segunda-feira, 2 de março de 2026

Pernambucano Bruno Tenório lança álbum de estreia e filme experimental “NAUPENC”, em parceria com o artista visual e designer gráfico Raul Luna.



Bruno Tenório é um artista brasileiro de Pernambuco, atualmente radicado no Reino Unido que, após uma série de 4 singles lançados em espaços interessantes como a NTS Radio em Londres, está lançando seu álbum de estreia: NAUPENC.
Baterista desde os 12 anos, o disco de 10 faixas marca uma grande transição em sua trajetória musical: da performance predominantemente instrumental para uma identidade realizada como compositor e produtor, ao mesmo tempo em que aprofunda sua conexão com as raízes nordestinas, região celebrada por sua riqueza rítmica.


NAUPENC é um trabalho predominantemente eletrônico, com todo o projeto musical girando em torno do ritmo. Três faixas apresentam bateria acústica, enquanto as sete restantes são construídas a partir de padrões eletrônicos intrinsecamente interligados. Todos os sons foram pensados com esmero e são permeados por uma espécie de psicodelia mutante, que se adapta as batidas e os outros elementos sonoros a cada uma das faixas, além da vibe retrô futurista..


“A música é construída por meio de ostinatos e polirritmos sobrepostos, frequentemente executados por sintetizadores, com o conceito orientador de que instrumentos melódicos podem funcionar como vozes rítmicas”, explica Bruno. “A percussão e o design de som são intencionalmente focados em polirritmia, criando momentos em que o ritmo se torna melodia e a repetição se torna narrativa emocional”, complementa o artista.


As 10 faixas foram maturadas, compostas e pensadas ao longo de alguns anos, influenciadas por ideias que acompanham Bruno desde os tempos de conservatório pernambucano de música, sobretudo o estudo de polirritmia com Hugo Medeiros, e também as práticas de conjunto de frevo e forró, que refletem nos ritmos nordestinos que permeiam o álbum em alguns momentos. Para além do trabalho orgânico do baterista e do produtor eletrônico, é possível encontrar influências sonoras de bandas como King Crimson e Tool, passando por artistas como John Frusciante e Aphex Twin, além da pegada pop à Daft Punk.


“A minha ideia é de que houvesse uma certa inversão de valores entre ritmo e melodia no álbum, no sentido que os elementos melódicos, desde os synths às guitarras e aos violões, geralmente são construídos em cima de padrões repetitivos (ostinatos, ou loops), e os elementos rítmicos e percussivos, como as drum machines, baterias acústicas e percussões são muitas vezes polirritmicos em natureza”, analisa o compositor.


O álbum, co-produzido por Tenório, foi uma parceria com object blue e Mari Herzer, que também co-produziram e trabalharam como engenheiras de mixagem em faixas específicas do NAUPENC; o trabalho também contou com a participação de Bruno Saraiva (da Kalouv), como um dos co-produtores de 5 das faixas, e também na gravação de synth adicionais nessas músicas. Além deles, o trabalho conta com a participação do músico Rafael Cadena (da banda Cangaço), que gravou guitarra em “Dissociando” e violão em “Anedonia”, e Thiago Duarte gravou percussões em “Permanáculo”. NAUPENC foi masterizado por Beau Thomas, conhecido por masterizar lançamentos recentes de Aphex Twin.

Ouça Aqui

Além do álbum, Bruno Tenório também lança em parceria com o artista visual e designer gráfico Raul Luna, o filme experimental NAUPENC, dirigido por Luna.


O filme se passa num passado alternativo, que remete a um Brasil alternativo nos anos 1980, no qual o Brasil é uma potência nuclear e o programa NAUPENC surge como uma espécie de terapia alternativa. O Protagonista é inicialmente submetido a um processo em que seu corpo é plenamente escaneado, e submerso em um líquido verde de cura. Após o Scan, ele é transportado ao meio digital onde, após um processo similar ao de fecundação, ele passa a ser representado pelo ícone tradicional de um mouse de computador.


Dentro do programa, ele precisa lutar numa Guerra Virtual contra um ataque de vírus (malware). Essa batalha é seguida por um processo de fragmentação de memórias, que culmina no protagonista entrando em um estado de transe, resultando na destruição de suas memórias e no contato com um Deus Digital.




Nenhum comentário:

Postar um comentário