Artista mergulha na primeira infância e nos ritmos da metrópole paulista, criando sonoridades que transitam entre drones, hip hop e indie rock.
Matheus Antonio, apareceu pra música a cerca de 10 anos atrás pela alcunha de Theuzitz, na efervescente cena lo-fi rock do período. “O aprofundamento dos meus processos pessoais e a relação com a cultura brasileira foram alguns dos motivos para a mudança do vulgo Theuzitz, para mulato”, comenta Matheus. Hoje em dia conhecido como mulato, está lançando seu novo EP "Criatura", trabalho que marca uma nova etapa na carreira do artista. Com 5 faixas compostas, gravadas e produzidas por ele, o projeto é uma costura de gêneros, sonoridades e ambiências que criam uma psicodelia nostálgica, urbana e bucólica. "Eu acredito que esse EP representa a essência do que eu sempre cultivei aqui em Jandira", comenta o artista sobre o trabalho que hoje ganha vida.
O processo de criação do EP aconteceu entre julho e outubro de 2024, com mulato assumindo a produção, composição e gravação de todos os violões e guitarras. O projeto ganhou vida através de colaborações pontuais - Pedro Millecco na bateria, baixistas e arranjadores convidados, cada um adicionando camadas à visão inicial. "Foi um mergulho na minha natureza e na selvageria do meu inconsciente, nesse lugar da primeira infância, sem tantos filtros", explica o artista sobre esse retorno às raízes em Jandira. A capa é uma colaboração entre mulato, Myrella Amorim no design e fotografia de Nando Eryc. “Foi um mergulho na minha natureza e na selvageria do meu inconsciente, nesse lugar da primeira infância, sem tantos filtros”, complementa Matheus.
Sonoridade e conceito
Criatura soa como fruto da cultura musical e de mídia dos anos 1990 e 2000, mas expande essas manifestações numa musicalidade que também assimila influências do soul setentista, do jazz e da bossa nova. Encarnando a "criatura" que dá nome ao EP, mulato traduz as sonoridades radiofônicas e metropolitanas da sua infância em composições que combinam com as paisagens de São Paulo. "Esse disco fala de sobrevivência. Todo mundo é um pouco dessa criatura que vai ter que atravessar o caos, a violência, encontrar o próprio caminho. E eu acho que esse trabalho é sobre persistir acreditando, ainda que nem tudo seja tão favorável e justo", finaliza mulato.
Faixa a Faixa
Bizarro!!! é uma faixa que materializa o caos urbano de São Paulo através de texturas sonoras que vão se sobrepondo como as paisagens da cidade no transporte público. Começando com a voz do metrô paulistano, a música joga o ouvinte dentro daquele ambiente frenético da metrópole. É uma música feita para ser ouvida alta, na rua - pesada nos temas, mas pulsante.
Tatuagem de Cobra muda completamente o tom do EP. Conduzida por um violão, ela é uma canção de influência radiofônica oitentista/noventista. A cobra do título remete ao Ouroboros, símbolo do eterno retorno, materializando a lei do "o que se faz volta". A letra é confessional, e o autor questiona a sua própria autenticidade enquanto explora o quanto relações reais e desveladas podem gerar um amor que transforma. O verso "Toco o céu como 2pac / E regresso cada vez mais verdadeiro" marca o ápice da canção, estabelecendo um diálogo com o legado do rapper mas afirmando o próprio renascimento. A faixa se encerra com um solo de guitarra catártico tocado por mulato.
Em Desenho Cego, o EP mergulha em sua faceta mais experimental. Com guitarras etéreas e distorcidas, acordes de jazz, bossa nova e uma atmosfera psicodélica que remete ao soul dos anos 70, a faixa materializa musicalmente a ideia de ser mulato - representada numa música de influências negras de diversas diásporas e as ramificações globais do rock alternativo. A letra é baseada no conceito de efeito borboleta a partir das escolhas que fazemos, e que se refletem na imprevisibilidade da vida: lagartas tentando desabrochar, escolhas no escuro, desenhando cego um futuro que não se controla.
Azaleia funciona como um respiro atmosférico. Com apenas guitarras e camadas de vozes, a faixa constrói um espaço sonoro etéreo. Curta e serena, ela aborda o vazio da hiperconexão digital - o tédio e a dificuldade de conexões reais se materializarem. A linha "Eu quero você / Ou só quero ser mais emocionante?" expõe a ansiedade contemporânea dos impulsos e gatilhos que confundem desejo genuíno com necessidade de estímulo e pertencimento constante.
Criatura é o centro temático do EP e a faixa mais longa e épica do projeto. Conduzida por uma viola caipira, a música de seis minutos e quarenta conta uma história de sobrevivência e transformação. É sobre crescer numa cidade que muda, mudar junto com ela e se perder no processo até que um trauma profundo, representado pelo tiro dado pelo melhor amigo, força um renascimento. O mantra "Eu não morri" se repete como afirmação de existência e resistência. De forma onírica, a canção encontra na viola caipira e nessa brasilidade profunda as respostas para fechar um ciclo sobre sobreviver, transformar-se e insistir em existir com plenitude.
Punks é a faixa que encerra o projeto e situa o ouvinte num outro lugar. Entre os samples e a instrumentação orgânica somada aos 808, essa canção fala sobre o deslocamento e a alienação na vida urbana, partindo dos recortes dos dois artistas participantes, mulato em relação a diáspora africana e Hugo Noguchi em relação a imigração amarela. Somada a samples de Duda do Marapé e do MC Magrão, o contraste brusco finaliza o disco se voltando o ambiente ao mesmo cenário intenso e caótico do início em Bizarro!!!
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FICHA TÉCNICA
SOM:
mulato: Compositor, letrista, produtor, arranjador, guitarras, vozes, samples e teclados
Pedro Millecco: Bateria em Bizarro!!!, Tatuagem de Cobra, Desenho Cego e Criatura
Andreony: Baixo em "Desenho Cego"
Viviane Barbosa: Baixo em "Tatuagem de Cobra" e vozes em "Bizarro!!!"
María Betanía Hernandez: Arranjo de cordas em "Desenho Cego"
Diego Soares Arcanjo: Sample em "Criatura"
Hugo Noguchi: Participação em Punks
Nickolas Marchioretto: Bateria em Punks
Foto de capa: Nando Eryc (Ratographia)
Design: Myrella Amorim
Fotografia: Nando Eryc
Estilo: Nimbus
SOBRE MULATO
mulato é Matheus Antonio, produtor, cantor-compositor e artista visual de São Paulo. Após estudar violão e guitarra desde a adolescência, lançou-se como artista aos 19 anos sob o nome Theuzitz. Entre 2016 e 2020, produziu 3 álbuns e participou de diversas coletâneas, fazendo parte da primeira geração do "Rock triste", movimento musical de artistas com influências de shoegaze / emo nos anos 10 no Brasil.
A partir de 2022 com sua nova alcunha compõe sobre temas de natureza mais introspectiva, abraçando uma música brasileira moderna a conectando com suas raízes na música alternativa, como a psicodelia, a música eletrônica e derivações da música negra como o soul, jazz, o hip hop e o samba.
Acompanhe mulato no Instagram: @mvlato
Contato para imprensa: mvlatou@gmail.com

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