“A mordaça milionária”: documentário investiga impactos da publicidade institucional sobre a liberdade de imprensa na Amazônia



Está disponível a partir de 2 de junho, no canal do Instituto Vladimir Herzog no YouTube, o documentário “A mordaça milionária: como o orçamento de propaganda na Amazônia coopta o jornalismo, silencia a crítica e violenta o jornalista”.
O curta investiga a relação entre investimentos públicos em publicidade institucional e as condições de funcionamento da imprensa em Manaus.

 


O filme é um dos selecionados pelo edital “Violência Contra Jornalistas na Amazônia e Medidas de Proteção”, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog em parceria com a Embaixada da Noruega. A iniciativa apoiou produções audiovisuais voltadas à discussão sobre violência contra jornalistas, liberdade de imprensa e condições de trabalho na Amazônia.

 


Produzido pela jornalista Steffanie Schmidt, o documentário acompanha relatos de jornalistas independentes, profissionais de veículos tradicionais, trabalhadores do setor publicitário e outras fontes ligadas ao ecossistema da comunicação local. A partir desses depoimentos, a produção discute como a distribuição de verbas públicas pode influenciar relações econômicas entre governos, veículos de imprensa e profissionais da área.

 



Sem assumir um formato centrado em denúncias individuais, o filme investiga mecanismos mais amplos de pressão econômica e dependência financeira que atravessam o jornalismo local, especialmente fora dos grandes grupos de mídia. Ao longo da narrativa, surgem questões ligadas à sustentabilidade da imprensa independente, limitações editoriais, acesso à informação e concentração de recursos publicitários.

 

Com mais de 17 anos de atuação na Amazônia, Steffanie Schmidt desenvolve trabalhos ligados ao jornalismo, cultura, direitos humanos e meio ambiente, além de atuar junto a movimentos sociais e organizações indígenas. Sua trajetória inclui a retomada do jornal O Varadouro, veículo histórico da imprensa independente criado durante a ditadura militar.

 


O documentário utiliza dados públicos sobre investimentos em comunicação institucional como ponto de partida para discutir transparência, critérios de distribuição de recursos e impactos sobre a produção de informação crítica na região.



Ao acompanhar as tensões entre financiamento público, independência editorial e exercício da reportagem, o filme amplia a discussão sobre violência contra jornalistas para além de episódios explícitos de agressão, observando também formas de vulnerabilidade econômica e institucional que afetam o cotidiano da imprensa amazônica.

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