NAUPENC é um trabalho predominantemente eletrônico, com todo o projeto musical girando em torno do ritmo. Três faixas apresentam bateria acústica, enquanto as sete restantes são construídas a partir de padrões eletrônicos intrinsecamente interligados. Todos os sons foram pensados com esmero e são permeados por uma espécie de psicodelia mutante, que se adapta as batidas e os outros elementos sonoros a cada uma das faixas, além da vibe retrô futurista..
“A música é construída por meio de ostinatos e polirritmos sobrepostos, frequentemente executados por sintetizadores, com o conceito orientador de que instrumentos melódicos podem funcionar como vozes rítmicas”, explica Bruno. “A percussão e o design de som são intencionalmente focados em polirritmia, criando momentos em que o ritmo se torna melodia e a repetição se torna narrativa emocional”, complementa o artista.
As 10 faixas foram maturadas, compostas e pensadas ao longo de alguns anos, influenciadas por ideias que acompanham Bruno desde os tempos de conservatório pernambucano de música, sobretudo o estudo de polirritmia com Hugo Medeiros, e também as práticas de conjunto de frevo e forró, que refletem nos ritmos nordestinos que permeiam o álbum em alguns momentos. Para além do trabalho orgânico do baterista e do produtor eletrônico, é possível encontrar influências sonoras de bandas como King Crimson e Tool, passando por artistas como John Frusciante e Aphex Twin, além da pegada pop à Daft Punk.
“A minha ideia é de que houvesse uma certa inversão de valores entre ritmo e melodia no álbum, no sentido que os elementos melódicos, desde os synths às guitarras e aos violões, geralmente são construídos em cima de padrões repetitivos (ostinatos, ou loops), e os elementos rítmicos e percussivos, como as drum machines, baterias acústicas e percussões são muitas vezes polirritmicos em natureza”, analisa o compositor.
O álbum, co-produzido por Tenório, foi uma parceria com object blue e Mari Herzer, que também co-produziram e trabalharam como engenheiras de mixagem em faixas específicas do NAUPENC; o trabalho também contou com a participação de Bruno Saraiva (da Kalouv), como um dos co-produtores de 5 das faixas, e também na gravação de synth adicionais nessas músicas. Além deles, o trabalho conta com a participação do músico Rafael Cadena (da banda Cangaço), que gravou guitarra em “Dissociando” e violão em “Anedonia”, e Thiago Duarte gravou percussões em “Permanáculo”. NAUPENC foi masterizado por Beau Thomas, conhecido por masterizar lançamentos recentes de Aphex Twin.
Além do álbum, Bruno Tenório também lança em parceria com o artista visual e designer gráfico Raul Luna, o filme experimental NAUPENC, dirigido por Luna.
O filme se passa num passado alternativo, que remete a um Brasil alternativo nos anos 1980, no qual o Brasil é uma potência nuclear e o programa NAUPENC surge como uma espécie de terapia alternativa. O Protagonista é inicialmente submetido a um processo em que seu corpo é plenamente escaneado, e submerso em um líquido verde de cura. Após o Scan, ele é transportado ao meio digital onde, após um processo similar ao de fecundação, ele passa a ser representado pelo ícone tradicional de um mouse de computador.
Dentro do programa, ele precisa lutar numa Guerra Virtual contra um ataque de vírus (malware). Essa batalha é seguida por um processo de fragmentação de memórias, que culmina no protagonista entrando em um estado de transe, resultando na destruição de suas memórias e no contato com um Deus Digital.

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