Biblioteca Azul lança novo romance do escritor português Rui Couceiro

 


Após o sucesso de Baiôa sem data para morrer, Rui Couceiro retorna com seu segundo romance, Morro da Pena Ventosa, uma história sensível e profundamente humana sobre pertencimento, perdas e resistência cultural.
Ambientada no bairro mais antigo da cidade do Porto, a obra mistura memória, crítica social e uma delicada atmosfera de realismo mágico para narrar a história de uma comunidade ameaçada pela gentrificação e pela perda de identidade.

 


“Escrevi esta história porque sou um apaixonado pela cidade do Porto, que acredito que é um dos lugares do mundo com uma cultura e uma identidade mais extraordinárias”, afirma o autor. A partir da zona da Sé, localizada no alto do Morro da Pena Ventosa, Rui constrói uma narrativa que ultrapassa os limites geográficos do Porto para abordar um fenômeno cada vez mais global: o desaparecimento gradual da identidade de bairros históricos diante do turismo de massas.

 


A protagonista Beta carrega desde cedo o peso da ausência. Depois da morte do pai alcoolista e do abandono da mãe quando tinha apenas sete anos, ela é criada pela avó, figura central de sua formação afetiva e emocional. É com ela que Beta aprende a observar o mundo ao redor — especialmente as ruas estreitas, os moradores excêntricos e as histórias cotidianas do Morro da Pena Ventosa.

 


Ao longo dos anos, Beta desenvolve um hábito peculiar: registrar os acontecimentos do bairro para depois comentá-los com a avó. Quando a matriarca morre, a escrita se transforma em uma forma de permanência. Entre relatos históricos, referências culturais e as fofocas da vizinhança, Beta constrói um mosaico afetivo da região enquanto tenta elaborar o próprio luto.

 


Com leveza, humor e profundidade emocional, Rui Couceiro transforma o bairro português em um personagem vivo da narrativa. Ao mesmo tempo em que celebra a memória coletiva e os vínculos comunitários, o autor lança um olhar crítico sobre as transformações urbanas contemporâneas.

 


“A ficção não serve para dar respostas, mas é boa a iluminar assuntos pertinentes, que podem conduzir os leitores a reflexões importantes. E neste livro há vários temas, desde o turismo de massas e a gentrificação, passando pelas alterações climáticas e terminando na perda. Este romance é também uma história sobre a imaginação, sobre o poder e a importância da imaginação”, diz Rui.

 


Lírico, tocante e bem-humorado, Morro da Pena Ventosa é uma declaração de amor às histórias que atravessam gerações e àqueles que resistem para manter viva a alma de um lugar.


Sobre o autor

 


Rui Couceiro nasceu no Porto, em 1984. Trabalhou no maior grupo editorial português durante duas décadas, primeiro na comunicação da Porto Editora e mais tarde como editor da Bertrand, onde criou e dirigiu durante dez anos o selo Contraponto. Atualmente, é comissário de um grande evento literário e cultural, o Babell, promovido pela Fundação Livraria Lello, com o apoio da Câmara Municipal do Porto. É ainda membro do Conselho Cultural da Fundação Eça de Queiroz e colabora com a revista Visão. Dele, a Biblioteca Azul publicou o premiado Baiôa sem data para morrer, eleito um dos livros do ano de 2025 na Espanha.

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