Construção civil alcança marca de R$ 5 bilhões em obras na Paraíba, aponta IBGE



A construção civil paraibana alcançou pela primeira vez a marca de R$ 5 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços realizados no estado.
O dado consta na Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2024, divulgada na última quarta-feira pelo IBGE, e representa um crescimento de 16% em relação aos R$ 4,31 bilhões registrados no ano anterior.


A maior parte desse volume veio da construção de edifícios, responsável por R$ 2,9 bilhões, o equivalente a 58,2% de toda a atividade do setor. As obras de infraestrutura responderam por R$ 1,5 bilhão (30,1%), enquanto os serviços especializados para construção somaram R$ 590 milhões (11,7%).


Para o presidente do Sinduscon-JP, Ozaes Mangueira Filho, o resultado confirma o momento de expansão vivido pela construção civil no estado e seu impacto sobre a economia. “Trata-se de uma marca histórica para a construção civil paraibana. Alcançar os R$ 5 bilhões em valor de obras demonstra a capacidade do setor de atrair investimentos, gerar emprego e impulsionar o desenvolvimento econômico do estado”, afirma.


Na avaliação do sócio da Eco Construtora, Leonardo Bronzeado, parte desse crescimento está relacionada ao processo de valorização imobiliária da Paraíba e às características urbanísticas de João Pessoa. “Eu pontuo muito essa questão positiva do controle urbanístico de João Pessoa, que proíbe a construção de espigões na orla. Isso foi muito diferencial. Quem é daqui até se questiona como os potenciais da cidade não foram descobertos antes”, diz.


O movimento também aparece na carteira de clientes da empresa. Segundo Bronzeado, compradores de outros estados vêm ganhando participação nos negócios da construtora. Entre 2024 e 2029, a Eco terá entregue ou mantido em construção mais de 500 unidades residenciais e comerciais distribuídas em sete empreendimentos.


Apesar do avanço, a participação da Paraíba ainda é modesta no cenário regional. O estado respondeu por 6,1% do valor movimentado pela construção civil no Nordeste em 2024, a terceira menor participação da região. No ranking nacional, ficou entre os oito menores volumes registrados pelas unidades da federação.


Mais empresas

A PAIC também apontou crescimento de aproximadamente 30% no número de empresas formais da construção civil com cinco ou mais empregados. O total passou de 831 em 2023 para 1.080 em 2024.


Segundo Ozaes Mangueira, o dado demonstra que o setor continua atraindo novos investidores e empreendedores. “Esse movimento mostra que a construção civil paraibana está atraindo novos incorporadores, impulsionados pelas oportunidades geradas pelo crescimento da demanda.”


Para Bronzeado, o aumento da concorrência já é perceptível. “Hoje realmente existem muitas construtoras. Toda semana eu tenho que aprender dois ou três nomes novos que entram no mercado. Um mercado grande atrai novos entrantes, mas, com o tempo, acaba havendo uma seleção natural.”


O crescimento da atividade também se refletiu no emprego. O número de trabalhadores ocupados na construção civil formal saltou de 27,6 mil para 35,4 mil pessoas em um ano, avanço de 28,3%. As empresas do setor pagaram R$ 902,8 milhões em salários, retiradas e outras remunerações.


A expansão, porém, começa a esbarrar na oferta de profissionais qualificados. “Está difícil. Realmente preocupa a gente na construção civil. É um bom desafio, porque mostra que o desemprego está baixo no setor, mas também reforça a necessidade de investir em tecnologia e mecanização para conseguir fazer mais com menos”, afirma Bronzeado.


Para os representantes do setor, o ciclo de crescimento ainda não chegou ao fim. “Os fundamentos que sustentam a construção civil paraibana continuam sólidos, especialmente o crescimento populacional, a atração de investimentos e a expansão do turismo”, afirma Ozaes Mangueira. 

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