo; “PUBLIC PRIVATE” (2023), Pond Society, Xangai; “When We See Us: A Century of Black Figuration in Painting” (2022), Zeitz MOCAA, Cidade do Cabo; “Out of the Fire: The 14th Dakar Biennale” (2022), Senegal; “Fire Figure Fantasy: Selections from the ICA Miami’s Collection” (2022), ICA Miami. Suas obras integram importantes coleções como: Metropolitan Museum of Art, Nova Yoek; do Los Angeles County Museum of Art (LACMA), do Dallas Museum of Art, do Pérez Art Museum Miami (PAMM) e do The Studio Museum in Harlem.


Sobre a Simões de Assis


Com mais de 40 anos de história, a Simões de Assis é uma das principais galerias da América Latina dedicadas à arte moderna e contemporânea. Fundada em Curitiba, em 1984, opera em duas sedes: São Paulo e Curitiba. A galeria representa um grupo de 40 artistas e espólios, com foco em arte brasileira e diálogo com perspectivas latino-americanas e globais, além de desenvolver parcerias com galerias, museus e curadores no Brasil e no exterior.


Serviço


“Coreografias do corpo”, Diambe e Tunji Adeniyi-Jones


Entrada gratuita


Abertura: 10 de novembro, terça-feira, das 18h às 21h


Período de visitação: 10 de novembro de 2026 a 15 de janeiro de 2027


Local: Simões de Assis | Alameda Carlos de Carvalho, 2173 A, Batel, Curitiba/PR


Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h


www.simoesdeassis.com | @simoesdeassis_ | fb.com/simoesdeassisgaleria

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